A Batalha da Nuvem Negra completou seu primeiro ano. Não demorou muito para que ocorrido se espalhasse pelos quatro cantos de Terra Conhecida. Usar o solo envenenado da ilha foi um ataque, visto por quase todos, como uma covardia. Mas essa covardia rendeu ao rei Agnes um novo castelo, assim, 75% da ilha era sua. O maior castelo de todos os reinos já construído, o Jardim Negro. Após muita luta e muitas mortes, Jardim Negro se tornou a sede da casa Grimm, tendo como seus vassalos seus próprios irmãos e as casas menores que vivem em seus reinos.
O castelo foi reformado e demorou um ano e meio para ser considerado habitável novamente. Suas paredes eram feitas de uma rocha negra que cintilava a luz do sol. O castelo possuía diversas torres espalhadas pelos altos muros que cercavam a cidade. Uma balista de ferro era posicionada no topo de cada torre. O reino constava com 4 grandes portões. O Portal Negro no lado norte, o Portal Lamento no lado oeste, o Portão do Agricultor no lado leste e o Portão Cascavel no Sul.
A luz do sol naquela manhã de outono aquecia a pele negra e lisa de Agnes Grimm, seu rosto estava sorridente, vitorioso, ele observou a cidade com vida novamente. Sua próxima conquista era construir uma cidade portuária nas praias da Rota Estreita que separa a Ilha Colina da Ilha Veneno. O território de Jardim Negro era abençoado, dizem os moradores. Os registros da Capital relatam que o terreno em volta do castelo é tão tóxico, que nem mesmo moradores de anos da ilha conseguiam plantar sua comida. Milhares morreram tentando, mas graças a Boa-Senhora, o terreno nos limites do castelo, são próprios para agricultura.
O território próximo ao Rio de Jade também é livre de toxinas mortais. Mais de 80% do abastecimento de água e comida vem das fazendas próximas desse rio.
Os aposentos do Rei é o mais iluminado. Uma varanda maior do que os quartos de Lírio Venenoso, a luz consegue alcançar cada canto. Brenda tomava seu café da manhã, sentada na mesa redonda de marfim próximo da varanda e seu cônjuge a acompanhou.
— Eu odeio como mercadores e soldados zombam de mim pelas costas.
— Meu amor, você é o Rei de Jardim Negro, em breve, será o rei das Ilhas e poderá castigar qualquer um que pensar em gozar de você.
— Que bom que você tocou nesse assunto. — Agnes se levantou e ajoelhou-se aos pés de Elza. Segurou suas mãos gentilmente. — Estive pensando, já somos donos de 75% de todo o território, os Pimple tremem de medo só de verem nossos navios atravessando a rota estreita e os Wyrm, nunca nos fizeram mal.
— O que? Você tá me dizendo que deseja dar uma trégua?
— Não, eu desejo acabar com uma possível guerra.
— E nessa guerra, nós sairíamos vitoriosos! — Elza puxou suas mãos das de Agnes e se levantou. Saiu dos aposentos do rei sem dizer mais nada.
O ano era 9 D.C., estava próximo do fim de Outono. Elza não conseguia acreditar que seu marido poderia desistir, logo agora. A voz de seu pai, já falecido, ecoava em seus pensamentos. Aquela voz rubra e de imponência inquestionável. Antes de continuar os próximos passos que levaram à divisão dos reinos, vale ressaltar uma lei. A Capital é a maior cidade já construída e seu número de registros é quase incontável. Todo corvo deve ser mandado para a Capital, onde um grupo de Estudiosos encaminhará a mensagem para seu destinatário em um pombo branco.
Corvos que voarem longas distâncias serão abatidos. Cada reino e cidade possui uma corrente de Protetores da Lei. Uma ordem antiga que protege e repassa as leis de sua região. Os Estudiosos que trabalham com o recibo e envio das cartas, fizeram um voto de silêncio perpétuo e arrancaram suas próprias lingas. Voltamos para a imprudente escolha de Elza Grimm.
Elza passa por dois soldados e pede para acompanhá-la. Os homens, sem questionar, obedecem. Suas armaduras são vermelhas e o símbolo da casa Grimm era estampado em seu peito, duas lanças espinhenta cruzadas em X. A mulher de 20 anos, de cabelos cacheados castanhos e olhos azuis como o céu, acaba de entrar na sala do mensageiro. Ele era um homem velho, de barba grisalha, calvo, um de seus olhos havia perdido a visão e suas mãos tremiam, mas ninguém em toda a ilha, poderia falar tão bem a língua dos Homens e a Língua dos Wiccanos. Não entraremos em detalhes sobre a raça Wiccanos ainda, apenas que são pessoas espalhadas pelo mundo que nascem com o dom da magia.
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O Prelúdio Da Guerra
FantastikEm um mundo de fantasia repleto de magia, traições, alianças, mistérios, reinos e famílias nobres, você acompanhará o ponto de vista de plebeus que se encontram no meio de uma luta indesejada, onde nenhum dos lados desejava a guerra. A trama central...