Carolyna POV
Depois de duas semanas, eu e Priscila ainda
vivíamos praticamente uma lua-de-mel.
Desocupei meu quarto no final de semana
após nossa reconciliação e agora dividíamos o espaço do antigo quarto de Priscila. Todos os nossos amigos e familiares ficaram contentes com a nossa volta e eu até mesmo consegui conversar com tia Adriana e fazê-la entender tudo o que acontecera. Podia dizer, com certeza que estava vivendo o melhor momento da minha vida. E isso não passava despercebido para ninguém a minha
volta, principalmente para minhas melhores amigas, que não perdiam a oportunidade de me provocar, principalmente Malu. Percebi pelo modo que ela me olhou quando entrei no estúdio que hoje não seria diferente.
- Deixando na porta do estúdio? - Ela se
referiu ao fato de Priscila ter me trazido até
o trabalho. - A lua-de-mel de vocês nunca
acaba?
- Nunca. - Devolvi sorrindo. - Você vai ver
quando seu casamento chegar. Vai fazer a
mesma coisa.
- Provavelmente. - Ela falou rindo. - Se
namorando a Dani já me dobra e põe no bolso, imagina quando casarmos.
- Maria Luísa admitindo que é mandada! - Fingi um ar de surpresa. – Nunca pensei que fosse presenciar esse momento.
- Pois acredite. Eu reconheço que ela me tem nas mãos.
- Um dia eu vou falar isso perto da Dani e você vai ter que repetir. - Falei.
- Repito mesmo. – Ela riu. – Eu preciso
resolver algumas coisas com você. Antes do
casamento.
- Pode falar. - Disse.
- Eu e a Dani vamos viajar um dia depois do
casamento. - Ela começou. - Você sabe disso.
Então eu estava pensando. A alguns dias você me falou que queria surpreender a Priscila. Eu acho que sei como.
- Como? - Perguntei entusiasmada.
- Como eu vou passar duas semanas fora,
você ficara sobrecarregada com as coisas do estúdio. - Eu abri a boca para protestar, mas ela me interrompeu. - Eu sei que você vai falar que também ficou uma semana fora, mas foi para cuidar da Marcela. É diferente. Eu sugiro que você e a Priscila tirem umas férias. Viagem. Curtam uma a outra. Será a sua chance de fazer uma surpresa para ela.
Eu considerei a possibilidade.
- Vou pensar Malu. Até o fim do dia te dou uma resposta.
Eu não precisei chegar ao fim do dia para
tomar uma decisão. Ainda no meio da tarde
eu pedi licença a Malu e saí para comprar
nossas passagens. Iria fazer a surpresa para a Priscila hoje à noite. Após o jantar eu e Priscila subimos para nosso quarto e eu, pegando as passagens dentro da bolsa, mas as mantendo escondidas.
- Pri, como está tudo na empresa?
- Está tudo tranquilo por lá, na medida
do possível, claro. – Ela falou. - Por que
pergunta?
- Nada. - Respondi. - Você acha que nossos
pais se importam se você sumir por uma
semana?
- Acho que não. - Ela devolveu sorrindo. - O
que está pensando?
Eu mostrei as passagens.
- Estava querendo viajar. A Malu deu a ideia, e eu achei que seria bom para nós duas.
- Uma segunda lua-de-mel? - Ela perguntou.
- Podemos chamar assim. - Respondi.
- E para onde vamos?
Entreguei as passagens para ela, que as abriu.
- Paris!? - Ela exclamou. - Uau, amor! Se
superou agora.
- Lua-de-mel na cidade do amor. Tem coisa
melhor?
- Paris? Com você? Não existe nada melhor.
- Que bom que gostou da surpresa.
- Eu amei. - Ela devolveu.
Uma semana depois estávamos pousando em Paris, em uma manhã fria de outono. Clima muito diferente do que deixamos no Rio. Seguimos direto para o hotel, mas não
ficamos muito tempo lá. Saímos para
passear pelos arredores do hotel e acabamos almoçando em um restaurantezinho pequeno e aconchegante da região. O clima entre nós estava ainda melhor do que no Rio, e eu nem sabia que isso era possível. Mas eu sentia o mesmo efeito que senti em Brasília quando estivemos lá pela primeira vez. O efeito de uma cidade diferente, era nítido em nós duas. E isso é ótimo. A tarde seguiu no mesmo ritmo, com alguns passeios no centro da cidade. Andamos por algumas lojas, e depois resolvemos passear em alguns parques de Paris. Nos sentamos em um dos bancos do parque em que estávamos, e ela me abraçou de lado, me fazendo deixar a cabeça no seu ombro.
- Você não sabe como estou feliz em estar aqui com você. Finalmente te ter do meu lado.
- Eu não podia estar mais feliz. Eu sonhei
tanto com isso.
- Isso não é sonho, meu amor. É a nossa
realidade.
- Eu sei. Mas ainda é difícil acreditar.
- Pode acreditar. Eu não pretendo sair do seu lado. Nunca.
- Nem eu. Nunca mais.
Eu levantei e deixei um selinho em seus
lábios antes de me levantar para continuar
nosso passeio. Voltamos ao hotel do final da tarde apenas para deixar nossas compras e tomar um banho rápido, antes de sairmos para jantar. Jantamos novamente em um restaurante aconchegante e pequeno próximo ao hotel. Estávamos olhando o cardápio, quando a garçonete se aproximou, levantei o olhar do papel à minha frente e encontrei o olhar dela,
que sorriu animadamente. Eu devolvi o sorriso e ela perguntou olhando
para mim:
- Vão fazer os pedidos?
- Vamos - Priscila respondeu simples, em
francês, e nós voltamos o olhar para ela. - O
que você vai querer?
Pude sentir o tom frio. Não acredito que ela
está com ciúmes. Fizemos nossos pedidos e a mulher se afastou ainda sorrindo. Tentei pegar na mão de Priscila, mas ela a afastou.
- Não vai ficar brava, não é? Eu nem fiz nada.
- Não estou brava.
- Não? – Insisti. – Então porque está assim?
- Não insiste que eu não quero brigar.
- Tudo bem. - Desisti porque também não
queria discussões.
Esperamos nossos pedidos em silêncio
e assim continuamos durante o jantar,
trocando poucas palavras. Para piorar
minha situação o pedido foi entregue pela
mesma garçonete, que continuou sorrindo
abertamente para mim. Conclusão: Priscila
ainda mais emburrada. Deixamos o restaurante e na caminhada até o
hotel eu resolvi acabar com o silêncio.
- Vai continuar assim?
- Você quer que eu fique como? Ela estava
quase se atirando em você.
- E eu estou com você. Não adiantaria ela se
atirar em mim. Eu não iria perceber.
- Mesmo assim, me incomodou.
- Priscila! - Parei e ela parou também, me
olhando. - Para com essa insegurança. Eu
amo você. E só você. Nunca vou sair do seu
lado.
- Eu sei disso. Mas não posso me impedir de
pensar as coisas.
- Então bota na sua cabeça de uma vez. Eu
não estou mais nem aí para ninguém. Eu só
tenho olhos para você, meu amor.
A beijei suavemente e ela permaneceu na
mesma posição.
- Priscila! - Falei. - Para de ser teimosa. Passou, tudo bem. Ficou para trás. Eu só quero ver o teu sorriso de novo. O sorriso que você só dá para mim. O meu sorriso.
A beijei de novo, e dessa vez ela retribuiu.
Quando encerramos o beijo ela falou:
- Você é minha, entendeu? Só minha.
- É claro que sou. Nunca fui de mais ninguém.
Ela sorriu e nós continuamos nosso caminho até o hotel, para terminar de aproveitar nossa noite.
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The Few Things - Capri
FanfictionAs famílias Caliari e Borges são sócias em uma grande rede de hotéis: a Luxury. Seus filhos foram criados juntos e se davam muito bem. Bom... exceto suas filhas mais velhas, que se odiavam. Priscila Caliari e Carolyna Borges são o completo oposto um...
