Cap 8 🌹 Editado

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Os pulmões de Stella imploravam por ar, cada inspiração queimando como brasa em sua garganta. Sob seus pés, a pele parecia estar em carne viva, mas a adrenalina - aquele instinto arcaico de sobrevivência que ela sequer sabia possuir - agia como um anestésico cruel. Fugir de um psicopata não era apenas uma sentença de morte; era um mergulho em um pesadelo sem fim. Por um instante, a tentação de se entregar ao solo úmido e desistir foi avassaladora, mas o pânico a impulsionou para frente. Ela saltou sobre galhos caídos e rochas pontiagudas, enquanto lágrimas espessas turvavam sua visão, transformando a floresta em um borrão de sombras ameaçadoras.

​Ao olhar para trás, viu apenas o vazio. Onde Tyler deveria estar, havia apenas o silêncio opressor da mata. O desequilíbrio veio rápido; Stella tropeçou nas próprias pernas e colidiu violentamente contra a terra firme. Um grunhido escapou de seus lábios enquanto ela lutava para erguer a cabeça, tentando localizar o perigo. O silêncio que se seguiu não era pacífico; era a quietude que precede o ataque de um predador de topo.

​De repente, um rugido estridente e gutural rasgou a noite. Stella paralisou, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado. Ela queria se esconder, enterrar-se como um rato, mas sabia que filmes de terror raramente ofereciam misericórdia aos que se escondiam. Contudo, ela não era uma heroína de cinema; era apenas uma mulher tentando não ser estraçalhada.

​Seus olhos encontraram a fonte do som e seus músculos congelaram.

​Um lobo colossal estava diante dela. A criatura, no entanto, parecia ter saído de um moedor de carne. Cortes profundos e sangrentos sulcavam seu dorso, marcas que exigiam uma força sobre-humana para serem infligidas. O animal guinchou, debatendo-se em uma agonia patética. O sangue espirrava ao redor, manchando as folhas secas de carmesim antes que o corpo finalmente colapsasse.

​O que se seguiu desafiou cada lei da lógica que Stella conhecia.

​Os pelos do animal começaram a retrair-se, os ossos estalando e se reconfigurando em uma coreografia grotesca. Stella recuou, o desejo de fugir para a segurança de sua infância lutando contra a fascinação mórbida do que presenciava. Em segundos, onde jazia um lobo moribundo, surgiu o corpo de um homem.

​As marcas de garras agora eram visíveis na pele humana, nua e dilacerada. Quando o rosto ficou visível, Stella sentiu o mundo desabar. Era Tyler. O monstro que a perseguia fora subjugado por algo ainda mais terrível. Ela se arrastou para trás, o cabelo colando no rosto suado e sujo de lama, tentando se afastar dos restos mortais do homem que, até minutos atrás, era o seu maior temor.

​Um rosnado profundo, vindo das sombras mais densas, fez a terra vibrar.

​A criatura emergiu. Era um urso, mas não como qualquer espécie catalogada. Era uma montanha de músculos, fúria e poder. Stella gelou. A julgar pela inquietação do animal e pelo modo como ele fixava os olhos nela, ela era a próxima. O destino parecia claro: ela morreria ali, estraçalhada sob o luar.

​Sage lançou-se à frente, os sentidos inundados pelo aroma da fêmea. Ela exalava medo, um suor frio que fazia sua besta interior rugir de possessividade. O urso dentro dele não queria apenas protegê-la; queria reivindicá-la, marcar cada centímetro daquela pele e garantir que ela carregasse sua linhagem. Mas ele precisava de controle. Se avançasse com ferocidade excessiva, a humana - claramente alheia ao mundo shifter - morreria de pavor, e ele jamais se perdoaria por quebrar o que deveria ser seu.

​Ele queria envolvê-la em seus braços, sentir o calor do corpo dela contra seus músculos e provar que era o macho capaz de prover e proteger. Ao fitar o abdômen dela, Sage visualizou seus futuros filhotes ali, crescendo sob sua guarda. A visão fez sua fera rosnar em aprovação, lançando um olhar de desprezo para o cadáver que acabara de estraçalhar. Se tivesse demorado mais um segundo, aquele lobo imundo teria tocado o que era sagrado.

Ela é minha, ele reafirmou mentalmente. E eu serei digno dela.

​A humana estava paralisada. Sage aproximou-se com lentidão calculada, seu focinho captando cada nuance do perfume dela. Ele aspirou o aroma de seu ombro, seguiu pela seda de seus cabelos e desceu pelo contorno de seus seios até o abdômen. Ele estacou ali, o calor da pele dela irradiando contra ele. Era inebriante.

​Ele permitiu-se elevar-se sobre ela, mantendo a proximidade necessária para que ela sentisse sua presença, mas não para esmagá-la. A batalha pelo controle entre o homem e o urso era constante, um jogo de poder que ele estava determinado a vencer. Ao abandonar a postura de quatro patas, ele finalmente encontrou os olhos dela.

​Viu descrença. Viu uma centelha de antecipação que ele não soube decifrar. Sage observou as mãos dela se erguerem; ele esperava um golpe, um empurrão desesperado, uma tentativa patética de fuga que ele silenciaria com facilidade.

​Mas ela o surpreendeu.

​Em vez de lutar, ela envolveu o rosto do grande animal com as palmas das mãos. O toque era suave, carregado de uma doçura que fez o urso ronronar em êxtase. Naquele momento, Sage soube que arrancaria os olhos de qualquer criatura na terra apenas para manter aquele contato para sempre.

Sage Histórias para pegar e não largar. Descubra agora