Quatorze

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Maria Luiza point of view

...


Acordo vendo que estou sozinha no quarto do hospital. Hoje é segunda-feira passei o domingo aqui no hospital junto com Amanda e Letícia, às duas não me deixaram sozinhas um minuto.
As meninas ficaram comigo a manhã de hoje toda comigo mas cada uma precisou ir para o seu clube treinar, aproveitei que estava sozinha e dormi, acordando só agora a tarde.

Médico: Boa tarde- fala entrando no quarto me dando um susto.

Eu: Boa tarde- respondo tentando dar um sorriso.

Médico: Olha, já tá com uma aparência melhor- fala olhando em meus olhos- Não vou te prender mais aqui dona Malu- fala em um tom divertido me arrancando um sorriso- Tá liberada pra ir pra casa, e tenta se controlar pra não fazer esse coraçãozinho parar hein?- fala e eu afirmo com a cabeça.

Eu: Obrigada por tudo- respondo dando um abraço nele.

Ele sai do quarto me deixando sozinha novamente. Pego meu celular vendo que horas eram, nem perto do treino da Letícia ou da Gutierres ter acabado.
Chamo um Uber e saio do quarto, logo saindo para fora do hospital. A que ponto eu fui chegar?

Alguns bons minutos depois o Uber chega me levando para casa finalmente.
O mesmo me deixa em frente à minha casa e pago o moço em seguida saindo do carro. Me agacho em frente ao portão da minha casa e procuro no enorme vaso a onde tem uma chave extra do portão e outra da casa.

Bia: Luiza- fala me dando um susto.

Eu juro que não vai demorar muito pra mim ir com Deus.

Continuo procurando a chave ignorando totalmente o fato de que Beatriz está parada igual um poste atrás de mim.

Bia: Eu guardei a tua chave aquele dia- fala e me obrigo a ficar de frente para ela- Olha, eu juro que não foi minha intenção falar pra Ary que você tinha saído com a Letícia- fala citando o mesmo assunto novamente.

Eu: Eu não quero saber!- digo a cortando- A merda já foi feita, conseguiu me destruir, tá feliz? Tá de parabéns porque por mais que eu tenha um ódio gigantesco por você, eu não faria isso se estivesse no seu lugar- falo olhando em seus olhos e vejo que ela parecia realmente estar arrependida.

Bia: Eu falei sem perceber, não era minha intenção, aí a Ary surtou eu tentei falar que eu me confundi mas ela já sabia que era verdade- ela vai falando e vou sentindo uma tontura- Luiza? Tá bem?- pergunta e me seguro na parede do portão- Maria Luiza, você tá passando mal de novo- fala e me pega no colo.

Eu: Me coloca no chão!- falo com a voz fraca.

Bia: Você não tá conseguindo se manter em pé!- fala abrindo a porta da minha casa e subindo as escadas comigo em seguida.

Pai amado que ódio.

A mesma me deita na cama com cuidado e tento regular minha respiração o mais rápido possível.

Eu: Sai da minha casa!- falo quando consigo regular a respiração.

Bia: Não eu não vou sair daqui, você tá passando mal e ainda tá sozinha- fala e bufo com o pouco ar que tinha em meus pulmões- Eu vou avisar a Ary- fala pegando o celular dela no bolso.

Eu: NÃO- falo rápido e alto- Liga pro capeta mas não liga pra ela- falo e ela desliga o celular.

Bia: Então eu vou ficar aqui!- fala e reviro os olhos.

Eu: Eu tô incrivelmente bem, não precisa você incomodar aqui pode voltar pra tua casa antes que eu decida resolver o teu problema com fofoca- falo e vejo ela puxar a cadeira da minha escrivaninha e se sentar.

Que audácia.

Eu: Não mandei você sentar!- falo e ela ignora o que eu disse- Agora é serio- falo chamando a atenção dela- Vai pra tua casa e aproveita que hoje eu não vou ligar meu som!- falo e ela revira os olhos.

Bia: Você não entendeu que eu não vou sair daqui?- pergunta e eu bufo no mesmo instante- Para de ser rebelde, vamos tentar nos resolver?- pergunta com a voz calma.

Eu: Não começa a me dar sermão ou o caralho que for porque eu vou começar a chorar se eu começar a chorar eu vou começar a ficar sem ar, se eu ficar sem ar vou começar a ficar com tik de ansiedade, se eu ficar com tik de ansiedade eu tenho grandes probabilidades de morrer infartada- falo explicando e ela solta um riso leve.

Bia: Eu só quero que você me desculpe- fala me olhando sério.

Eu: Não eu não vou te desculpar, você tem noção de que eu tô sozinha? Meus pais não vão me perdoar tão cedo, mas eu vou parar de me vitimizar, porque a culpa é toda minha realmente, você só facilitou o serviço- falo concluindo.

Bia: Não fala assim, você não é sozinha, seus pais vão te perdoar logo, você tem várias amigas e tem a Ary- ela fala calma.

Eu: Eu não sei se eu quero me reaproximar dos meus pais, talvez sem eles por perto eu consiga viver melhor, e a Ariadina infelizmente eu vou ter que ver ela todo dia porque eu não posso mudar de trabalho- falo e vejo ela negando com a cabeça.

Bia: Relaxa, as coisas vão melhorar só ter paciência.

Eu: Mas eu não tenho mais paciência, eu sou tratada como um animal preso em uma gaiola, todo mundo me controla menos eu- falo me sentando na cama.

Bia: Eu sinto muito, você é uma boa pessoa só te colocaram em um papel de vilã- fala se sentando mais perto de mim na cama- Dorme e descansa- fala me deitando com delicadeza.

Eu: Amanhã eu vou voltar a te odiar normalmente, não vá pensar que eu vou ser boazinha só porque você ficou aqui comigo!- falo fechando os olhos.

Bia: Não se preocupe o ódio é recíproco, diabinha- fala e posso jurar que ela deu aquele sorriso de canto que só ela tem.

Ignorando suas últimas palavras acabo pegando no sono em poucos minutos.

...


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