Capítulo 52

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~Wiliam

Ainda sem acreditar no que a Hannah fez...

Eu e os meninos estamos do lado de fora do local indicado pela mulher.
Damos de cara com dois homens caídos na entrada.

Não pode ser... foi a Hannah quem fez isso?

Lá dentro, o alarme dispara e o portão principal começa a se fechar lentamente.
Uma voz ecoa de dentro:

> — O local irá explodir em instantes.

Será que a Hannah ainda está aí dentro?!

— Vamos entrar! — digo com firmeza.
Os meninos me olham, assustados.

— O que estão esperando? — pergunto, impaciente.

— Você tá louco? Se entrarmos aí, vamos sair mortos! — diz Bernardo, segurando meu braço.

Antes que eu possa responder, ouvimos um grito vindo lá de dentro:

— SOCORRO!!!

É a Hannah.

E então…
O local explode.

— NÃO!!! — grito, sentindo meu mundo ruir.

Meus olhos ardem, meu coração aperta, minhas pernas falham e eu caio de joelhos no chão.
Fico ali, olhando as chamas engolirem tudo.
As lágrimas descem sem controle.
A dor que estou sentindo... é insuportável.
É como se minha alma estivesse sendo arrancada.

De repente, ouvimos um choro de bebê.

É Lavine.

Os meninos correm na direção do som.
Ela está a alguns metros da explosão, sozinha… sem a Hannah.

Será que ela a jogou para longe antes da explosão?
Ou as duas foram separadas durante a confusão?

Lavine tem alguns arranhões, mas está viva.
Chorando muito.

A pego no colo e a abraço com força.

— Ainda bem que você tá aqui, minha princesa... — sussurro.
Quando ouve minha voz, ela para de chorar.

Mas...
Cadê a Hannah?

Ela tem que estar por aqui.
Ela não pode ter ficado lá dentro.

Entrego Lavine a Felipe.

— Leva ela ao hospital. Quando tudo estiver certo, leva pra casa e deixa com as meninas. Elas vão cuidar bem da nossa pequena.

Bernardo me encara com um olhar sério.

— William... procuramos por toda parte. Ela não está aqui fora. Se estivesse, já teríamos encontrado. Ou ela saiu por conta própria... ou ficou lá dentro.

— A Hannah nunca deixaria Lavine e iria embora... — falo, com a voz falhando. — Se ela ficou lá, ela... ela pode estar morta. Minha esposa não pode estar morta...

— Não poderemos entrar agora. Precisamos esperar os bombeiros e o resgate. Se ela estiver lá, vamos encontrar o corpo. — ele diz, com pesar.

Eu engulo o choro. Não aceito isso.

Voltamos pra casa.

— Encontraram ela? — perguntam as meninas, aflitas.

— Ainda não… — responde Bernardo, e eu subo direto pro quarto da Lavine.

Ela dorme tranquila.

Me sento ao lado e acaricio seu rosto.

— Sua mãe não pode ter morrido, meu amor... mas se morreu, foi como uma heroína. Ela deu a vida dela por você. Pra mostrar o quanto te ama.

Mas eu recuso aceitar.
Não vou esperar até amanhã.
Eu vou trazê-la de volta.

— Aonde você vai?! — pergunta Bernardo, ao me ver saindo apressado.

— Buscar minha esposa. E ninguém vem atrás de mim.

---

Volto ao local da explosão.

Mesmo destruído, ainda há partes acessíveis.

Entro sem hesitar.

Passo por salas com corpos. Muitos não morreram pela explosão.
Foram mortos antes.

Eu sabia. Sempre soube que Hannah é foda.

Mais à frente, vejo um corpo caído.

Corro até ele.

É ela.

— Meu amor... — sussurro, com a voz trêmula. — Eu vou te tirar daqui.

Ela está gravemente ferida.
Mas está viva.

A pego nos braços e a levo ao hospital.
Os médicos correm para atendê-la.

Logo, todos chegam.

— Familiares da senhora Hannah Parker? — pergunta o médico.

— Nós — respondemos.

— Conseguimos estabilizá-la, mas... ela está com dificuldade para respirar e entrou em coma.
Não sabemos por quanto tempo. Pode levar dias... semanas... meses… até anos. — ele diz, antes de se retirar.

Entro no quarto.
Minha mulher está conectada a dezenas de aparelhos.
Quase não consigo reconhecê-la.

— Meu amor… volta pra gente… Eu e Lavine precisamos de você.
Ela vai sentir falta do seu colo, do seu cheiro, da sua voz.
Eu também... mas ela é só um bebê.
Ela precisa de você.

Pego a mão dela, esperando uma reação… qualquer coisa.

As meninas entram e se sentam ao lado da cama.

— Hannah, amiga… volta pra gente… volta pra Lavine. Ela precisa de você, sua filhinha que você ama tanto.
Quem vai animar nossas saídas? Quem vai cantar alto no carro como uma doida?
Quem vai brigar com as crianças quando estiverem estressadas?
Elas vão sentir sua falta, amiga. Por favor, não morre... — diz Micaela, chorando.

— A Micaela tem razão. Se você morrer, nossa vida nunca mais vai ser a mesma.
Principalmente da sua filha…
Infelizmente ela puxou a cara do William (risos fracos entre as lágrimas), mas tem traços seus.
Hannah… não morre, por favor... — completa Lídia, aos prantos.

Os meninos entram.

— A Hannah é uma mulher muito forte.
Arriscou a própria vida pra salvar a filha.
Ela é uma heroína, irmão. — diz Bernardo.

— O mundo é pequeno pra ela… — respondo.

— Ela vai sair dessa, William. A Hannah é forte. — diz Felipe.

— Sim. Ela vai. — afirmo com convicção.

Lídia se aproxima.

— Voltem pra casa. As crianças precisam de vocês.
Nós vamos ficar com a Hannah essa noite.
Cuida da Lavine, William. Agora, mais do que nunca, ela precisa de você.

Sem chance de resposta, ela volta para o lado da Hannah.

Voltamos pra casa.

As crianças dormem.
Pego Lavine no colo e a levo para o nosso quarto.

Minha princesa vai dormir comigo.

Dou um banho, pego ela no colo, dou um cheirinho no seu pescocinho...
E adormeço com ela nos braços.

Casei com um mafioso Onde histórias criam vida. Descubra agora