É Halloween! - parte 1

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Naquela sexta-feira, Louis passou pela porta principal da escola de Maisie exatamente às 14h03min.

E ele viu Harry, na outra ponta do corredor, saindo do banheiro, exatamente às 14h04min. Os olhos verdes e azuis se encontraram apenas com milésimos de segundos, porque com eles sempre houve isso: mesmo em uma multidão, mesmo em lados opostos, os olhos deles sempre seriam os primeiros a se encontrarem no meio de tudo.

Apesar disso, esse encontro acabou rápido, e cada um deles seguiu seu caminho pelo corredor. A única parte ruim de toda essa situação foi que o caminho deles terminou exatamente no mesmo ponto: em frente a porta da sala da diretora.

Os dois se encararam mais uma vez, suspirando ao mesmo tempo, e se sentaram nas cadeiras de metal coloridas em frente à porta - obviamente, com uma cadeira entre eles para mantê-los separados.

- Seu filho fez outra criança quebrar o braço? - Louis perguntou, quando o silêncio se tornou insuportável (pelo menos para ele).

- Engraçado. - Harry disse, com os olhos ainda focados na parede em frente, sem nem cogitar, por um segundo sequer, em encarar Louis - Sua filha já parou de puxar o cabelo das amigas?

- Foi uma vez!

- E o Theo não quebrou o braço de ninguém!

- Não foi ele quem empurrou o garoto?

- Não, o garoto tropeçou.

- Harry, você sabe que não é legal mentir.

- Eu não estou mentindo! - Harry exclamou, finalmente se virando para Louis, que encarava o teto como se não houvesse ninguém falando com ele. - Eu não minto, não sou igual a você.

E então, essa foi a gota d'água.

- O que foi que você disse? - Louis perguntou, falando cada palavra devagar, tentando realmente se segurar para não explodir.

- Você ouviu.

- Não tem coragem de repetir?

- Está me perguntando se eu não tenho coragem de dizer que você é um mentiroso? Tenho sim: você é um mentiroso.

- Eu nunca menti pra você, Harry!

- Omitir também é mentir.

- Eu nunca omiti nada.

Harry deu uma risada baixa, mas um tanto quanto cínica, e então encarou Louis, com aquelas duas pedras de gelo que ele chamava de olhos.

- Louis, você sabe que não é legal mentir.

- Vai á merda!

- Senhores! - a voz da diretora Brown se sobressaiu à pequena discussão que se inflamava ali naquele corredor e os dois pares de olhos, verdes e azuis, se desgrudaram após alguns segundos para finalmente encarar a mulher de terninho marrom que estava parada na porta da sua sala, segurando a mão de Maisie e a mão de Theo. - Tudo bem por aqui?

- Tudo ótimo. - Louis e Harry responderam juntos, o que apenas os irritou mais, porque logo em seguida os dois reviraram os olhos ao mesmo tempo.

- Eles estavam brigando. - Theo disse, parecendo até mesmo cansado - Fazem isso o dia todo.

- Você chamou o H da palavra com I de novo, papai? - Maisie perguntou, franzindo o cenho e ficando estranhamente parecida com Louis. - Você sabe que não é legal.

- É lógico que não chamei, amor. - Louis disse, sorrindo para a filha - Não uso essa palavra mais.

- Bom, eu vou levar Maisie e Theo para a sala de aula e já volto para conversar com vocês. - a diretora disse.

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