Ethan narrando:
- Senhor Siren, está tudo bem? - Ouço Greta perguntar.
Suas palavras ecoam ao meu redor e parecem estar distantes de mim.
- Vou chamar a enfermaria. - Elowen decide prontamente.
- Não. - Interfiro, mas é tarde demais. Ela já saiu.
Greta se aproxima com cuidado, hesitante em me tocar. Pela primeira vez, cria coragem e decide segurar meu pulso, pedindo licença enquanto sente minhas palpitações.
- O senhor precisa se acalmar. - Pede em voz baixa.
Aurora...
Eu a fiz chorar, a fiz chorar muito. Sinto o toque amigável de Greta em meu ombro.
- Nós vamos solucionar isso, senhor. - Ela diz, tentando me acalmar. Mas não se trata apenas de solucionar quem cometeu esse crime. Trata-se da minha família, da Mavie, da Aurora.
- Viemos pessoalmente para tratar com o Sr. Siren sobre uma possível ameaça que detectamos, uma proximidade inapropriada totalmente planejada. - Ouço a equipe do MI6 comentando, enquanto eles mostram aos detetives tudo que me mostraram.
- Foi a Hannah. - Murmuro e eles escutam.
- Quem me enviou essas fotos sempre teve o meu número de telefone. - Afirmo, enquanto minha mente retrocede, conectando os pontos, me relembrando também das conversas com Rolf.
- Foi ela. - Finalizo, com uma certeza que corta o ar.
- As duas descobertas se encaixam. - Alega o membro do MI6.
- Por que uma simples recepcionista, mesmo que da Monocrom que o senhor frequenta, tem o seu número de telefone? - Questiona expressando uma reprovação compreensível, eles dão praticamente à vida para proteger de forma secreta.
- O Sr. Siren ordenou através de uma ligação que ela contratasse a Aurora. - Explica Greta, também unindo os pontos que ela tem.
- Eu vi isso enquanto investigava o histórico profissional de Aurora. - Acrescenta.
A Hannah. Foi ela.
Mantenho meu rosto abaixado, sentindo o peso da culpa e do arrependimento me esmagarem enquanto tento assimilar tudo o que fiz.
Diante de mim, surge Rolf, que se aproxima em passos acelerados.
- Senhor Siren, está tudo bem? - Ele pergunta.
Com ele, vêm a equipe de enfermeiros e membros da guarda real, prontos para oferecer assistência. Quando tentam se aproximar, eu me levanto, relutante, fazendo-os parar antes que me toquem.
- O pulso dele está em 130 por minuto, parado. - Ouço Greta comentar com eles, enquanto observo a sala ao meu redor, perdido em meus próprios pensamentos e emoções turbulentas.
- Ethan, por favor, sente-se. - Rolf pede, ocasionalmente dizendo o meu nome por preocupação.
- Encaro a pena de morte para pessoas que acham que têm o direito de tirar a vida de outra pessoa, é um fim justo e irônico. - Comento tentando ser firme.
- Hannah e sua família estão banidas da Alemanha, impedidos de ultrapassar o aeroporto. - Declaro diante deles.
Um zumbido incessante nos meus ouvidos me lembra da dor de cabeça pulsante que ameaça consumir minha concentração.
- Ela e quem criou essa montagem serão presos por ordens minhas, por calúnia, injúria e falsificação de documentos, sem direito à fiança pelo tempo que o juiz determinar; e eu sei que será generoso. - Acrescento sarcasticamente e aperto os olhos para afastar a visão turva.
- Após os anos, poderão sair do país, sem volta. - Finalizo.
Eles anotam minha ordem detalhadamente, antes de saírem em passos firmes, um após o outro, determinados a levar Hannah à delegacia para obter informações e garantir que ela responda por seus atos exatamente como falei.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Um Descaso
Romans(História se passa nos dias atuais) Ambientado em Berlim, aos 18 anos, Aurora descobre estar grávida de Ethan Jones Siren, um multimilionário descendente da Monarquia com uma personalidade fria, que a manipulou com falsas promessas de amor. Diante d...
