- E isso tem a ver com o 'trágico' que você falou mais cedo? - Perguntou Maria Eduarda, se aproximando e se escorando na cabeceira da cama, ao lado de Bianca.
- Tem. - Bianca suspirou, olhando para o próprio colo, os dedos brincando com a fronha do travesseiro. - Eu... eu nuca contei isso para ninguém... -
- Tudo bem. - Disse Maria Eduarda, tentando acalmá-la. -
Bianca começou ainda olhando para baixo, quase como se houvesse ensaiado ( e talvez tivesse, só um pouquinho).
- Quando eu tinha uns 15 anos eu e minha família nos mudamos pra Ohio, minha avó estava tendo alguns problemas de saúde e precisava de ajuda da minha mãe por perto para ajudar, eu fui para uma nova escola, lá eu conheci essa garota. - Bianca pausou por alguns segundos. - Maria Julia, nunca vou me esquecer. Desde a primeira vez que eu a vi senti algo diferente, mas era difícil, sabe, era a primeira vez que eu me senti atraída por uma garota, eu não sabia o que fazer, mas aparentemente ela sabia, nós começamos a conversar e em questão de semanas nos tornamos intimas, ainda não namoradas, mas, intimas. - Bianca mordeu o lábio. - Um tempo depois Maria me disse como se sentia em relação a mim e eu a disse que o sentimento era reciproco, eu estava tão feliz, pela primeira vez era como... como se eu estivesse livre estivesse sendo eu mesma, nós já estávamos juntas a algum tempo quando eu decidi que iria contar para minha família. - Os olhos de Bianca lacrimejaram. - Eu me lembro perfeitamente, eu cheguei em casa, estavam todos no sofá, então eu parei na frente deles e disse tudo, o jeito que eles me olharam, foi terrível, era como se seu tivesse dito que havia matado alguém ou algo do tipo, minha mãe me pegou pelo braço e me levou para o quarto, ela disse coisas horríveis, inclusive que ia me mudar para uma escola católica para ser curada, minha avó tentou impedir, ela era a única pessoa do meu lado, mas ela estava velha demais, ninguém dava ouvidos, eu fui para a escola me despedir de Maria Julia, após alguns dias lá, minha mãe me ligou e disse que minha avó havia falecido e que era minha culpa. -
- Desculpe... ela te culpou pela morte de sua avó? - Perguntou Maria Eduarda, chocada.
- Sim, ela dizia que eu havia deixado minha avó nervosa e isso agravou a doença, quando fui ao funeral tive a chance de conversar com minha mãe, eu não queria voltar para aquela escola terrível e depois de tudo que minha mãe havia dito, eu realmente estava me sentindo culpada, então eu disse para ela que estava arrependida, que eu não amava Maria Julia e que tudo não havia passado de uma fase ruim, ela me fez prometer que iria frequentar a igreja 'para não seguir o caminho errado novamente', fazer acompanhamento psicológico e até hoje ela não me deixa em paz. -
Bianca mordeu o lábio.
Maria Eduarda a fitava, esperando ansiosamente o resto da história.
- Ela me inferniza cada vez que alguém se aproxima de mim. - Bianca inspirou fundo. - Eu mal tenho amigas por causa disso, até com a Giana, minha melhor amiga, ela implicou, só quando ela descobriu que a Giana tinha um namorado nos deixou em paz, eu já até tentei mudar meu telefone, excluir minha família inteira do Facebook, até moro em outro estado mas ela sempre acha um jeito de me vigiar. -
- Mas você é adulta, você pode pedir uma ordem de restrição ou algo do tipo, você não tem que ser infeliz para sempre só porque a sua mãe é uma merda! - Disse Maria Eduarda alterada.
- Ela é minha mãe Maria Eduarda, ela pode ser preconceituosa, paranoica e o que for, mas ainda é minha mãe! - Bianca fungou - Eu ainda seria infeliz se estivesse em um relacionamento com uma pessoa que amo, mas não pudesse ter contato com a minha família, eu tive que escolher. -
- Eu poderia estrangular sua mãe agora. - Maria Eduarda disse.
Bianca tentou sorrir, mas Maria Eduarda percebeu que ela se controlava para não chorar, seu rosto estava vermelho e seus dedos tremiam, antes que Maria Eduarda pudesse dizer qualquer coisa, Bianca se forçou a continuar, agora se virando diretamente para Maria Eduarda, seus olhos castanhos brilhavam, começando a marejar.
- Eu acho que ainda carrego um certo trauma sabe, minha mãe falou tanto que as vezes eu me sinto culpada pelo falecimento da minha avó. -
- Mas você não tem culpa, ela estava doente, você mesma disse que ela estava do seu lado, a sua mãe só te disse isso pra te deixar com a consciência pesada, ela queria que você se sentisse mal e ela conseguiu... - Interrompeu Maria Eduarda.
- Eu sei... - Disse Bianca, as lagrimas caindo.
- Está tudo bem. - Sussurrou Maria Eduarda, acariciando o cabelo de Bianca. Uma parte sua queria pular no pescoço da mãe de Bianca e matá-la, mas a maior parte só queria ficar ali, confortando Bianca, a abraçando, tudo para fazê-la parar de chorar.
Bianca ergueu a cabeça para olhar para Maria Eduarda e Maria Eduarda poderia desmoronar só de ver aqueles olhos agora mais escuros do que nunca, molhados de lagrima, secou uma de suas lagrimas com o polegar e Bianca franziu o nariz e se levantou rapidamente.
- Eu vou trocar de roupa... nós precisamos dormir. -
Quando Maria Eduarda ia dizer alguma coisa, ela balançou a cabeça.
- Nós vamos conversar. Mais tarde. Só... me dê um minuto. Eu preciso me recompor. -
Com um soluço, ela entrou no banheiro.
VOCÊ ESTÁ LENDO
The Experiment
FanfictionUm milhão de dólares, esse era o valor do prêmio que a maior rede de cientistas do mundo estava oferecendo para duas pessoas que fossem escolhidas para fazer parte de um experimento social. Esse experimento se baseava em colocar duas pessoas de pers...
