Eu não finjo muito bem

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Priscila POV

Eu juro que não sei o que deu em mim para
agarrar a Carol daquele jeito no meio da
cozinha. Era tanta a saudade que eu estava
daquela boca na minha, do corpo dela colado no meu, que eu esqueci completamente que Liz deveria estar em casa. Eu fiquei com tanta vergonha quando ela apareceu, que comecei a gaguejar ao invés de dar uma explicação decente. Não que houvesse uma. E para piorar ainda mais a minha situação, alguém muito sem noção, resolveu ligar para a Carol justo nessa hora. Ela, que de boba só tem a cara, aproveitou para escapar do constrangimento, subindo para o segundo
andar. Liz me deu aquele mesmo sorriso acusador do dia em que Carol estava doente, mas não insistiu no assunto e perguntou o que eu queria para almoçar.
Caroldesceu alguns minutos depois falando que ia almoçar com a Malu, e saiu de casa sem nem olhar para trás. Eu então, almocei com Liz, e ela pelo visto conseguiu a oportunidade que queria para falar:

- Você gosta dela. - Soltou a bomba de uma
vez, e eu engasguei com a comida.

Tomei um gole de suco para forçar a comida a descer e falei:

- Está louca? De onde tirou isso?

- Eu conheço vocês desde pequenas, menina. Vocês vivem como cão e gato desde aquela época. Mas você mudou. Em algum momento, depois que vocês entraram na adolescência você mudou. Eu percebi.

- Eu não mudei. - Insisti, mesmo sabendo
que era uma discussão perdida. Quando Liz
coloca alguma coisa na cabeça ninguém tira.

- Mudou sim. - Ela falou. - Parou de provocar tanto, e quando provocava era como se fosse para provar algo para alguém. E outra, ninguém aceita tão rápido casar com alguém que supostamente "odeia" - ela fez aspas com a mão.

- Não adianta eu negar, não é?

- Não. - Ela respondeu. - Você me deu a
confirmação a alguns minutos atrás. Não que eu precisasse depois da sua cena semana passada, quando a menina Carol ficou doente.

- Cena? - Perguntei.

- Ninguém fica tão preocupado com uma
gripe. Não a ponto de largar o serviço e
perder uma reunião importante.

- A Carolyna nunca fica doente. Eu me
preocupei.

Ela me olhou com uma cara de "Sério? Nem
tinha percebido", e continuou:

- Eu não deveria me intrometer, mas eu me
preocupo com vocês, então preciso perguntar. Vocês estão, como os jovens falam hoje em dia, ficando?

Eu sorri:

- Posso dizer que aconteceram algumas
coisas bem interessantes nessa viajem. E nós estamos sim ficando.

Ela me olhou com preocupação e falou:

- Você sabe que eu gosto muito de vocês duas, afinal, eu vi vocês nascerem, mas eu vou te pedir para ter cuidado com essa história.

- Por quê?

- Todo mundo sabe que a menina Carol é
meio desmiolada e não liga muito para as
consequências quando toma alguma atitude. Cuidado para não sair machucada dessa história.

- Eu vou tomar pode deixar. - Falei e continuei meu almoço.

Mesmo que eu ame o meu trabalho, voltar
pa ele após um feriado dá preguiça. Ainda
bem que o dia estava sendo tranquilo.
Pouco depois do almoço eu escuto meu
celular tocando. Era Carol:

- Oi, tudo bem? - Perguntei.

- Mais ou menos. - Ela respondeu. - Até que
horas vai ficar na empresa?

- Até as cinco acho, se não surgir nenhum
imprevisto. Por quê?

- Meu carro está com problema e eu tive que deixar no mecânico, mas ele falou que eu só posso buscar amanhã. Eu pediria para a Malu me levar para casa, mas ela vai para a casa da Dani e do Rafa, e fica contramão para ela.

The Few Things - Capri Onde histórias criam vida. Descubra agora