Assim que a policial soltou Ava no pátio ela nem olhou para direção nenhuma, simplesmente decidiu migrar para sua cela e se sentar em sua cama. Ela queria pensar, precisava disso, por tal razão tirou os sapatos e se encostou no canto da cama, apoiando sua cabeça na parede e suas costas no beliche. A garota puxou sua coberta e enfiou a mão embaixo do travesseiro, tirando uma foto de Sara com ela de lá.
Ela abraçou as próprias pernas e suspirou tristemente, encarando a foto que Charlie havia lhe dado, que para a sua surpresa não havia sido a que elas olhavam para câmera, senão a que havia tirado instantaneamente, onde Sara fitava bobamente o enorme sorriso que Ava tinha em seu rosto, tendo seus braços enlaçados ao redor da menor. Pela forma como ela fitava Sara, podia se dizer facilmente que estava apaixonada.
-- E agora, meu amor? -- Ela sussurrou, dando um beijo na foto antes de se deitar e fechar os olhos, enterrando a imagem em seu peito fortemente.
Ela estava aliviada porque sairia, entretanto, deixar Sara não fazia seu coração ficar calmo, muito pelo contrário, ele estava quase sangrando. Não se arrependia de ter se apaixonado por Sara, porém as coisas se complicariam a partir do momento onde saísse dali. Sem perceber um choro baixinho se fez presente por ela mesma. Ela havia levado a coberta até sua cabeça e mal notou quanto tempo havia se passado daquela forma.
-- babe? -- A voz carregada de preocupação de Sara soou no ambiente e Ava descobriu a cabeça rapidamente, se virando quase que instantaneamente para sua namorada.
-- Amor... -- Ava proferiu, estendendo os braços para era em um convite silencioso para a menor se aconchegar em seu corpo. Sara sequer pensou, apenas migrou até a cama de Ava e se instalou em seu abraço.
-- O que houve? -- Sara perguntou e Ava negou com a cabeça, enterrando o rosto em seu pescoço antes de começar a chorar copiosamente.
-- A minha... irmã... -- Ava disse e parou, fazendo o desespero de Sara aguçar.
-- O que houve com ela? Ela está bem? -- Indagou e Ava assentiu com a cabeça, respirando fundo para ver se conseguia parar de chorar.
-- Ela pagou alguém para sumir com uma das provas da minha inocência. -- Ela enfim disse. -- E não duvido nada que... tenha ofertado uma boa dose de dinheiro ao meu antigo advogado para perder o caso. -- Sara se calou por algum tempo até processar a informação.
-- Você, uh, tem certeza? -- Sara perguntou e Ava assentiu, completamente devastada. -- Céus, Ava, eu sinto muito. Como você soube?
-- A minha advogada descobriu. -- Ela falou, sentindo seu corpo se acalmar ao sentir a carícia mansa de Sara em seus cabelos.
-- As pessoas às vezes são filhas da puta no mundo, só basta descobrir o motivo. -- Sara falou e Ava ergueu o rosto, a fitando com os olhos vermelhos e o rosto umedecido. Sara não resistiu em levar uma mão até seu rosto e enxugar delicadamente a região antes de depositar um beijo na testa de Ava. -- Não gosto de te ver mal. Isso me destrói. -- Falou, fechando os olhos e engolindo pesadamente.
-- Por favor... Por favor, diz que vai me deixar te visitar quando eu sair daqui. -- Ava sussurrou em uma súplica desesperada. -- Por favor, amor, por favor...
-- babe, isso não é lugar para você. -- Sara disse com profundo pesar. -- Eles vão ter que te ver nua e...
-- Não se eu vier com um advogado. -- Ava disse prontamente e Sara a fitou solenemente.
-- Você está mesmo disposta a me visitar? -- Sara indagou e Ava assentiu, enfiando a foto embaixo do travesseiro novamente.
-- Vai passar rapidinho, mas preciso continuar te vendo. Eu não saberia lidar com tanta saudade. -- A mais alta confessou e Sara arqueou uma sobrancelha.
-- Está dizendo que me esperaria? -- Perguntou incrédula.
-- Óbvio. -- Ava replicou e Sara não resistiu em abrir um lindo sorriso.
-- Você jura que me esperaria? babe, você não precisa...
-- Não fale mais uma palavra sequer. -- Ava pediu. -- Eu... gosto mesmo de você, Sara. -- Ela disse com suavidade. -- Eu sei que eu não preciso; que eu poderia tocar a minha vida lá fora como se nada tivesse acontecido, mas aconteceu e eu jamais mudaria isso em minha vida. -- Afirmou. -- Você agora é parte da minha vida e, bem, é uma parte que eu não quero nunca abrir mão.
-- Não me dê esperanças se não for verdade... -- Sara pediu com a voz embargada, fitando o colchão para Ava não ver o lampejo de vontade de chorar em seus olhos. -- Ninguém nunca esteve lá por mim além de Charlie e Astra e eu não suportaria se... -- Ela engoliu em seco e mordeu o lábio inferior. -- Por favor, não me ilude se não for verdade. -- Sara sentiu o leve roçar do dedo indicador de Ava em seu queixo e ergueu a vista para fitá-la.
-- Eu esperarei cada bendito segundo para termos uma vida lá fora. -- Ava disse e Sara comprimiu os lábios.
-- Jura? -- Sara perguntou e Ava assentiu.
-- Sim. Só preciso que me deixe te visitar... Eu morreria de saudades. -- Ava pediu novamente e Sara assentiu.
-- Eu deixo. -- Sara falou finalmente. -- Mas só se vier com um advogado. Não quero que se submeta a ser analisada por aquelas policiais.
-- Eu prometo. -- Ava disse, se inclinando e dando um beijo em Sara, calmo, macio e suave. A menor riu entre o beijo e negou com a cabeça.
-- Começamos essa conversa comigo sendo seu conforto. Olhe agora... -- Ela disse rindo e Ava depositou mais um beijo casto em seus lábios.
-- Isso é porque somos um casal fofo onde ambas se cuidam e é exatamente por isso que não deixaria de te ver nunca. -- Ela falou e Sara sorriu, enlaçando um braço ao redor da mais alta.
-- Bem, temos pouco mais de três meses então para ficarmos juntinhas ainda, não é? -- Sara indagou e Ava mordeu seu lábio inferior, a olhando com temor.
-- Uh, é isso que eu queria comentar com você... -- Começou suspirando e por sua reação Sara já soube.
-- Quando sai? -- Perguntou.
-- Em aproximadamente um mês, no máximo. -- Sara assentiu e levou uma mão até seu rosto.
-- Finalmente. Isso não é lugar para você. -- Sara disse docemente, apesar de já ser capaz de sentir a saudade em seu peito.
-- Nem para você, babe. -- Ava afirmou e Sara riu baixinho.
-- Talvez, mas você não sabe o peso que tira das minhas costas indo embora. -- Ava a fitou confusa e Sara abriu a boca assustada. -- Não, eu não quis dizer que você é um peso para mim, por favor, não me interprete mal. -- Pediu rindo nervosamente.
-- E então? -- Ava Indagou.
-- Eu vivo com medo de descobrirem algo sobre mim. -- Sara confessou. -- E morro de desespero de te atacarem caso descubram. Eu não me perdoaria nunca se algo te acontecesse. -- Falou com um olhar aflito e Ava se ajeitou na cama.
-- Não me assuste, Sara. Do que se trata? -- Sara suspirou e diante do olhar de Ava ela não teve como esconder. Seus olhos foram para fora da cela para ver se ninguém passava e abaixou o tom de voz consideravelmente ao dizer:
-- Eu não sou quem eu digo ser, Ava.
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𝙿𝚛𝚎𝚜𝚊 𝙿𝚘𝚛 𝙰𝚌𝚊𝚜𝚘 -𝓐𝓿𝓪𝓵𝓪𝓷𝓬𝓮
عاطفيةO que você faria se, por um golpe do destino, você fosse presa mesmo sendo Inocente? Ava Sharpe não se assustou tanto quando foi mandada ao julgamento, afinal sua família tinha a conta bancária transbordando dinheiro o suficiente para pagar o melho...
