Ethan narrando:
Ela é louca.
Sorrio novamente, mesmo que sozinho.
Balanço a cabeça em negativo enquanto recebo um e-mail de trabalho, mas o sorriso permanece em meu rosto. Como Aurora ousa me desafiar? Entre todas as pessoas com quem convivo, ela é a única que se atreve a agir assim.
"Eu não dou a mínima." Repito sua frase mentalmente, quase saboreando a audácia.
- Ah, Aurora! - Repreendo-a em voz baixa, ainda sentindo o resquício do seu perfume no ar e a intensidade de sua raiva.
O que será que ela faria em uma festa beneficente? Eu pagaria para ver isso.
Cada vez me surpreendo mais... Invadir a minha sala... Quem faria isso, com mais de dez guardas espalhados pela empresa, todos armados com eletrochoques de alta voltagem, potencialmente fatais, como já testemunhei tantas vezes... E ainda por cima, correndo?
Reprimo meu riso solitário ao ouvir alguém batendo na porta. Será que é ela de novo?
- Entre.
Jessia aparece no meu campo de visão, interrompendo meus pensamentos.
- Gostaria de dizer algo, senhor? - Pergunta com expectativa de uma bronca evidente em sua postura.
- Sobre o quê? - Pergunto, erguendo uma sobrancelha.
- Sobre a Aurora. - Jessia gagueja, claramente nervosa.
O nome Aurora soa como música para os meus ouvidos. Se ela me causa isso, fico feliz por vê-la aqui todos os dias.
- A culpa não é sua, esqueça isso. - Digo, me entregando a um último sorriso ao lembrar dela invadindo minha sala como uma faísca de baixa estatura.
- Eu tenho alguma reunião hoje? - Pergunto, mudando de assunto para aliviar a tensão.
- Não, senhor. Mas o Rolf irá te ligar. - Jessia responde prontamente.
Balanço a cabeça em positivo e logo ela se retira. Dois minutos depois, meu telefone toca, era exatamente ele.
-- Senhor?
-- Sim. -- Digo após atender.
-- Tenho informações sobre a Gold Mission. O arquiteto já fez a avaliação e me passou o orçamento por e-mail. -- Rolf avisa.
-- Com o seu consentimento, realizei o pagamento e permiti o andamento dos reajustes.-- Acrescenta.
-- Não foquem só nos mofos, revejam os canos para ver se o vazamento realmente acabou e pinte o orfanato inteiro. -- Peço.
-- Sim, senhor. Está sendo feito. Ainda bem que o Aaron escolheu boas madeiras para construir, não há vestígios de cupins. -- Acrescenta.
-- Só para avisar que está tudo bem. -- Finaliza.
-- Ok. -- Assinto e fico em silêncio por um momento, enquanto uma preocupação começa a crescer em minha mente. Apesar de meu esforço para me controlar, não consigo evitar.
-- Como está a Mavie?
-- An... -- Rolf gagueja e pensa por um instante. -- A menina ruiva?
-- Sim. -- Respondo com um pouco de desconforto.
-- Eu não tenho muitas informações sobre as crianças, mas no pouco tempo em que passei pelas meninas, a vi brincando. -- Responde.
-- Mas, Sr. Siren, se preferir posso providenciar agora informações à respeito da garota e mantê-lo informado. -- Sugere.
-- Não, não precisa. -- Nego e logo sinto o peso da minha resposta. Eu queria sim saber sobre ela, saber o que costuma fazer durante o dia ou o que gosta de assistir, afinal crianças gostam de assistir coisas na TV, né?
-- Era apenas isso. -- Concluo, mantendo minha decisão.
-- Tudo bem, senhor. -- Diz Rolf.
-- Até mais. -- Finalizo a ligação.
É bom saber que está mais disposta. Mavie estava ardendo em febre quando a conheci, presa naquele lugar e sem saber que sua mãe existe. Isso também perturba a minha mente quando me deixo levar.
_____________________
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Descaso
Romance(História se passa nos dias atuais) Ambientado em Berlim, aos 18 anos, Aurora descobre estar grávida de Ethan Jones Siren, um multimilionário descendente da Monarquia com uma personalidade fria, que a manipulou com falsas promessas de amor. Diante d...
