Ethan narrando:
Incertezas me envolvem durante o trajeto até o hospital Alexianer St. Hedwig, alguns minutos após a ligação. O silêncio constante dos meus guardas me proporciona uma viagem nostálgica à minha infância... Repleta de privilégios, portas sempre abertas e respeito, mas também marcada por responsabilidades avassaladoras, inseguranças e pela rigidez de meu pai autoritário, algo que nem Aurora, nem ninguém realmente sabe.
Será que ele fez mal a outras pessoas desde que eu era mais jovem? Talvez seja isso que a polícia queira comigo: compartilhar mais informações para pegar o restante da gangue. Ou talvez, Harry tenha morrido.
Espero estar certo na última possibilidade. Menos um homem Siren no mundo é bem melhor.
Passo pelos corredores dos hospitais tendo como guia uma enfermeira de cabelos loiros, de baixa estatura e que vestia um uniforme lilás.
Ela não me dá muitas informações, só nos leva até a porta do quarto em que Harry está e pede que nós aguardemos o médico.
A porta do quarto estava entreaberta, e eu podia vê-lo à distância. Refletir sobre o fato de tê-lo confinado ali me proporciona um certo alívio; Harry tentou escapar da polícia, pois qualquer alternativa parecia melhor do que enfrentar um julgamento com a possibilidade de pena de morte.
Contudo, se ele não perder a vida aqui, encontrará seu destino no tribunal, à medida que mais informações vierem à tona.
As opções para ele são escassas, e sinto um perverso contentamento ao imaginar que a justiça finalmente será aplicada. É uma pena não ter percebido tudo isso antes.
Silenciosamente, afasto-me dos meus guardas, que permanecem imóveis, entendendo que devem manter posição. Caminho lentamente até o leito de Harry, observando seus olhos cinza entreabertos. A visão daquele homem, outrora imponente e implacável, agora reduzido a um corpo frágil, me provoca um misto de sensações, entre eles graça.
Harry me analisa com uma mistura de raiva, puxando o ar com força através da máscara de oxigênio. Aproximo-me mais, mantendo uma expressão séria, mas carregada de sarcasmo.
- Oi, pai. - Digo, observando sua reação.
- Está se sentindo bem? - Acrescento com ironia.
Harry move o dedo indicador levemente, como se tentasse me mandar embora. Não me surpreenderia se esse fosse o caso. Afinal, fui eu quem o desmascarou.
- Tenho uma notícia... Eu tenho uma filha. - Solto, enquanto mantenho os olhos fixos nos dele.
- Ela tem apenas seis anos e é filha de uma mulher de condições bem modestas. - Acrescento, caminhando para o outro lado do quarto, deixando que as palavras pesem no ar, eu sei que ele insultaria a Aurora se pudesse.
- Cometi alguns erros com elas, e agora estou tentando consertá-los. - Finalizo.
Interrompo meus suaves passos pelo quarto e mais uma vez me aproximo de seu leito.
- Estar nessa posição me fez pensar... - Começo, mantendo meu tom firme.
- Você já pensou em consertar os seus erros comigo? Ou com minhas irmãs? - Faço uma pausa, mesmo sabendo que nada sairia dele a não ser seus gestos agitados.
Meu pai mexe os dedos, mexe os músculos do pescoço e falha em sua tentativa de responder. Solto o ar e me curvo diante à ele, repousando meus braços no ferro branco do leito.
- Se arrepende do que fez com a sua família? - Rosno baixo entre dentes.
- Você partirá em breve ou não, mas preciso saber se alguma vez você já me considerou seu filho. - Acrescento me tendo vulnerável, mas ainda sim em tom ameaçador.
- Mexa os seus dedos se for uma resposta positiva. - Finalizo firme.
Harry fica imóvel, pela primeira vez desde que eu cheguei. Sem piscar, sem tentar falar e sem mexer os dedos.
A ausência de resposta fala mais alto do que qualquer palavra que ele poderia ter dito. Sinto uma mistura de alívio e tristeza ao perceber que ele nunca se arrependeu, nunca me viu como seu filho de verdade. Recuo, endireitando meu corpo, e penso...
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Um Descaso
Romance(História se passa nos dias atuais) Ambientado em Berlim, aos 18 anos, Aurora descobre estar grávida de Ethan Jones Siren, um multimilionário descendente da Monarquia com uma personalidade fria, que a manipulou com falsas promessas de amor. Diante d...
