Peguei o trem para Bridgeport naquela sexta-feira. Minha mãe me fez prometer enviar uma mensagem de texto por hora. Eu ia fazer isso.
Eu ia encontrar Edric e Emira. Eles iam ajudar a Amity.
Eu me vi em uma casa razoavelmente limpa em uma área residencial. Era bem mais elegante do que eu esperava. Claro que não era uma daquelas construções brancas e chiques que todo mundo imagina, mas eles não estavam vivendo em um lixão. Eu tinha esperado paredes descascadas e janelas cheias de tábuas de madeira.
Subi os degraus até a porta e toquei a campainha.
Uma jovem branca com cabelos amarrados em um coque alto abriu a porta. Demorei um pouco para eu dizer alguma coisa porque eu não tinha ensaiado o que iria falar.
— Tudo bem, amiga? — perguntou ela.
— Hum... sim, estou procurando Edric e Emira Blight. — Pigarreei porque minha voz estava meio rouca. — Parece que eles moram aqui.
A moça fez uma cara de surpresa.
— Ah, sim! É, Ed e Em! Você é amiga deles há muito tempo ou...?
— É... mais ou menos. — Ela sorriu e se inclinou no batente da porta. — Então... eles estão?
— Não, amiga, eles estão no trabalho. Você pode ir até onde Emira trabalha para encontrá-la, se tiver tempo. É mais perto daqui. Ou pode dar um tempo aqui.
— Ah, sim. Ela trabalha onde?
— Trabalha em East End, no Daz Variety, é uma loja de variedades. Fica uns dez minutos de metrô.
Como eu estava esperando que eles estivessem sofrendo para ganhar um salário mínimo onde quer que estivesse contratando, fiquei bem surpresa quando ouvi aquilo.
— Ela se importaria? Eu estaria interrompendo ou coisa assim?
A mulher olhou no relógio na parede.
— Não, já passa das seis, então agora já deve ter diminuído o movimento. Você provavelmente vai encontrá-la na loja, ela costuma ajudar por lá até terminar o expediente, às oito.
— Tá. — Parei no degrau. Era isso. Eu encontraria a Emira. Mais tarde iria atrás do Edric.
Ou... não. Calma. Eu tinha que conferir. Só para ter certeza.
— Então, a Emira... — eu me corrigi — hum... só para ter certeza, ela... ela tem cabelos escuros...
— Cabelos escuros, olhos dourados, tão magra que passaria pela tubulação e um rosto sério como se fosse torcer seu pescoço? — A moça riu. — É ela?
Sorri com nervosismo.
— Hum, isso.
Demorei mais trinta minutos para chegar na tal loja.
Enquanto eu caminhava em direção usando o Google Maps como guia, conferi o que estava vestindo: uma calça jeans e uma camiseta roxa listrada, com meias grossas e uma jaqueta. Eu me sentia eu mesma, o que fez com que eu me sentisse um pouco mais confiante na situação.
Por um momento, um pouco antes de entrar na Daz Variety, realmente quis dar meia-volta e ir para casa. Enviei uma mensagem de texto para a minha mãe com uma carinha de choro e ela respondeu com um sinal de positivo, várias meninas dançarinas de salsa e um trevo de quatro folhas.
Entrei no prédio, demorei um pouco para encontrar Emira, mas não deveria ter sido assim, porque ela ainda se destacava como sempre havia se destacado.
Ela estava arrumando livros em uma prateleira, reorganizando e tirando alguns de uma caixa de papelão que carregava embaixo do braço. Eu me aproximei dela.
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Em busca de Hecate
Fanfiction"Olá. Espero que alguém esteja ouvindo. Estou enviando esse sinal via rádio - muito antiquado, eu sei, mas talvez um dos poucos métodos de comunicação que a Ilha se esqueceu de monitorar -, num pedido sombrio e desesperado de socorro. As coisas nas...
