— Você é uma tonta — disse minha mãe quando contei a ela toda a situação na quarta-feira. — Não uma tonta sem inteligência, mas um tipo de tonta ingênua que consegue entrar em uma situação difícil, mas não consegue sair dela porque fica sem jeito.
— Você acabou de descrever minha vida.
Eu estava deitada no tapete da sala revirando uns trabalhos antigos de matemática enquanto minha mãe assistia TV, com as pernas cruzadas no sofá e uma xícara de chá nas mãos.
Ela suspirou.
— Você sabe que só precisa dizer, não é?
— Parece ser um assunto importante demais para ser tratado pelo celular.
— Então, vá à casa dela. Ela mora literalmente do outro lado da rua.
— É esquisito, ninguém bate na porta de alguém do nada.
— Tá. Mande uma mensagem e diga que precisa ir à casa dela para contar algo importante.
— Mãe, assim fica parecendo que quero me declarar apaixonada por ela.
Ela suspirou de novo.
— Bom, então não sei o que dizer. Foi você mesma quem reclamou que isso a está impedindo de se concentrar em seus estudos. Pensei que fosse importante para você.
— Mas é!
— Você mal a conhece! Por que isso está te incomodando tanto assim?
— Conversamos por muito tempo na segunda, fico sem jeito de tocar nesse assunto agora.
— Bom, a vida é assim, né?
Eu rolei no chão para ficar de frente para a minha mãe.
— Sinto que poderíamos ser amigas — falei. — Mas não quero estragar tudo.
— Ah, querida. — Minha mãe me lançou um olhar solidário. — Você tem um monte de outros amigos.
— Mas eles só gostam da Luz da escola. Não da Luz real.
- Acho que você devia apresentar a Luz real para eles. Tenho certeza que seus amigos iriam adorar.
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Apesar de ter me saído bem em todas as últimas provas que fiz, sempre entro em pânico por causa delas. Sei que parece normal, mas não me sinto normal quando acabo chorando por causa de logaritmos, o assunto totalmente inútil de uma de minhas provas de matemática. Eu não conseguia encontrar minhas anotações sobre a matéria, e o livro não explicava nada. Hoje em dia, eu não me lembro de absolutamente nada das minhas aulas de matemática do passado.
Eram 22:24 da noite anterior à prova e eu estava sentada no chão da sala com minha mãe, com a maioria das minhas anotações e livros de matemática espalhados no chão ao nosso redor. Minha mãe estava com o laptop no colo clicando para encontrar alguma vídeo aula onde houvesse uma explicação decente a respeito de logaritmos. Pela terceira vez na noite, eu estava tentando não chorar.
— Tem alguém com quem você possa falar sobre isso? — perguntou minha mãe, ainda pesquisando no Google. — Algum amigo da sua sala?
Willow assistia às aulas de matemática comigo, mas ela era ruim na matéria e saberia menos do que eu.
— Não — respondi.
Minha mãe franziu o cenho e fechou o laptop.
— Amor, acho melhor você ir para a cama — disse ela com a voz calma. — Estar cansada para a prova só vai piorar as coisas.
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Em busca de Hecate
Fanfiction"Olá. Espero que alguém esteja ouvindo. Estou enviando esse sinal via rádio - muito antiquado, eu sei, mas talvez um dos poucos métodos de comunicação que a Ilha se esqueceu de monitorar -, num pedido sombrio e desesperado de socorro. As coisas nas...
