- Então, tá - falei quando o carro parou na frente da casa noturna às 21h, vários dias depois. - Vou nessa para encher a cara, usar várias drogas e transar muito.
- Puxa! - disse minha mãe, esboçando um sorriso. - Tá certo. Minha filha voltou a ser a maluca que eu me lembrava.
- Na verdade, isso é 100% minha personalidade real.
Abri a porta do carro e pisei na calçada gritando:
- Não se preocupe, não vou morrer!
- Não perca o último trem!
Era o último dia de aula antes das férias e eu tinha combinado de ir a uma casa noturna no centro com meus amigos. Era a primeira vez que eu ia a uma boate e estava aterrorizada, mas andava tão perto de estar afastada do nosso grupo de amigos que, se eu não tivesse ido, achava que eles deixariam de me considerar uma das "principais amigas" e as coisas ficariam esquisitas demais para mim no dia a dia.
Minha mãe partiu com o carro.
Atravessei a rua e espiei dentro pela porta. Vi meus amigos sentados no canto, bebendo e rindo. Todos eram pessoas ótimas. Não eram malvados comigo nem nada assim.
Fui ao bar e pedi duas doses de vodca com suco de limão. O bartender não pediu meu documento, o que me surpreendeu, porque normalmente eu aparento ter cerca de treze anos.
Então, caminhei em direção a meus amigos, passando pelos grupos de caras fazendo pré para a festa - mais coisas que me deixam nervosa. Olha, eu preciso parar de ter medo de ser uma adolescente normal. Me sentei com eles, como peguei a conversa pela metade, me distrai olhando em volta. As luzes coloridas, música alta, pessoas conversando todas ao mesmo tempo.
Peguei meu celular para conferir. Hecate ainda não tinha respondido às minhas mensagens no Twitter. Já fazia quatro dias.
- Não, não acredito em casais que dormem abraçados - disse Gus. Estavam falando sobre outra coisa agora. - Acho que é mentira que a mídia espalha para as massas.
- Oi, Hunter!
A voz de Willow chamou minha atenção e parei de olhar para o telefone. Hunter Deamonne e Amity Blight estavam passando pela nossa mesa. Hunter vestia uma camiseta cinza sem estampa e calça jeans azul simples. Eu nunca o vira usar nada estampado desde que o conhecia. Amity parecia igualmente simples, como se Hunter tivesse escolhido suas roupas.
Hunter olhou para baixo e nos viu e, momentaneamente, olhou em meus olhos antes de responder para Willow.
- Oi, tudo bem?
Eles começaram a conversar. Amity estava em silêncio, em pé atrás de Hunter, escondida, como se tentasse parecer menos visível. Também olhei nos olhos dela, mas ela desviou o olhar depressa.
Willow se inclinou para a frente enquanto Hunter e os outros conversavam.
- Quem é aquela garota branca? - perguntou Gus.
- Amity Blight? Ela estuda na Hexside.
- Ah, a irmã dos gêmeos Blight?
- Isso.
- Você não era amiga deles antes? - perguntou Willow a mim.
- É...
Tentei pensar no que dizer.
- Mais ou menos - falei. - Conversávamos no trem. Às vezes.
Willow foi a primeira pessoa que eu conheci do grupo. Ela não me provocava por ser uma nerd bitolada, como fazia todo mundo. Somos boas amigas, já que tínhamos um senso de humor parecido. Mas ela conseguia ser bacana e esquisita, por isso ninguém se surpreendia muito quando ela fazia algo incomum.
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Em busca de Hecate
Fanfic"Olá. Espero que alguém esteja ouvindo. Estou enviando esse sinal via rádio - muito antiquado, eu sei, mas talvez um dos poucos métodos de comunicação que a Ilha se esqueceu de monitorar -, num pedido sombrio e desesperado de socorro. As coisas nas...
