Priscila POV
Eu nunca tinha sentido tanta vergonha na
vida. Ser pega naquela situação por Marcela e Amanda foi extremamente constrangedor e não consegui olhar para elas até o momento em que nos despedimos, na porta do dormitório de Marcela, onde as deixamos antes de seguir para o aeroporto já no sábado à tarde. Elas, é claro, não perderam a oportunidade de provocar.
- Tchau, Pri. Obrigada por tudo que fez essa semana. - Marcela falou, quando meio me abraçar.
- Você é minha irmã, Ma. E eu sou responsável por você, assim como nossos pais.
- Mesmo assim, obrigada. – Ela repetiu. - Se
bem que vocês souberam aproveitar. O sofá
do hotel é testemunha.
Eu e Carol ficamos vermelhas e Amanda
e Marcela caíram na risada. Quando se
recuperou Amanda resolveu reforçar as
brincadeiras da namorada:
- Por favor, - falou – quando eu for na casa de vocês, me lembrem de não sentar no sofá de lá. Vai saber o que vocês já fizeram nele.
As duas riram ainda mais e apesar da
vergonha Carol resolveu reagir, antes que a situação ficasse ainda pior para nós.
- Vocês duas estão muito engraçadinhas. Já
podem parar, ok? Não se esqueçam que no
Rio nossa casa é o único lugar onde podem
ficar mais a vontade. Então, se fosse vocês,
não recusaria nosso sofá.
Foi a nossa vez de rir ao ver a expressão de
desespero no rosto delas.
- Vocês não fariam isso. - Amanda falou. - Nossos pais nunca nos deixam sozinhas, e só podemos ficar sossegadas com vocês. Vocês não seriam tão cruéis a ponto de nos proibir de ficar lá, seriam?
- Continue com as brincadeirinhas e saberá,
irmãzinha. - Carol falou em um falso tom
ameaçador.
- Nós vamos nos comportar - Marcela falou.
- Acho bom mesmo. Não quero mais sustos,
mocinha! - Falei.
- Não terá. Prometo. - Ela devolveu.
- Nós precisamos ir, ou perderemos o voo. -
Abracei novamente as duas e Carol fez o
mesmo. - Se cuidem.
O voo até o Rio foi tranquilo, apesar do clima entre nós estar um pouco estranho. Desde quando deixamos o dormitório da NYU quase não trocamos nenhuma palavra, apenas o essencial. Se eu me arrependi por tela beiiado? Não. Apesar da vergonha que passamos com as meninas, eu não me arrependi da minha atitude.
Durante os últimos meses em que estivemos
separadas, e principalmente nos últimos dias, com tudo o que havia acontecido, eu percebi que ela não deixou de estar ao meu lado em nenhum momento. Além disso, durante esses dias em Nova York, eu pensei muito na conversa que havíamos tido quando ela se abriu completamente para mim.
Após essa conversa eu passara a entender
um pouco mais do seu ponto de vista desde
fomos obrigadas a nos casar. Para ela era
apenas um acordo, que acabaria dentro de
um ano, eu devia entender isso.
Talvez, tendo conseguido entender tudo
isso, fosse o momento de tentar novamente.
Começar de novo. Começar do jeito certo. E
para isso nós teríamos que conversar.
Nós pousamos no rio já na madrugada
de sábado e fomos direto para casa. Por
estarmos cansadas devido ao voo fomos
direto aos nossos quartos e eu resolvi deixar nossa conversa para o dia seguinte.
No domingo eu fui cedo para a casa dos
meus pais, dar notícias sobre Marcela e
depois almocei na casa de Dani e de Rafa, para podermos conversar depois de tantos dias sem nos ver. Retornei para casa e encontrei Carol no estúdio trabalhando. Eu parei na porta e falei:
- Hoje é domingo, te contaram?
Ela riu:
- Contaram sim. Mas eu precisava trabalha
com essas fotos. Preciso entregar amanhã.
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The Few Things - Capri
FanfictionAs famílias Caliari e Borges são sócias em uma grande rede de hotéis: a Luxury. Seus filhos foram criados juntos e se davam muito bem. Bom... exceto suas filhas mais velhas, que se odiavam. Priscila Caliari e Carolyna Borges são o completo oposto um...
