Conversas sérias

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Carolyna POV

Meus pais ficaram loucos! É a única
explicação possível. Meus pais e todos
naquela sala. Eu não vou me casar com a
Priscila, não mesmo. Eu saí da sala do meu pai chorando. Não apenas por não querer me casar, mas porque estou me sentindo vendida. É como se meu pai tivesse me vendido aos Caliari, pior ainda, para a pessoa que inferniza minha vida desde que nasceu. Será que eles não percebem o quanto nos odiamos? Já estou na porta do prédio quando ouço alguém me chamar:

- Carol, Carol - Amanda me chamou e eu parei para que ela me alcançasse. – Desculpa. Eu não sabia que uma decisão minha ia causar tudo isso.

- Você não precisa se desculpar – tentei
acalmá-la. - Não é culpa sua, é culpa do papa, é ele quem está me vendendo.

- Mas se eu tivesse aceitado trabalhar aqui
nada disso aconteceria. - Ela também
começou a chorar. – Eu vou falar com o papa e dizer que vou assumir a Luxury junto com a Priscila.

- Não! - Eu nem pestanejei em negar. –
Nem pense em falar com ele, eu não vou te
condenar a uma vida que você não quer. Você vai para a faculdade e cursar o que quiser cursar e vai trabalhar com o que quiser, me ouviu?

- Então eu me caso com a Priscila. - Minha irmã insistiu. - Não é segredo que vocês se odeiam e se matariam morando juntas. Já eu e a Priscila nos damos bem e aguentaríamos um ano juntas.

- FICOU LOUCA! – Gritei com ela que se
assustou com o meu tom, afinal eu nunca
grito com ela. Eu baixei o tom de voz e
continuei. - Primeiro: ninguém vai casar com ninguém. Nós vamos encontrar outra solução. Segundo: você é muito nova para se casar. Nem pense em fazer isso pelos próximos dez anos. E terceiro: eu não desejo um casamento com Priscila Caliari para ninguém, muito menos para minha irmã favorita.

Tentei descontrair o momento para que Amanda  parasse de se culpar. Funcionou, porque ela sorriu e falou:

- Eu sou sua única irmã, Carol.

- Por isso mesmo é a favorita. - Eu ri junto
com ela e falei: - Eu tenho que ir, tenho uma
seção de fotos agora.

Nos abraçamos e Amanda falou:

- Te amo, Carol.

- Eu também te amo Amanda. E não se preocupe, tudo vai se ajeitar.

Após me despedir segui até o meu carro,
mas não fui para o estúdio. Segui direto para casa. Minha cabeça está quase explodindo e não consigo me livrar da preocupação que sinto com relação a essa ideia maluca de casamento. Porque, apesar da mágoa que eu sinto do meu pai, não consigo parar de pensar na minha família e no trabalho que meu pai e avô tiveram para que a empresa chegasse ao ponto em que está hoje. Assim que cheguei em casa, liguei para Malu que me esperava no trabalho. Ela atendeu e falou:

- Onde você está? O cliente já está aqui.

- Você pode fazer as fotos para mim? -
Perguntei. - Não estou com cabeça para isso
hoje.

- O que seu pai queria? Era muito sério? - Ela se preocupou.

- Bastante. - Suspirei. - Mas depois eu te conto com detalhes, vou precisar de você para desabafar.

- Certo, assim que terminar aqui passo
comprar o jantar, vou para casa e
conversamos.

- Ok, até mais tarde - falei e desliguei o
telefone.

Além de Malu, só havia uma pessoa que
poderia me aconselhar nesse momento e eu
não hesitei em ligar para ela:

- Ei baixinha – falei assim que ela atendeu. – Pode vir jantar aqui em casa hoje?

The Few Things - Capri Onde histórias criam vida. Descubra agora