É Halloween! - parte 2

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Era apenas a quarta casa em que as crianças pediam doces, mas Harry já não aguentava mais.

Honestamente, ele não sabia porque estava se sentindo desse jeito, já que sempre amou Halloween, ainda mais depois de ter filho, mas tudo sobre aqueles últimos minutos estavam o deixando angustiado, com aquele vontade forte de apenas correr de volta para casa.

Ainda assim, ele continuou rindo das fantasias das crianças da vizinhança que passavam por eles e manteve a postura educada do bom pai que era quando outras mães, pais e tias que moravam por perto vinham comentar sobre sua "fantasia inusitada" - obviamente ter colocado um lençol com dois furos para os olhos sobre o corpo só deixou de ser a coisa mais comum do mundo e passou a ser inusitada quando repararam que ele e Louis, os vizinhos que se odiavam, estavam usando a mesma coisa.

- Eu estou vestida de urso e só recebi dois elogios. - Lisa comentou, enquanto eles esperavam da calçada Maisie e Theo pedirem doces na casa dos Aberforth - Vocês colocaram dois lençóis velhos na cabeça e são a atração da rua! Da próxima vez, não vou me esforçar.

Louis riu e Harry apenas deu um sorriso, mesmo que ninguém pudesse vê-lo.

- Só estão nos elogiando tanto porque sabem que a gente... não se dá exatamente bem. - o de olhos azuis disse, olhando de canto para Harry, apesar do de olhos verdes não ter percebido nada, já que estava muito focado observando Theo pegar duas barras de chocolate de dentro de uma cestinha em formato de abóbora.

As crianças voltaram correndo e passaram pelos pais como se nem mesmo os conhecessem, já entrando direto na casa ao lado, dos Watson.

- Vocês continuam nessa então? - Lisa perguntou, andando entre Louis e Harry até o quintal ao lado, onde Maisie e Theo já estavam tocando a campainha.

- A gente só não se dá bem. - Harry falou - Acontece com todo mundo. Mas infelizmente ele resolveu comprar a casa ao lado da minha e por isso a gente tem que lidar com a cara um do outro todos os dias.

- Lidar com a sua cara todos os dias realmente não me faz nada bem. - Louis respondeu. - Ainda mais sabendo que eu comprei a casa com o terreno menor, já que você está roubando um metro do meu espaço com a sua cerca.

- Você realmente quer começar com isso? - Harry o encarou, colocando as mãos na cintura por baixo do lençol. - Porque eu posso começar também. Talvez eu deva começar falando do dia em que o seu namoradinho estava gemendo tão alto que eu tive que ir bater na sua janela.

- O quê?! - Lisa exclamou, confusa, mas parecia querer rir - Louis, não me diga que a minha filha estava no quarto ao lado ouvindo essas coisas.

- É lógico que não. - Louis respondeu, revirando os olhos - Eu estava sozinho em casa e aquele cara não é meu namoradinho. Não sou igual a você.

- O que isso quer dizer exatamente? - Harry perguntou.

Louis abriu a boca para responder, mas então Maisie e Theo voltaram para perto deles, com mais doces dentro de suas bolsas do que conseguiam contar.

- Eu estou muito feliz. - Theo disse, tirando quatro barras de chocolate da bolsa para mostrar ao pai - Olha isso! Vou comer chocolate pra sempre!

- Você deixa ele comer chocolate sempre? - Maisie perguntou, encarando Harry como se ele fosse um mágico que havia acabado de transformar um coelho em um pássaro.

- Não. - Harry respondeu - Só nos finais de semana.

- Ah. - Maisie disse, agora desanimada - Eu queria poder comer chocolate pra sempre.

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