Reaproximação

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Carolyna POV

Foi uma surpresa quando Priscila me convidou para dormir com ela, mas, mesmo sabendo que se tratava apenas de uma carência momentânea eu não neguei a ela esse pedido. Nunca conseguiria fazer isso. Passamos uma noite agitada. Priscila voltou a ter pesadelos e acordou diversas vezes durante a noite, e em todos esses momentos eu a abracei ainda mais forte, tentando demonstrar que estava com ela e que tudo ficaria bem. Levantamos cedo no domingo e encontramos todos já na mesa para o café, e embora ninguém tenha conseguido comer ou falar muito permanecemos ali, juntos, antes de
nos dirigirmos novamente ao hospital para
acompanhar a cirurgia de Marcela.
Quando chegamos novamente ao quarto
andar do hospital, encontramos tia Adriana
e tio Thomas sentados no corredor. Amanda correu para eles:

- Tio, tia, como ela está?

- Ela vai ficar bem, Amanda. Nós a vimos mais cedo e podemos garantir isso. – Tia Adriana  respondeu.

Neste momento o médico responsável por
Marcela se aproximou:

- Nós iremos levar a senhorita Caliari ao
centro cirúrgico. Vocês poderão esperar na
recepção de lá.

- Quanto tempo durará a cirurgia? Meu pai
perguntou.

- Menos de uma hora, se tudo der certo. E
ainda no começo da tarde ela será mandada para o quarto e vocês poderão vê-la. – O médico informou. - Eu preciso ir. Aviso vocês assim que o procedimento terminar.

Ele se afastou e nós seguimos até a recepção
do centro cirúrgico. Priscila se deixou ficar para trás, caminhando silenciosamente. Eu diminui a velocidade meus passos para esperá-la.

- Vai ficar tudo bem. - Falei novamente, como vinha afirmando desde o dia anterior.

- Eu sei. - Ela devolveu. - Mas ainda assim me preocupo.

- É normal. Eu também me preocupo. - Falei. - Mas a certeza deve ser maior do que a preocupação.

Ela concordou com a cabeça e nós
continuamos nosso caminho até o centro
cirúrgico. Como o previsto a cirurgia não demorou, e em quarenta minutos o médico de Marcela entrou na recepção e se dirigiu novamente a nós:

- O procedimento foi um sucesso. - Ele falou, e todos nós respiramos aliviados. Eu apertei a mão de Priscila que estava sentada ao meu lado, para reafirma minha convicção de que tudo estava bem e ouvi o restante das explicações do médico. - Ela ainda está sob efeito da anestesia, e será levada para o quarto. Assim que acordar vocês poderão vê-la, mas isso ainda levará uma ou duas horas. Ela ficará em observação pelo menos até terça e depois disso receberá alta, mas permanecerá com o pé imobilizado por algum tempo.

Depois de ouvirmos todas as recomendações do médico descemos para almoçar e esperar o momento em que finalmente poderíamos ver Marcela. Nesse meio tempo, Priscila e eu aproveitamos para comprar algumas coisas que iriamos precisar para passar a semana. Quando retornamos ao hospital fomos informadas de que Marcela acordara a pouco
e nossa família já estava com ela. Priscila praticamente correu até o quarto e eu tive que apurar o passo para acompanhá-la. Ela entrou sem nem ao menos bater e quando percebi ela já estava abraçada com Marcela e falava:

- Nunca mais me dá um susto desse. - Ela
estava chorando. - Ninguém nunca te
ensinou a olhar para os dois lados antes de
atravessar?

- Desculpa, Pri. Eu estava distraída. - Marcela respondeu. - Não irá acontecer novamente.

- Espero mesmo que não. – Priscila falou
se afastando e permitindo que eu me
aproximasse e pudesse ver melhor o estado
de Marcela.

Ela parecia estar bem. A única coisa
perceptível, além do gesso no seu pé direito, era um corte acima de sua sobrancelha, que havia levado alguns pontos.

The Few Things - Capri Onde histórias criam vida. Descubra agora