um jantar saboroso

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— Ah não, Jeongin, não tô acreditando que cê fez isso, mano. — Disse Seungmin, visivelmente irritado com o amigo. Ele observou o refratário de vidro, que continha o creme que ele preparara, com um ar de desagrado, como se tivessem acidentalmente respingado a tinta errada em sua obra de arte perfeita. Cruzou os braços, bufou e bateu os pés, emulando a postura de uma mãe irritada.

— Falei que sabia montar e montei, to nem aí se você não curtiu minha arte, pô. — Jeongin retrucou, também na bronca com Kim por agir como um chefe de cozinha dando a primeira chamada no funcionário por ter errado a pitada de sal ou trocado os pratos. Qual é? Foi um vacilo bobo, todo mundo ia comer aquilo e ver que estava uma maravilha, não tinha motivo pra fazer um drama como se o mundo fosse acabar. Parece que a síndrome de mãe que faz tempestade em copo d'água já tinha atingido Seungmin, que Deus abençoe os filhos desse cara, porque pensa num chato que fica enchendo o saco.

— O que tá rolando, gente? — Minho questionou, se aproximando do balcão onde Seungmin e Jeongin pareciam estar numa baita discussão. Quem sabe Jeongin tenha deixado cuecas molhadas no banheiro de novo, ou então resolveu abrir o quarto do Kim pra deitar com Chris e tirar o mais velho de um sonho maneiro. Não importava qual era a trama adolescente desse pivete, que nem era filho deles e tampouco tão adolescente assim, Seungmin sempre assumia o papel do pai chato e reclamão, enquanto Chris fazia todos os gostos de Jeongin. Logo atrás de Minho, vinha Han, segurando a mão do Lee e, na outra, o celular, que parecia ter algo bem interessante na tela brilhante, já que Han não desgrudava os olhos dela por nada. Mas, no final das contas, Minho continuava firme segurando sua mão, e isso já era suficiente.

— Ih, quem foi que botou isso pra fora? — Minho fez uma careta de nojo ao deparar com uma montoeira de coisa marrom, parecendo uma bola, na assadeira, e um líquido branco que mais lembrava vômito no refratário de vidro ao lado. A comida podia estar horrível, mas a expressão do Seungmin encarando o Jeongin estava, com certeza, ainda pior. Minho tinha certeza de que não foi o Kim que aprontou aquilo; ele era o mestre na cozinha, nunca dava bobeira. E, pra completar, tudo o que ele preparava não tinha cara de coisa ruim, então certamente não era obra dele.

— Eu tinha acabado de preparar a lasanha e decidi esperar um pouco antes de fazer os doces para ficar de chamego com meu macho. O Jeongin e o idiota do seu irmão, que nem sei e nem quero saber onde se meteu, se ofereceram para montar os doces, jurando que sabiam. Eu deixei, porque não parece difícil enrolar massa de bolo já pronta e mergulhar no creme de chocolate branco, mas esses idiotas fizeram, em vez de bolas, formato de bosta e ainda botaram mais creme de leite no meu brigadeiro branco, que agora tá mais semelhante à um vômito de tão talhado. — Seungmin desabafava com uma entonação irritada, enquanto Jeongin revirava os olhos a cada palavra, também de braços cruzados. Minho segurava a risada, junto a Jisung, que escutava tudo com a cara colada nas costas do Lee, tentando ao máximo esconder o riso. Seungmin estava tão puto que se mais alguém falasse qualquer coisa ao ponto de irritá-lo, ele cairia na porrada sem piedade alguma. Era bom para a paz de todos que Felix nem desse as caras lá, ou a mínima porcentagem de tranquilidade ainda existente no Kim iria embora igual homem quando descobre que engravidou ficante.

— Acho melhor você dar uma relaxada, Jeongin vai jogar essa nojeira no lixo e a gente vai jantar. Estamos no Brasil, país em crise, nenhuma família brasileira come sobremesa mais. — Minho disse, puxando Seungmin pelo braço para tirá-lo da cozinha e levando Jisung junto. Ao perceber que o amigo já se encaminhava para sentar ao lado de Chan na mesa de jantar ao ar livre, virou-se para Jeongin e notou um agradecimento silencioso, que foi respondido com um piscar de olhos. Jeongin era o queridinho do grupo de amigos, e sempre que podiam, o ajudavam em situações das quais ele provavelmente não conseguiria sair. Embora Kim fosse um pouco mais firme com Yang em alguns momentos, todos sabiam que ele faria qualquer coisa pelo mais novo. Cada um tinha sua maneira de demonstrar, o que tornava a amizade deles especial.

Lee ocupou a cadeira de madeira, puxando a vizinha para Jisung, que agradeceu com um sorriso. Felix e Hyunjin eram os únicos ausentes, mas Minho sequer se importava em descobrir o que os dois estavam fazendo. Jeongin colocou a travessa de vidro na mesa, evitando o olhar nervoso de Seungmin, e sugeriu que começassem a degustar a deliciosa lasanha preparada por Seungmin. Enquanto saboreavam a refeição, iniciaram conversas sobre experiências diversas, criando uma atmosfera agradável à mesa. Trocavam relatos e, por vezes, comentavam sobre os tópicos mais aleatórios possíveis, como se a temática da conversa fosse menos relevante do que a simples companhia compartilhada naquele momento.

— Aí, ele começou a chorar, falando que matou uma vítima, mas na real só tinha chutado um rato de volta pro bueiro. Por isso, proibimos o Felix de criar hamster; ele sempre confundia os dois e nunca deixa a gente matar nenhum rato que aparece. — Chris contou, arrancando risadas da mesa com a história. Era a pura verdade, Felix era o maior chato quando o assunto eram animais, tipo um militante vegano extremo. Teve uma vez que ficou três dias sem falar com um ex porque ele tentou convencer Felix de que ser vegano não era útil em nada. Os dois tiveram um debate longo e chato sobre veganismo, que não teve nenhum retorno além de uma briga desnecessária, já que o Lee certamente não mudaria de ideia. Mais tarde, terminou com o mesmo cara porque ele tentou obrigá-lo a comer carne em um churrasco de família. Os amigos nunca tocaram no assunto desde então, embora Seungmin, de vez em quando, soltasse risadas sobre as comidas inventivas de Felix. Tinham um acordo tácito de não discutir com Felix sobre isso; afinal, ele estava fazendo o bem e nunca julgou os amigos por comerem carne, mesmo fazendo uma careta nas refeições. Em casa, as coisas eram normais, a senhora Lee preparava dois tipos de almoço quando podia, mas quando estava sobrecarregada, Felix se virava nos trinta. Nunca obrigou a mãe a cozinhar pra ele, mas ela gostava, então ele também não reclamava.

— Afinal, sabem onde ele se meteu? — Seungmin limpou a boca e indagou, enquanto Chan deu de ombros e respondeu:

— Provavelmente com Hyunjin, os dois estão bem amigos ultimamente. — Deu uma risadinha sozinho ao se referir aos dois como amigos, causando certa confusão em Kim. Logo retomaram a conversa, sem dar muita importância para o comentário. Se Felix estava com Hyunjin, provavelmente estavam seguros. Além disso, Minho tinha um aplicativo para rastrear todos da família, medida de segurança adotada desde os tempos em São Paulo, sabendo que Felix ainda estava no condomínio, provavelmente no gramado. Jisung permanecia meio quieto, mas não exibia uma feição triste, apenas parecia meio sem bateria social para o momento, também dando a impressão de gostar de comer em silêncio. Vez ou outra, soltava uma risada e comentava algo, mas era raro.

A ventania gélida penetrava o ambiente, mas não causava desconforto. Era refrescante na medida certa, permitindo que permanecessem ali por horas com os pratos vazios na mesa, envoltos em conversas sobre novos temas. Era isso que os brasileiros gostavam de fazer, afinal. Naquela mesa, diferentes situações se desenrolavam. Em algum momento do diálogo, Seungmin repousou a cabeça no ombro do namorado, experimentando o calor reconfortante do amor. Sentia-se pronto para viver uma vida com Chan; a presença dele já era parte integrante de sua existência, e ele jamais desejava mudar isso. O mais velho continuava a conversa, ciente de que o gesto de seu namorado era comum, como se suas almas já estivessem casadas, apesar de ainda não serem oficialmente. Yeji soltava risadinhas delicadas em resposta às piadas de Ryujin, como uma jovem tentando flertar sem parecer óbvia. Yang compartilhava informações com Chris e Changbin sobre a faculdade, seu curso e outros assuntos típicos desse tipo de conversa. Minho assistia a vídeos no Instagram com Jisung, a maioria deles relacionados à Marvel, Flamengo ou conhecidos do carioca. Ele tinha muitos seguidores, provavelmente muitos amigos também. Diversos homens que já apareceram em fotos em seu perfil surgiam no feed, e Minho ficava cada vez mais desconfortável com isso, embora Jisung não interagisse com eles. Ele tinha uma mania de não se importar com nada, não comentava nos storys de amigas que o incluíam nos "melhores amigos" e nem respondia às mensagens de ninguém. Ele apenas consumia o conteúdo, depois saía e ia para outra rede social. Como ele conseguia? Minho era do tipo que comentava em fotos de conhecidos em cafés que gostava, não demorava a responder nada em seu Instagram e sempre era gentil com todos. Seguia várias contas de gatos e curtia literalmente todos os posts deles, seja vestidos de roupas bregas ou só bebendo água. Um clássico, ele amava todos.

COPACABANA - minsungHistórias para pegar e não largar. Descubra agora