Capítulo XXI - Casos

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Mamãe, acho que estou com medo Malu entra no quarto das mães.

— Medo? Do que você está com medo? — Soraya responde mais baixo para não acordar Simone.

— Dos trovões, são altos e eu sempre acho que vão me acertar.

— Venha aqui, filha — Malu caminha até a mãe que estava de braços estendidos.

— Posso dormir com vocês? — ela pergunta abraçada a Soraya.

— Pode, anjinho. Claro que pode — Soraya beija a testa da filha. — Os trovões são altos, mas não vão te acertar. Sempre que tiver medo, venha para a mamãe.

— Que falatório é esse, Soraya? — Simone diz deixando de abraçar a esposa e virando para o lado.

— Malu está com medo dos trovões.

— Está tudo bem, Malu — Simone volta a dormir.

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— Hoje não tenho aulas para dar, quer ficar de bobeira na cama comigo? — Simone sorri ao ver a loira despertar.

— Não posso, tenho hora marcada com uma cliente — ela diz ajeitando o cabelo.

Simone ficou chateada, mas entendeu.

— Tudo bem, então. Vou para casa — a morena beija a testa de Soraya e se levanta.

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--Soraya--

Amor, abre aqui para mim. 19:23

Já vou. 19:24

Simone abre a porta de sua casa para Soraya.

— Amor, eu tenho uma coisa para te contar, senta! — entro na casa rapidamente.

— Não me diz que está grávida que eu te mato — Simone ri nervosa.

— Por quê? — perguntei sem ter entendido.

— Porque eu não te engravidei, né?! — rimos.

— Sim, senta — ela se senta no sofá.

— Simone, eu peguei um caso, é de uma amiga minha. É sobre inclusão em sala de aula, a filha dela tem necessidades especiais e não está tendo o acompanhamento que precisa e que tem direito na escola, ela devia ter uma profissional para incluí-la e não tem. Entrei com uma liminar e aceitaram, mas em cinco dias não fizeram nada, reclamei e fui atrás, mandaram uma estagiária, uma adolescente sem formação alguma para acompanhar aquela menina — falei andando de um lado para o outro na frente dela.

— Lá vem você se metendo com coisas que te trazem problemas de novo... Onde quer chegar com isso, Soraya? — Simone diz com impaciência.

— Calma, mulher! — mostro as palmas para que ela escute sem me interromper. — Pedi a prisão do prefeito. Aí ele cumpriu, mandou uma professora capacitada para acompanhar a criança. Desde que entrei para o escritório, venho defendendo essas causas de inclusão. E eu estou pensando em aceitar uma proposta que me fizeram.

— Lá vem — ela passa as mãos no cabelo.

— O União Brasil me chamou para ser candidata à senadora esse ano — digo sorrindo.

— Não — ela disse seca cruzando os braços.

— O quê? Você ouviu o que eu disse? Simone, eu vivo reclamando desse país, dos escândalos de corrupção do governo, sou ativista tanto na rua quanto nas redes sociais, sinto que não estou fazendo nada para melhorar esse país. Cansei de reclamar, eu quero ir fazer o que é certo — a encarei.

ELAHistórias para pegar e não largar. Descubra agora