Capítulo 20

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~Hannah~

Pqp, o que eu tô fazendo aqui? Nos braços do William? Que merda é essa? Que porra tá acontecendo comigo?!

Não, não, não... Isso não tá acontecendo. Eu tô aqui, aconchegada nos braços dele como se fosse... uma menina apaixonada?

Me levanto num pulo, ainda sem acreditar que dormi daquele jeito. Como se fosse uma adolescente boba sonhando com o príncipe encantado — só que no meu caso, é um mafioso de sorriso cafajeste.

Respiro fundo e caminho direto pro quarto em que eu dormia antes daquele velho tarado vir pra cá. Tomara que ele leve um tiro bem no meio da testa. Que morra seco!

Entro no banheiro, escovo os dentes, lavo o rosto com força e tomo um banho gelado. Depois, faço um coque alto e elegante — porque se tem uma coisa que eu não perco, é a postura.

Quando estou prestes a tirar o roupão pra vestir a roupa que separei, quem entra no quarto?

— PQP! Não sabe bater antes de entrar, não? E se eu estivesse pelada?! — grito, irritada.

— Primeiro: a casa é minha. Segundo: você é minha esposa. Não tem problema eu ver o que tem por baixo desse roupão — ele responde, com aquele olhar que me dá vontade de arrancar os olhos dele com a unha.

— Dá pra parar? — pergunto entre dentes.

— Parar o quê?

— De me olhar assim, caralho! Parece que quer me comer.

Ele ergue uma sobrancelha e responde com um sorrisinho:

— Só parece?

Meu Deus... A vontade que eu tenho de jogar a escova de cabelo na testa dele.

— Sai daqui, agora. Eu quero me vestir.

— Não. Vou ficar pra ver você se vestir.

— Se você não sair daqui agora, juro que enfio essa escova na sua boca!

— Tá bom, calma, mulher! — ele diz, levantando as mãos e saindo do quarto devagar.

Respiro fundo. Me visto rapidamente e vou até o quarto dele, mas não o encontro. Então, desço.

— Hannah, bom dia! — Lídia me cumprimenta com um sorriso, sentada na sala.

— Bom dia — respondo.

— Vamos tomar café? Tô morrendo de fome — ela fala, me puxando com ela até a sala de jantar.

Nos sentamos e ela já começa a se servir.

— E os meninos? E o nosso querido sogro? — pergunto, me sentando também.

— Você não sabe? Eles viajaram. Vão voltar só daqui três dias — ela responde, com a boca cheia de panqueca.

— E a Micaela? Volta quando?

— No mesmo dia que eles.

— Hmm... Por que ela teve que ir também? Esse tipo de viagem é mesmo necessário?

— É que a Micaela tem um trauma, sabe? Depois que ela e Felipe se casaram, no primeiro mês de casamento ele teve que viajar. Ela ficou sozinha com os empregados da casa... mas não adiantou. Acabou sendo sequestrada. Viu coisas horríveis. Desde então, ela não deixa ele viajar sem ela. Quando não vai, fica aqui comigo.

Levo a mão à boca, chocada.

— Tadinha... E você? Já passou por algo parecido?

— Sim. Quando eu e o Bernardo nos casamos, ele comprou uma casa pra gente ficar longe do pai dele... e do William também. Só que um dia, invadiram a casa. Quase mataram o Bernardo. Depois disso, me sequestraram e fiquei dois meses sumida. Me declararam até como morta. Sofri horrores, mas um dia eles me soltaram, e consegui voltar pra casa.

— Nossa, Lídia... sinto muito por tudo o que você passou — digo, colocando minha mão sobre a dela.

Ela sorri fraco.

— Mas o que eu vivi nem se compara ao que você sofreu. Hannah, eu quero que você se sinta parte da família. Sei que você e o William vivem batendo de frente, mas... espero de verdade que vocês se apaixonem de verdade. E olha, mesmo que a gente só se conheça há uma semana e meia, eu já te amo. Você é minha melhor amiga. Eu, você e a Micaela... somos um trio agora.

Na hora que ela diz que me ama, meu coração aperta. Uma lágrima escapa sem eu perceber. Enxugo rapidinho e abraço ela com força.

— Obrigada pelas palavras. Eu também amo muito você e a Micaela.

Depois do café, vamos ao médico fazer os exames da gravidez da Lídia. No fim da manhã, damos uma passadinha no shopping e fazemos uma videochamada com a Micaela, que se empolga tanto que quase derruba o celular.

Voltamos pra casa bem na hora do jantar. Comemos e, pela primeira vez em dias, eu durmo sozinha no meu quarto.

Sem William.
Sem confusão.
Só eu e meu travesseiro.

E, estranhamente... sinto falta dos braços dele.

REVISADO ✅

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