Cap.3 - Prisioneiros

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O dia estava nublado na Ilha Veneno. O vento estava forte e tudo estava cinza. Diversas pessoas nobres se reuniram em volta de duas pequenas covas, cada uma acompanhada por uma cruz. Os nobres assistiram ao enterro dos príncipes Violeta e Engy Grimm. Agnes estava bem aos pés das covas, Antônio ao seu lado direito e sua irmã mais nova, Azure ao lado esquerdo. A esposa de Antônio, Udara também estava presente. A falta de Elza Grimm, a mãe das crianças, foi sentida por toda a corte. Outras pessoas acompanhavam a descida dos caixões, como o soldado Rey South, usando um tapa-olho e com a cara ferida. Entre os nobres, estava o mensageiro Krester. De certa forma sentia que aquilo era culpa dele. Sentia que não deveria ter enviado a carta para os Wyrm ou pelo menos ter dito a verdade de quem a mandou. As crianças Grimm subirão em seus ombros pelo resto da vida.

Antônio não conseguiu conter as lágrimas. Era quase impossível conter. Azure também não conseguiu ficar assistindo seus sobrinhos descerem. Colocou a mão na frente da boca. Rey balançou a cabeça em negação, outro que se via culpado da morte dos príncipes. Os caixões foram cobertos.

— O que faremos? — Perguntou Antônio.

Já estavam na sala do conselho, era tão grande quanto um salão de festas. Havia esculturas dos Bons-Senhores de ponta a ponta. A Fé que os Grimm seguem. No centro daquela sala quadrada de pedra tinha uma mesa, com mapas, peões de soldados e navios. A sala é iluminada por janelas arredondadas onde a luz do sol entrava. Agnes estava de luto e extremamente sedento por vingança. Azure Grimm se levantou de sua cadeira e pôs alguns bonecos de madeira sobre a Ilha Veneno.

— Não temos como vencer os Wyrm. — Dizia Azure. — Vi como Rosa Venenosa ficou, virou fumaça.

— Isso não pode ficar assim! — Antônio era totalmente contra a guerra, mas nesse caso, era tarde demais para impedi-la. — A guerra começou, também há boatos de que os Zera e os Pimple se aliaram.

— Não são boatos. — Respondeu Udara sentada ao lado de Antônio que estava em pé. — Os Zera partiram de Corrente para Vila Bela Moça onde seu pai se casou no passado, Kaleb Zera quer ser tão lembrado quanto seu pai.

— Mas quem vai se casar é seu irmão mais novo, Markus Zera. — Retrucou Azure. — Estão semanas de distância, acho que para começar, devemos invadir Begônia e tomar controle total da Ilha Veneno.

— Dá para vocês calarem a boca. — Agnes Grimm cortou a conversa. — Não tomarei nenhuma decisão antes de Elza voltar.

— Elza partiu para o Estreitoeste. É só o que sei. — Disse Azure, ainda usava seu vestido preto do velório. Seus longos cabelos crespos estavam tão radiantes quanto seus olhos de mel, inchados pelo choro.

— O que ela foi fazer no Estreitoeste? — Antônio tentava unir as peças que uma única pessoa estava jogando, Elza.

Em Forteazul, o tempo estava nublado, com fortes ventos que estremecem as vidraças da janela do quarto de Elza. Ela estava deitada, era um quarto grande, uma criada entrou para recolher as vasilhas de comida que se encontravam intocadas.

— Senhora Elza, precisa comer...

— Saia daqui!

— Majestade...

— Saia daqui sua meretriz! — Elza Grimm levantou-se com raiva, deu um tapa na vasilha de comida e empurrou a empregada. — Saia!

Ela saiu, com medo de receber algum castigo, ao abrir a porta, batia no peito de Atoros que iria abrir a porta.

— Me desculpe, meu príncipe.

— Você bateu em um príncipe... — Atoros segurou o pescoço dela com sua mão direita, seus dedos apertavam levemente sua garganta. — ...sabia que isso é penalizado com a morte?

O Prelúdio Da GuerraOnde histórias criam vida. Descubra agora