Carolyna POV
Depois daquela conversa que tivemos
as coisas entre eu e Priscila mudaram um
pouco. Não que ela tenha me perdoado,
e as coisas tenham voltado a ser como
antes, mas definitivamente ela estava mais
propensa a me ouvir, e deixar com que eu me aproximasse. E foi isso o que eu fiz.
Durante o último mês, eu procurei deixar
claro em todas as minhas atitudes o quanto a amo e a quero do meu lado para sempre.
Eu fui atenciosa, carinhosa quando ela me
permitia estar perto, ou seja, perto das outras pessoas, normalmente em eventos onde tínhamos de comparecer juntas.
Aproveitamos o restante do verão com
nossos amigos. Sempre que podíamos íamos a praia, ou saíamos para jantar juntos. Rafa, Wini e Luccas, que agora estava oficialmente namorando com Clara, passaram a nos acompanhar nesses passeios. E em algum momento milagroso, Dani e Vanessa pararam de me tratar como o pior dos seres e voltaram a conviver pacificamente comigo. Desconfio que tenha o dedo da Malu e do Wini nessa história. Mas esse mês passou rápido, e logo o verão deu lugar ao outono. E com isso veio uma coisa que tanto eu quanto Priscila estávamos evitando pensar: a mudança de Amanda e Marcela para Nova York.
Além dos nossos amigos, nós procuramos
passar o maior tempo possível com elas.
Saíamos juntas, íamos ao shopping, ao
cinema, tomar sorvete. E mesmo assim, a
medida que o dia da mudança se aproximava, o coração apertava ainda mais. Se para mim estava difícil aceitar o fato da minha irmã estar crescendo, para Priscila era ainda pior. Afinal, ela iria se separar de Marcela pela primeira vez, e com o apego que elas possuíam uma pela outra, não era difícil adivinhar que seria um período difícil para as duas. Não que eu e Amanda não sofreríamos uma sem a outra, mas a situação era diferente. Apesar de sermos tão apegadas uma a outra quanto as irmãs Caliari eram entre si, eu e
Amanda já havíamos passado 6 anos morando uma longe da outra. Podemos dizer que estávamos mais acostumadas a isso. Quase não acreditei quando o dia da
mudança delas chegou. E só naquele
momento percebi que não estava nem um
pouco preparada para esse dia. Se eu não achava que não estava preparada era porque ainda não tinha visto Priscila. Mas apenas um olhar sobre ela, quando a
vi descendo para o café da manhã, me fez
perceber que ela estava bem pior do que eu.
- Bom dia. - Cumprimentei.
Ela se sentou à minha frente sem responder. Liz olhou para ela:
- Bom dia, menina Priscila.
De novo, ela permaneceu em silêncio. Eu e Liz trocamos um olhar.
- Priscila - comecei receosa. - Você está bem?
Ela olhou para mim e falou:
- Claro que não, Carol. Nossos bebês vão se mudar. Vão estar longe da gente. Isso não te preocupa?
- Claro que me preocupa. - Falei. - Mas
eu confio nas duas. Elas são adultas,
responsáveis. Vão tirar de letra. Muito melhor do que a gente, inclusive.
- E se eu não conseguir me despedir delas, não conseguir deixar elas entrarem no avião?
Parecia que ela iria chorar a qualquer
momento, então eu me levantei, e voltei a me sentar em uma cadeira ao lado da sua.
- Priscila - segurei seu rosto para fazê-la me
olhar - eu sei o quanto é difícil para você,
acredite. Afinal, como você mesma falou,
são os nossos bebês. Mas você sabe que não
pode impedi-las de seguir o caminho delas. É o tempo delas. Delas fazerem suas próprias escolhas, viverem suas próprias aventuras. Nós tivemos nosso tempo, e agora é o tempo delas.
- Mas porque elas têm que viver isso tão
longe? - Priscila perguntou.
- É a escolha delas Priscila. É o que elas
acreditam ser o melhor, e nós devemos
apoiá-las. É o que elas esperam de nós. É o
que eu espero de você.
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The Few Things - Capri
FanfictionAs famílias Caliari e Borges são sócias em uma grande rede de hotéis: a Luxury. Seus filhos foram criados juntos e se davam muito bem. Bom... exceto suas filhas mais velhas, que se odiavam. Priscila Caliari e Carolyna Borges são o completo oposto um...
