Capítulo 15

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~Hannah~

Sento-me na cama, ainda sonolenta.
Levanto e vou ao banheiro para fazer minha higiene e tomar banho.

Depois, sigo até o closet, pego um short jeans e um moletom preto. Faço um rabo de cavalo, solto duas mechas na frente, passo rímel e um gloss rosa.

Assim que termino, desço para o andar de baixo.

Como não conheço nada na casa, sento no sofá da sala e espero alguém aparecer — mas ninguém aparece.

Então me levanto e me lembro do jardim. Decido ir até lá.

Ao chegar, vejo Lídia tomando café sozinha.

— Posso te acompanhar nesse belo café da manhã? — falo, me aproximando.

— Hannah, bom dia! Não te acordei porque achei que você iria se irritar.

— Bom, eu realmente me irritaria um pouco... Odeio quando me acordam. Prefiro acordar sozinha, é bem melhor. Você concorda?

— Sim, eu também odeio! O Bernardo sempre faz isso, me dá um ódio!

Sorrio.

— Falando nele... Onde ele e o William estão?

— Foram para a sede da máfia — ela responde, dando uma mordida no misto-quente.

— Ah, sim. E o senhor Mário?

— Bom, ele vive viajando por conta das negociações da máfia. Agora que o William se casou com você, estamos esperando vocês completarem três meses de casados para que ele ocupe o lugar do pai.

Arqueio a sobrancelha.

— Então... William Parker se casou só para ocupar o lugar de chefe da máfia? — pergunto, tomando um gole de suco.

— Não exatamente... De qualquer forma, ele herdaria o cargo.

— Hm... Então ele só casou comigo por causa do contrato mesmo?

Lídia hesita, abaixa a cabeça.

— Pode ser...

A encaro, desconfiada. Pelo pouco que conheço de Lídia, sei que ela está me escondendo algo.

— Lídia? Eu te conheço. Fala logo. Não esconde nada de mim.

Ela suspira, ainda sem me encarar.

— É que... William... Se ele não quisesse, não precisaria casar com você.

Franzo o cenho.

— Quê? Me explica isso direito.

— O Mário disse que, se ele não quisesse, não precisaria casar. Mas, se não casasse, não receberia um centavo do dinheiro do pai e também não ocuparia o cargo de chefe da máfia... Mas, por favor, não surta nem tire satisfação com ele! Se não, eu tô frita!

Solto uma risada sem humor.

— Tudo bem... Isso já era de se esperar, né? Pra que surtar? O desastre já foi feito.

Depois do café, caminhamos pelo jardim, conversando sobre coisas aleatórias.

— Que tal fazermos um tour pela sua nova casa? — Lídia sugere, animada.

— Eu topo! Você vai ser minha guia turística — digo, segurando seu braço.

Ela me mostra cada canto da casa e explica os lugares onde não podemos entrar: dois quartos. O motivo? Nem ela sabe.

O único lugar que não entramos, além dos quartos proibidos, foi o do William. E eu também não sei o porquê.

O último lugar da visita é a garagem, que é enorme — cabe uns vinte carros! Logo percebo que o meu carro não está entre os demais, mas não pergunto nada para a Lídia.

Depois, vamos para a cozinha, e ela diz que, por ser meu primeiro dia na casa, eu posso escolher o almoço.

— Ok, senhora — a empregada responde depois que decido o menu.

Lídia vai para o quarto e fica lá por um tempão. Aproveito para ajudar Lurdes e Tiffany a preparar o almoço.

— Pode deixar que eu corto, Lurdes — digo, ao ouvir ela mandar Tiffany cortar cebola, tomate, pimentão e salsinha.

— Não, senhora! Esse trabalho não é seu.

— Ah, que isso! Deixa eu ajudar, sou ótima na cozinha — respondo, pegando um avental.

— Ma—

A interrompo.

— Nada de “mas”!

Pego uma faca e começo a ajudar.

Depois de um bom tempo, termino de ajudar as meninas, lavo as mãos e, ao sair da cozinha, pego uma xícara de chá para a Lídia, que estava no balcão de mármore. Mas, ao sair, esbarro em William e derramo todo o chá nele.

— Ops! Desculpa, eu não queria — digo, tentando limpar sua camisa molhada.

— Que merda, hein? O que você ia fazer com essa droga de chá?

Cruzo os braços.

— Bom, essa “droga de chá” era pra Lídia, mas agora tá toda em você.

Coloco a xícara no balcão.

— Lurdes, ainda tem chá?

— Sim, senhora.

— Então faz um favor e leva um pouco para a Lídia. Ela não tá muito bem.

Lurdes assente e sai.

— E eu vou tirar essa camisa — William diz, irritado.

— Bem feito — resmungo baixinho.

Ele para e me encara.

— Disse alguma coisa, girassol?

— Você não vai parar de me chamar assim?

— Infelizmente, não. Eu gostei de te chamar assim.

Reviro os olhos e dou de ombros.

Ele sai, e eu limpo a bagunça no chão antes de subir para ver como a Lídia está.

— Oi — digo, entrando no quarto dela.

— Oi.

— Tá melhor?

— Sim, obrigada pelo chá.

— Então levanta dessa cama, o almoço tá na mesa!

Descemos e encontramos William e Bernardo já se servindo.

Enquanto comemos, percebo que Lídia está apenas encarando a comida.

— Lídia, você tá bem?

Ela faz uma careta.

— Não... O que você colocou nessa comida? O cheiro tá horrível!

Ela se levanta e corre para o banheiro.

— Mas tá tão gostoso, né? — pergunto aos meninos, que concordam com a cabeça.

Depois do almoço, William e Bernardo voltam para a sede, e eu vou atrás da Lídia.

— Lídia, você não tá bem.

Ela insiste que está.

— O que você acha que eu tenho?

Cruzo os braços.

— Bom... Sua menstruação tá atrasada?

— Credo, Hannah! Que pergunta é essa?

— Tá ou não tá?

Ela suspira.

— Agora que você falou... Tá sim, umas duas semanas.

Sorrio.

— Então tá óbvio.

— O quê?

— Eu tenho certeza de que você está grávida.

Lídia arregala os olhos e começa a rir — mas é de desespero.

— Será, Hannah?

REVISADO ✅

Casei com um mafioso Onde histórias criam vida. Descubra agora