Virose.

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Louise Collins.

Um dia se passou desde que Negan fugiu. O conselho não conseguiu tomar nenhuma decisão do que fazer comigo pois suas preocupações estavam na virose que estava se espalhando pela comunidade, e para piorar, Mich e minha filha ainda não voltaram de Hilltop. Não demorou muito para essa tal virose misteriosa acabar me afetando e afetando Rosita. Eu suava frio, sentia dor em todas articulações do corpo e por fim uma falta de ar terrível que me impedia de andar por muito tempo. Me levantei do sofá indo para a varanda tendo Daryl em minha vista, ele está sentado na cadeira de balanço onde Carl costumava ficar com Judith por horas.

-devia estar deitada.-Daryl chamou minha atenção me puxando pro seu colo com delicadeza.

-eu sei, mas eu não quero ficar deitada.-expliquei sentindo enjoo. Dixon passou sua mão pela minha testa limpando meu suor.

-você é teimosa.-comentou o caçador apagando seu cigarro. O cachorro estava ali nos fazendo companhia.

-vai dizer que não gosta da minha teimosia.-falei em sussurro sem forças. Ele soltou uma risada nasal levando sua atenção para outra coisa especificamente Carol que pegava pão.

-eu tenho que ir atrás dela.-explicou o caçador me ajudando a levantar.

-eu vou com você.-avisei tentando andar, ele me impediu.

-não, você fica. Precisa melhorar.-o caçador disse me colocando na cadeira de balanço.-o cachorro vai ficar com você.-comentou Daryl deixando um beijo na minha cabeça. Ele saiu dali apressado me fazendo bufar de frustração. Não tem outra hora pra ficar doente?

-você parece bem mal.-Siddiq assumiu passando por ali com a Coco no bebê conforto.

-já estive em dias piores.-brinquei soltando uma risada nasal dolorida.

-quer uma ajuda pra enfermaria?-Siddiq questionou preocupado.

-eu tô bem, Siddiq. Aproveita seu dia com ela.-desejei sorrindo sem forças. Ele voltou a caminhar, porém parou chamando minha atenção.

-nunca falamos sobre o Carl.-comentou o médico me deixando pior.

-por que quer falar sobre ele agora?-questionei confusa. Ele se aproximou sentando no degrau de casa.

-eu não sei. Acho que te devo isso.-assumiu o moreno e eu neguei. Seus olhos transbordavam culpa.

-não. Você não me deve nada. Não foi culpa sua, Siddiq.-tranquilizei sorrindo sem forças.

-eu te devo muito. Você salvou a minha vida naquele celeiro.-disse o médico com os olhos arregalados.

-eu tenho pesadelos a noite. Não consigo esquecer aquele dia. Você também, não é?-questionei o fitando com curiosidade.

-é. Você parece bem mal.-Siddiq falou novamente me tirando uma risada.

-já disse isso, Siddiq.-lembrei fazendo o homem vir até mim. Ele pegou em minha cintura passando meu braço por seu ombro, em seguida me levou pra enfermaria onde só tinha uma mulher de terceira idade.

-olha quem tá aqui. Achei que fosse de ferro.-Dante brincou e eu revirei os olhos. Fala sério. Esse cara tá sempre feliz.

-eu não quero ficar aqui.-assumi sem forças, mas Siddiq não deu ouvidos.

-cuida bem dela.-conseguia ouvir a voz do moreno que foi ficando cada vez mais baixa até que tudo ficou escuro. Abri meus olhos ouvindo uma voz familiar me chamar, assim que enfim despertei, pude ver Carl, ele sorri, parece feliz. Eu senti paz, eu sabia que era apenas um sonho, mas isso foi o suficiente.

-teve um pesadelo?-Dante questionou sorrindo com uma seringa na mão. Fui retirada dos meus sonhos pelo médico.

-o que é isso?-perguntei me sentando com dificuldade.

-era só antialérgico, achei que fosse fazer você melhorar.-explicou o médico me deixando aliviada. Olhei a minha volta notando muitas pessoas ali. Levantei com dificuldade querendo sair dali.-você tem que ficar deitada.-Dante explicou me barrando.

-sai da minha frente, Dante.-ordenei fuzilando o mesmo de cima a baixo. Ele me deu espaço meio relutante. Sai da enfermaria rapidamente tomando um ar. O que tem de errado? Da onde veio essa virose?

-era pra você estar deitada.-Siddiq chamou minha atenção com Rosita no braço e Coco no outro.

-eu já estou melhor. Que tal você cuidar da Rosita e eu ficar com a Coco.-propus tentando parecer mais normal possível. Ele assentiu me dando o bebê conforto. Peguei a criança indo pra casa da Rosita. Sentei na cadeira da cozinha pegando o rádio que estava em cima da mesa.

-oi, tem alguém na escuta?-perguntei ofegante enquanto Coco dormia no meu braço.

-Michonne na escuta. Louise é você?-a morena questionou surpresa por eu estar usando o rádio.

-eu não achei que fosse sentir sua falta, mas eu tô sentindo.-assumi soltando uma risada sincera.

-você está bem?-indagou a com dreads notando minha voz cansada. Desta vez a pergunta pareceu me cativar, eu queria dizer a ela tudo que sentia.

-ontem fizeram uma votação pra decidir se o Negan vive ou morre. Eu votei pra que ele vivesse. Eu sei que é o que Rick faria, foi por isso que eu fiz. Ele morreu achando que eu trai ele. Isso me corrói por dentro.-disse deixando lágrimas soltas escorrerem livremente pelo meu rosto. Ao notar o silêncio, suspirei.-foi mal, acho que tô delirando.-me desculpei envergonhada.

-não. Isso é ótimo. Você dizer o que sente.-disse se fazendo presente.-Ele amava você, Louise.-Mich contou e eu apenas neguei frustrada.

-eu também amava ele.-assumi apoiando meu rosto nas mãos.

-não. Ele te amava, desde o começo. Qualquer pessoa era capaz de ver, menos você. Por isso eu te invejo, não importa o que você faça, ele sempre vai te amar, então não se culpa.-contou Michonne me deixando imóvel.

-eu nunca imaginei que ele.-comecei a dizer mas não consegui terminar. Me senti uma tola por nunca ter desconfiado.

-ele também sabia que você só tinha olhos pra uma pessoa, por isso ele nunca tentou. Ele seguiu em frente, e é isso que temos que fazer.-Mich continuou e eu apenas assenti assimilando tudo.

-Eu preciso ir.-me despedi sentindo fraqueza no corpo. Coco começou a berrar sentindo algo de ruim. Coloquei ela no bebê conforto antes que caísse no chão. Apoiei minhas mãos na mesa tentando ficar acordada, mas eu não consegui. Cai na escuridão novamente. Tudo tá embaçado horas pareciam ter passado, o choro dela ecoa pelos meus ouvidos de uma forma abafada, então me dei conta de que a criança ainda chorava, levantei do chão sentindo uma dor insuportável na cabeça. Peguei a mesma tentando ninar.

-Louise. Eugene na escuta, a Coco tá chorando?-questionou o homem através do rádio. Comecei a ninar a garota até que ela se acalmasse.

-Louise. Responda.-Eugene ordenou preocupado. Coloquei o bebê no berço que estava na sala. Me sentei na cadeira pegando o rádio.

-Eugene estamos bem.-acalmei e pude ouvir um suspiro de alívio do outro lado da linha.

-ouvir isso foi aliviador.-assumiu o rabo de cavalo. Eu não sei se estou morrendo, mas isso não é só virose, tenho que deixar a Coco segura. Peguei ela no colo andando pelas ruas de Alexandria. Me dirigia pra enfermaria que parecia estar cada vez mais longe. Eu não posso desmaiar, eu posso machucar a Coco. Fica acordada. Fica acordada. Fica acordada.

-Louise. O que aconteceu?-Siddiq questionou me deixando atenuada.

-eu não consigo....-disse sentindo uma ardência na garganta em seguida cai no chão tentando pegar ar. Tudo ficou escuro novamente. Eu estou morta? Esse é o fim? A escuridão? Eu nunca tinha sonhado com o Carl antes. A sensação de ver ele, de sentir ele. Queria poder ter visto o Glenn ou a Beth, queria me despedir. Tenho saudade de casa.

Sobreviver-Daryl DixonOnde histórias criam vida. Descubra agora