Capítulo 21 - Niall •

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Aurora narrando:

Nossa viagem demorou em cerca de quase três horas. Eu havia mandado algumas mensagens ao Ethan nesse meio tempo, mas como na última vez, eu não tive resposta.
Eu sei que ele é muito ocupado e deve receber tantas mensagens que acaba ignorando todas em geral, mas eu admito está preocupada com a Mavie.

Afinal, confiei minha filha a alguém que a rejeitou três vezes. Apesar de termos compartilhado momentos íntimos, mal conheço seus princípios, especialmente considerando que, na época, ele se mostrou diferente do que realmente é, apenas para me conquistar.

Tudo isso importa mais do que o enterro da minha mãe, sem sombras de dúvidas. Ela não teve cuidado comigo e nem se preocupou durante sua vida ao ponto de querer cuidar de mim, então, felizmente o meu instinto faz com que eu haja diferente com a minha filha.

- Acalme-se amiga. A Mavie está bem, pode ter certeza. - Mia comenta enquanto a aguardo-a sair do banheiro do aeroporto.

Ela lava as mãos e em seguida se oferece para segurar nossas bolsas...
- Sua vez. - Me sugere realizar minha necessidade íntima.

Ainda pensativa, ouço meu celular tocando e atendo desesperadamente.
-- Oi? Ethan?!

-- Olá, Aurora. Liguei para saber se está tudo bem. -- Ouço-o e sinto um alívio enorme.

-- Acabamos de chegar. -- Respondo.
-- E a Mavie? Ela está bem? -- Pergunto.

-- Sim, acabamos de chegar em casa. -- Responde. Mavie vai adorar aquele lugar. Sorrio.
-- Está aqui escolhendo algo para comer. -- Acrescenta.

-- Tudo bem. -- Respondo demonstrando mais tranquilidade.
-- Ethan, se possível... Tente responder minhas mensagens, eu fiquei tão preocupada com ela. -- Acrescento.

-- Ah, merda... Peço desculpas novamente, Aurora. Isso não irá se repetir, eu prometo. -- Ethan responde.
-- No entanto, não precisa ficar tão apreensiva, ela está bem segura por aqui. -- Acrescenta e pensa...
-- Podemos fazer uma troca, você me deixa atualizado sobre sua viagem e eu prometo não sair do seu chat. -- Se mostra preocupado e eu congelo ao ouvir seu pedido, em seu tom, mais gentil possível.

Eu não sabia que permitindo a proximidade dele com a Mavie, faria ele sentir liberdade para tamanha intimidade.

-- Tudo bem. -- Respondo sem graça, infelizmente Mia acabou ouvindo por eu ter posto a ligação no viva-voz.
-- Enfim. -- Mudo de assunto e a Mia observa.
-- Mais tarde eu falo com você. -- Encerro a conversa e ele assente.

Por fim, consegui me aliviar. Lavei minhas mãos e segui Mia para fora do aeroporto.
- Huum, fazendo trocas. - Mia comenta com tom de provocação e eu reviro os olhos.
- Todo preocupadinho com você. - Acrescenta.

Recebi por mensagem o endereço do cemitério em que minha mãe será enterrada. Recebi especificamente do meu padrasto, que agia como se nada tivesse acontecido há anos e também como se minha ausência fosse unicamente por opção.

- Táxi! - Mia grita para o primeiro que aparece e assim nós entramos. Mia toca carinhosamente em minha mão durante nossa ida, ela segura como se esperasse qualquer reação minha de desespero quando chegássemos.

Isso não vai acontecer, mas eu me sinto grata pelo seu afeto, por ela está aqui comigo e ser a única que faria isso.

O veículo para com suavidade diante do imponente portão de ferro do cemitério.

As luzes trêmulas do táxi iluminam a entrada sombria, revelando os contornos das lápides antigas e árvores centenárias.

Pago ao motorista e aguardo a saída da Mia do táxi. Observo o cenário tranquilo e solene que se estende diante à mim, antes de adentrar o cemitério.

Um DescasoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora