Cap 7 🌹 Editado

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Havia se passado pouco mais de meia hora desde que Sage deixara para trás o cativeiro inútil onde seu irmão e a matilha de Grand acreditaram ser capazes de retê-lo. Ele abandonou a forma ursina, permitindo que a anatomia humana retomasse o controle. Era uma escolha deliberada; ele ansiava por sentir o ar noturno e intrínseco fustigando sua pele nua, a umidade da floresta infiltrando-se em seus poros com toques exigentes. A noite não estava quente, mas para um ser como ele, o frio era apenas um convite para correr livremente por horas a fio.

​Contudo, a sensação de liberdade foi abruptamente interrompida por um zumbido que reverberou em seu peito.

​Não era um som externo; vinha de dentro, das profundezas de sua essência. Inesperadamente, seu urso golpeou as paredes de sua mente com uma fúria cega. O corpo de Sage curvou-se sob o impacto, e sua pele ardeu com uma intensidade jamais experimentada. Aquilo era novo, aterrorizante e magnético. Lembrava o Munjhar — a conexão primordial entre o homem e a fera na décima oitava primavera —, mas a sensação agora era mil vezes mais potente, mais devastadora.

​Ele caiu de joelhos, o solo úmido cedendo sob seu peso. O urso em seu interior guinchava em um desespero ensurdecedor, lutando para romper a barreira da consciência. Sage tentou frear os sons ríspidos que escapavam de sua garganta, mas então ele ouviu: um silvo. Não era o chamado de nenhum animal conhecido; era algo metafísico, um fio invisível que puxava sua alma. Seria instinto de caça ou algo muito mais sombrio?

"Pegue-a!", o urso rugiu dentro dele.

​A transformação ocorreu antes mesmo que Sage pudesse processar o significado daquela ordem.

​Ele já não estava mais à beira do lago onde pretendia descansar. Suas patas maciças agora golpeavam a terra em uma corrida desenfreada pela mata fechada. Lama e detritos vegetais impregnaram-se em seus pelos e garras, mas o terreno acidentado era irrelevante. Se aquele caminho o levaria ao seu destino, ele o percorreria através das chamas se fosse necessário.

​O silvo ecoou novamente, muito mais próximo.

​As emoções que o inundavam eram avassaladoras, revirando seu estômago e nublando sua visão, superando a pior das agonias que já enfrentara. Ali estava a resposta para sua longa definhação. No momento em que a encontrasse, ele a tornaria parte de si. Seria leal, seria seu companheiro, seu guardião. Ele a envolveria em sua redoma de calor e proteção com tamanha devoção que a simples ideia de abandono a faria adoecer. Ela seria dele, assim como ele, irrevogavelmente, já pertencia a ela.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora