Cap 14 🌹 Editado

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Para Sage, o tempo parecia ter se tornado um instrumento de tortura deliberada. Cada segundo naquela cabana era um golpe contra sua sanidade. Ele se agarrava à imagem mental de Stella sendo conduzida até ali por Grand — uma âncora frágil que o impedia de sucumbir ao abismo. Ele decidiu que lidaria com a pressão lancinante em seu peito mais tarde; por ora, a esperança era o seu único oxigênio.

​— Você me ouviu? — A voz de Mix ecoou, carregada de uma urgência ríspida.

​Sage desviou o olhar da parede e fixou-o no companheiro. Mix estava parado ao pé da cama, os braços cruzados sobre o peito e o rosto marcado por rugas de preocupação mais profundas do que o habitual. Sage percebeu, com um sobressalto, que perdera partes cruciais da conversa. Manter o foco era uma batalha perdida quando sua mente insistia em projetar o fantasma de Stella: ela, aninhada em seus braços; ela, cuidando de suas feridas com mãos trêmulas; ela, servindo de escudo contra os demônios que o perseguiam.

​Em seu delírio, ele quase podia sentir os lábios dela dedilhando beijos suaves ao longo de seu pescoço, enquanto a voz doce e melódica perguntava onde exatamente residia sua dor. A nitidez da fantasia provocou uma reação instintiva e bruta em seu corpo, uma ereção que pulsava com a força de sua necessidade biológica.

​— Temo que a matilha esteja organizando um motim — articulou Mix, forçando Sage a retornar à realidade política e sombria do bando.

​Tentando ignorar a própria excitação física, Sage processou as palavras do amigo. Mix pretendia deslocar o bando para as terras de Grand em uma tentativa desesperada de controle populacional. A espécie deles estava à beira do colapso; a escassez de companheiras legítimas era uma ferida aberta que ameaçava inflamar em uma rebelião sangrenta.

​Mix havia subvertido todos os dogmas e parâmetros rígidos estabelecidos pelo antigo regime de seu pai, e Sage, há muito tempo, deixara de se importar com as velhas leis. Se a sobrevivência dos shifters urso dependia de uniões com outras espécies, que assim fosse. As convenções não significavam nada para quem estava prestes a desaparecer da existência.

​— Siga o seu instinto — incentivou Sage, a voz rouca pela falta de uso. — Faça o que for necessário para que sobrevivam.

​Mix relaxou os ombros, o tom de voz suavizando-se em gratidão.

— Obrigado. Talvez eu só precisasse desse aval.

​O momento de confidência foi interrompido pelo som da porta se abrindo. Grand entrou no quarto, exalando o frescor de um banho recente, mas o odor de sua própria fêmea e o rastro do acasalamento ainda estavam impregnados em sua pele, resistentes à água. Para Sage, aquilo foi como um tapa; um lembrete cruel do que ele não possuía. Ele olhou para a porta aberta, esperando ver a silhueta de Stella surgir na penumbra do corredor, mas encontrou apenas o manto denso da escuridão.

​— Onde ela está? — Sage rosnou, a animosidade vibrando em cada sílaba.

​Grand fechou a porta com uma lentidão solene, como se estivesse prestes a revelar um segredo de Estado — ou talvez apenas para conter a explosão que sabia que viria.

​— Stella decidiu não se juntar a você — Grand revelou, as palavras caindo como sentenças de morte. — Pensei que ela precisasse apenas de tempo, mas agora entendo que ela rejeita o vínculo desde o princípio.

​A dor física retornou com força total, um impacto que o deixou sem fôlego. Sage olhou para as próprias mãos; os nós dos dedos, feridos pelas correntes, não mostravam sinais de cicatrização. Seu metabolismo, privado da conexão com a companheira, parecia ter desistido de lutar.

​— Eu sou tão desprezível assim? — perguntou ele, o tom desprovido de esperança. Era uma pergunta lançada ao vazio, sem expectativa de consolo. — Ao ponto de ela preferir o nada a mim?

​— Sage, talvez... — Mix começou, tentando oferecer uma mediação inútil.

​— Saiam. Os dois — Sage interrompeu, sua voz cortante como gelo. — Preciso de solidão.

​Eles não insistiram. O silêncio que se seguiu à saída deles foi absoluto e devastador. Agora, Sage estava acompanhado apenas pela agonia de sua biologia em colapso. Stella não havia apenas selado o próprio destino ao fugir; ela havia assinado a sentença de morte dele.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora