Capítulo 48

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- Simples, eu sou o seu pai! A puta da sua mãe tentou te esconder de mim, mas graças a ingenuidade dessa falsa bomba relógio eu encontrei você. - o homem desconhecido por mim fala com um péssimo sotaque enquanto olha para Francis; ele para por alguns instantes e volta a falar.

- Foi muito fácil encontrar a vossa mãe. Uma pena ser tão interesseira, bastou um falso cheque para que ela pudesse aturar o filhinho por alguns meses. Espero que tenham se divertido enquanto puderam. - ele caminha em passos bruscos até mim para segurar meu braço.

Mas antes que ele pudesse me tocar, Francis avança contra ele o empurrando para longe.

- Se afaste. O que você quer? - o gêmeo de cabelo curto diz, mas logo ouço a voz do outro também.

- Dinheiro? - Nikolai pergunta se colocando ao lado do irmão. Me sinto perdida, eu mal consigo raciocinar o que pode estar acontecendo. A minha mãe me disse que meu pai estava no interior e depois ela sumiu. Agora esse homem afirma ser o meu pai, em quem eu devo acreditar? Por que a mãe dos gêmeos iria ajudar um homem que aparentemente odeia seus filhos? Sinto a minha cabeça rodar com todos esses pensamentos, dou alguns passos para trás para tentar achar alguma parede, mas em vão.

- Vocês roubaram muito de mim. Eu perdi a minha fama, perdi os meus capangas, eu perdi o título de maior mafioso da Rússia! Eu não darei a vocês o gostinho de roubar a minha filha também, mesmo que ela seja uma vadia como a mãe dela. - ele destrava a arma e aponta ela para um dos homens que me protegia.

- Eu não sou sua filha! - grito quando sou atingida por um pico de coragem. Passo pelo espaço entre os meus namorados e me coloco frente a arma.

- Sim, você é. Sua mãe era uma vagabunda barata, conseguiu engravidar na primeira vez que paguei para tê-la! Dei a ela um bom dinheiro para que sumisse e fizesse o que bem quisesse com você. Achei que ela tivesse abortado ou abandonado você em algum orfanato qualquer. Eu não sei como ela conseguiu o meu número, mas entrou em contato para pedir dinheiro e jogou na minha cara sobre como a minha filha estava bem de vida, vivendo com os gêmeos mais bem sucedidos da região. Foi aí que planejei cautelosamente como poderia roubar você desses idiotas. - ele cospe e volta a falar.

- Fui tolo por pensar que você sentiria ciúmes de meras fotos. Por não conhecer Charlotte, você não poderia saber que ela era a mãe desses imbecis. Eu te dou o poder da escolha, Angeline. Venha comigo e eu não os mato. Se lutar contra isso, irei tomar medidas drásticas.

- Não! Você não é o meu pai. Onde você estava? - pergunto enquanto caminho até a arma. Ouço a voz do Nikolai me chamar mas ignoro, voltando a falar enquanto dou passos lentos.

- Onde você estava quando a minha mãe se agarrava com homens estranhos pela casa? Ou quando eu aprendi a andar de bicicleta sozinha? Onde você estava quando a minha mãe me convencia a me relacionar com um homem que tinha mais idade do que você, simplesmente por dinheiro? Onde você estava quando eu fui estuprada? Quando fui humilhada? Eu fui espancada sozinha! Eu fiquei jogada lá, sozinha até que pude receber socorro. Fiquei dois dias em um hospital esperando que alguém entrasse pela porta morrendo de preocupação. Onde você estava? Onde estava quando ninguém quis se responsabilizar por uma menina? Onde você estava quando eu fui tratada com indigente? - eu chego próximo a arma e a seguro, colocando-a encostada no meu peito.

- Se quer matar alguém, mate a mim! - digo entre dentes, sentindo lágrimas rolarem pelo meu rosto e o meu coração acelerar como nunca antes.

- Não! - os gêmeos gritam ao mesmo tempo, tentando se aproximar cautelosamente. - Angeline, não faça isso. - eles pedem.

- Você não tem escolha, princesinha. Você irá comigo! - Grigorio fala e eu fecho meus olhos, segurando com força, tanto na sua mão quando na arma que apontava para meu coração.

- Me mate logo. - falo em um murmúrio e sinto um arrepio correr por toda a minha espinha. Meu estômago vibra e meu coração dói quando ouço um barulho de tiro. Abro meus olhos me perguntando se fui atingida, mas então vejo o meu pai com a mão no peito. Sua boca se abre um pouco antes que ele caia de joelhos.

- Dessa vez... ninguém fará mal a você. - minha mãe fala, saindo do escuro com uma pistola na mão. Eu posso ver sua mão trêmula, mas ela logo solta a arma e leva as mãos para a boca.

- M-mãe? O que você fez? - dou passos descontrolados para trás até que sinto minhas costas se chocarem com um corpo alto. Me viro rapidamente vendo Francis, ele segura meus ombros me mantendo de pé. Não me lembro de muita coisa, apenas de ouvir sua voz me chamando e ir sumindo, conforme minha visão ia escurecendo.

~•~
Continua... Comentem o que estão achando, babes. 💛

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