Jaqueta do Otabin.

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A única pessoa por quem me interessei na vida foi Emira Blight. Não que Emira fosse mais acessível do que qualquer outra pessoa.

Acho que o principal motivo pelo qual me interessei foi porque ela era bonita, e o segundo porque ela era a única garota queer que conheci.

O que é meio bobo, quanto mais penso nisso.

— Eu estava conversando com uma garota da escola, bem bonita, e... espera. — Emira fez uma pausa e olhou para mim. Estávamos só nós duas dessa vez, sem o Edric. Isso provavelmente aconteceu dois meses depois de começarmos a nos sentar juntos no trem. Eu me sentia muito estressada em relação a isso todo dia de manhã e toda tarde, porque ela era muito intimidadora e eu sentia medo de dizer algo idiota na frente dela. — Você sabe que sou lésbica, não sabe?

Eu não sabia.

Ela ergueu as sobrancelhas, provavelmente por causa da minha expressão de choque.

— Ah, pensei que todo mundo soubesse! — Ela apoiou o queixo na mão, o cotovelo na mesa entre nós, e olhou para mim. — Que engraçado. Tipo, tem o Ed também.

- Ele também é gay?

Ela assentiu com a cabeça.

- Mas parando para pensar agora, eu não devia ter te contado sobre ele. Se assumir é uma coisa pessoal. De qualquer forma, finja surpresa se ele te contar.

— Nunca tinha conhecido nenhum gay — falei. — Nem ninguém bissexual.

Quase completei com “além de mim”, mas me contive no último segundo.

— Provavelmente conheceu, sim — disse ela — só não sabia que a pessoa era gay.

Pelo jeito com que disse, parecia que ela tinha conhecido todas as pessoas do mundo.

Ela ajeitou a franja com uma das mãos e disse com uma voz bem assustadora:

Estamos em todos os cantos.

Ri, sem saber o que dizer.

Ela continuou a história a respeito da garota da escola, mas tive dificuldade para me concentrar porque estava tentando assimilar o que ela havia me dito.

Demorei um pouco para perceber que meu primeiro sentimento em relação àquilo foi ciúmes. Ela estava vivendo uma experiência clássica de adolescente e eu estava fazendo lição de casa até meia-noite todos os dias.

Eu a odiei por ter tudo resolvido e a admirei por ser perfeita.

Eu era a fim dela e não conseguia evitar, mas não tinha que beijá-la.

Não tinha e não deveria tê-la beijado.

Isso não me impediu de beijar Emira Blight em um dia de verão dois anos atrás e de estragar tudo.

.

.

.

Na manhã da minha primeira prova de história, algo bem surpreendente aconteceu.

Hunter Deamonne veio falar comigo.

Eu estava lendo uns mapas mentais que tinha feito, tentando repassar toda a matéria, quando ele se aproximou de mim, passando pelas mesas ocupadas por alunos em pânico estudando de última hora.

Hunter realmente achava que era quem mandava na escola, apesar de sermos dois representantes, e com frequência fazia textões sobre capitalismo no Twitter.

Eu achava bizarro que alguém tão calma e gentil como Amity pudesse ser amiga de alguém tão horrendo como Hunter.

— Luz — disse ele quando alcançou minha mesa, e eu desviei o olhar dos meus mapas.

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