Memórias de Adam
Acordei cedo, tomei café da manhã e fiz uma caminhada. Em todo o trajeto só pensava em Serenity.
Estava ansioso demais para encontrá-la. Decidi passar no shopping para comprar alguns agasalhos.
Será que se eu desse um presente para ela, ela aceitaria?
Queria comprar uns casacos quentinhos, esse inverno está muito rigoroso.
Entrei em uma loja onde vendia tricô, uma cor mais linda que a outra. Eu só uso preto, branco e cinza há muito tempo. Decidi colocar mais cor em minha vida, comprei alguns moletons e tricô.
Comprei pra Serenity também, a vendedora disse ser tenho único, então dará nela. Espero que não se ofenda.
Após almoçar no restaurante do prédio, subi e fui tomar banho pra me encontrar com Serenity.
Estou me sentindo um menino de dezoito anos, minhas mãos estão suando frio e tenho a sensação de ter borboletas no meu estômago.
Nunca tive tanta indecisão pra escolher uma roupa, não queria algo muito formal.
Estava em dúvida se vestia o conjunto de moletom azul marinho ou o casaco de tricô branco de gola alta e calça jeans claro. Optei pela segunda opção e coloquei um sobretudo verde militar por cima e calcei um all star branco.
Dispensei Carlos hoje, já que era meu dia de folga. Eu mesmo iria dirigir ao encontro de Serenity, saí de casa por volta de meio dia. Não queria deixá-la esperando, daria tempo de chegar no horário já que a empresa que ela trabalhava ficava há uma hora da minha casa.
Peguei minha Range Rover, era o mais discreto que eu tinha, uma Evoque prata.
É estranho dirigir depois de um tempo sendo carregado para lá e para cá. Hoje me dei conta de quanto tempo eu perdi me isolando do mundo. Há um ano não saio, não comemoro, não sorrio direito. Há um ano não dirijo. Voltar a dirigir me trouxe lembranças boas, de quando eu levava meus pais para passear na praia.
Eles eram tão unidos, transmitia tanto amor.
Minha mãe descobriu uma metástase no seio e logo se alojou na medula óssea. Foram dias difíceis, até ela não aguentar mais a dor e se entregar. Meu pai definhou junto com ela, apesar dele não estar com a doença, ele não queria viver em um mundo onde ela não estivesse.
Enterrei minha mãe em um dia e o meu pai no outro. Após chegarmos do enterro dela, ele deitou para dormir e não acordou mais, deu um infarto fulminante.
Pensei que não conseguiria viver após aquilo. Foram dias cinzentos e eu não quis ver ninguém.
Não aceitava que pessoas boas pudessem partir.
Me isolei de tudo, até que foi fácil, pois não tínhamos muitas pessoas chegadas.
Só quem ficou foi Carlos, mesmo eu dizendo que não queria ver ninguém, ele sempre me visitou.
Muitas vezes levou comida para mim e me forçou a comer.
Sou muito grato a ele por não ter me deixado desistir.
Inclusive foi ele que me levou no psiquiatra quando entrei em uma depressão. Os remédios me ajudavam muito no começo, mas com o tempo os efeitos sumiram. Não quis voltar ao médico para ajustar a dose, então comecei a trabalhar minha mente. Só teria que vê como iria conseguir dormir.
Voltei a fazer caminhadas e decidi sair pra pelo menos tomar café na rua.
Quem diria que eu ia encontrar a Serenity no meu segundo dia naquela cafeteria...
Serenity me fez ter vontade de voltar a viver, a sua voz e o seu sorriso aqueceram o meu coração de uma forma mágica.
Só espero que eu não a assuste, pois estou me entregando muito rápido e estou deixando isso bem claro. Se for preciso vou dizer a ela com todas as letras que eu preciso dela na minha vida. Aprendi que a vida é curta demais, não podemos perder tempo.
Já me imagino ao seu lado cuidando e amando, assim como meu pai fazia com a minha mãe.
Sempre os tive como um casal modelo que eu queria seguir.
Estacionei o carro e fiquei lá esperando ela sair. Ainda tinha uma hora de espera, para mim parecia que os ponteiros se arrastavam. A ansiedade me tomou de uma forma que eu não sei explicar, minha vontade era descer do carro ir ao encontro dela dentro da fábrica.
Me distrai lendo algumas reportagens na internet, quando me dei conta faltavam dez minutos para ela sair.
Desci do carro e fui caminhando em direção a fábrica, algumas pessoas começaram a sair.
Para minha não surpresa, ela foi a última a sair. Estava acompanhada de um senhor bem idoso, seria ele o dono da fábrica?
- Olá, boa tarde. - Estendi a mão para o senhorzinho, após ele apertar a minha mão comprimentei também Serenity.
- Senhor Jonas, esse é o Adam. Ele é quem comprou todos os produtos ontem. Inclusive a mochila. - Ela sorriu pra mim enquanto falava.
- Meu filho, muito obrigado. Deixa eu te perguntar, quanto que você pagou na mochila? - Serenity fez uma cara por trás do senhor Jonas, como se não quisesse que eu falasse o valor.
- Paguei um valor justo. - Sorri pra ela, que respirou aliviada.
- Ela não quer que eu a pague o valor da mochila, também não quer a comissão pela venda. - Sua voz era fraca e suas mãos trêmulas.
- Entendo... Então como foi eu que quis comprar a mochila, prometo comprar outra para ela. Pode ser assim Serenity? - Olhei para ela.
- Sim, pode sim! Muito obrigada.
- Mas ainda assim, não está justo. - Disse senhor Jonas olhando pra ela. - Sr. Adam, essa menina tem um coração enorme, ela não pensa nela. Sempre sabe como agradar os outros.
Mas eu tenho muito dó dela, pois vive uma vida solitária.
Ela não tem amigos, não tem irmãos. Foi criada pela meus amigos, seus avós. Sua mãe morreu na sala de cirurgia, após ela nascer. O pai nunca quis saber dela.
Após a morte de seus avós, ela se agarrou a esse velho doente, desde então tem cuidado de mim.
Eu me sinto um fardo, pois ela está desperdiçando sua juventude pra cuidar de mim.
- Não fala isso senhor Jonas! - Ela pegou em sua mão. - Eu não esqueço o que o senhor fez pelos meus avós e por mim. Adam, ele pagou meus estudos. Meus avós não tinham condições, ele e sua esposa me adotaram como sua neta.
Se hoje tenho uma profissão é graças a eles.
- Entendo... - Meu coração se enchia de orgulho, por ter encontrado pessoas tão generosas assim. - Então Sr.Jonas, a partir de hoje eu vou adota-lo como meu avô também, o senhor me permite?
- Ahm...? - Ele me olhou com os olhos arregalados.
- E tudo que eu puder fazer pelo o Sr. eu farei. Começarei pela sua saúde, vou pedir um dos meus funcionários pra vir aqui levar o Sr. ao médico, não se preocupe vai ser tudo por minha conta. Se o senhor quiser, Serenity pode apanha-lo. E se caso precisar de algo, Serenity me avisará. - Serenity abraçou ele e os dois começaram a chorar.
- Ele aceita. - Ela soltou sr. Jonas e limpou o rosto com as costas das mãos. Andou em minha direção e me deu um abraço muito apertado, isso me pegou de surpresa, nunca tive pessoas tão próximas a mim.
Meus braços ficaram caídos por um tempo e eu não sabia o que fazer, decidi reagir e abraça-la de volta.
- Desculpe, fui pego de surpresa. - Abaixei um pouco a cabeça pra falar em seu ouvido.
- Sem problemas! - Ela ficou um tempo abraçada a mim e quando soltou, me deu um beijo no rosto. Isso fez meu rosto corar. - Agradeço por ter te conhecido. - Ela olhou em meus olhos e sorriu.
- Desculpe essa mocinha, ela é muito espontânea. Mas é muito verdadeira e gentil. - Disse Sr. Jonas.
- Ah, é. Deu pra vê. - Sorri sem graça. - Mas eu gosto de pessoas assim, não gosto de formalidades.
- Então vocês vão ser dar muito bem. Agora vou entrar, se agasalhem. Não cheguem muito tarde em casa. Cuidem bem um do outro. - Ela correu na direção dele e deu um beijo em sua testa.
- Se cuida, deixei a sopa quentinha no fogão. Vou ligar pra saber se comeu e tomou os remédios.
- Não se preocupe, vá se divertir.
Nos despedimos dele e entramos no carro.
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Sunshine
RomanceSunshine, uma criança de família rica que passou muitas coisas até chegar a fase adulta. Após a morte de seus pais, ela teve que dar duro pra não desistir de seus sonhos e de sua felicidades. Venha se apaixonar por essa linda história.
