Um mistério enorme

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Estávamos em um campo, depois não estávamos mais e depois voltamos a ele. Eu tinha conseguido um cobertor e Amity e eu estávamos cantando uma música de Kanye West. Amity sabia a parte toda do rap, mas eu não, então ela fez uma apresentação dramática na frente das estrelas. Estava quente e o céu estava lindo.

Estávamos na barraca e Hunter tinha dormido depois de vomitar no mato e de voltar com um arranhão enorme no braço. Amity dizia:

— Por um lado, estou pensando que esse trabalho é importante, tipo... é muito importante que eu receba boas notas e seja aceita, mas, por outro lado, meu cérebro está meio... não sei, não me importo, vai ficar tudo bem no fim ou algo assim. Então estou chegando a um ponto no qual não faço nenhum trabalho se não tiver, só faço as coisas que tenho que fazer, mas não me importo? Não sei, isso não faz o menor sentido...

Por algum motivo, fiquei assentindo, sorrindo e concordando.

— Quem é Azura? — pergunto a Amity.

— Não sei! — responde ela.

— Mas somos amigas! — digo.

— Isso é irrelevante! — diz ela.

— É alguém por quem você está apaixonada? Como diz o fandom?

Ela ri e não responde.

Estamos no meio do campo vendo quem grita mais.

Tiramos fotos borradas e escuras e postamos no Twitter. Fico me perguntando se é uma boa ideia, apesar de eu saber que ninguém conseguiria ver nosso rosto, mas não consigo fazer nada a respeito.

Hecate @BoilingIsles
@luzura luzura espontânea [foto borrada de seu queixo]

*luzura* @luzura
@BoilingIsles Hecate revelada [foto borrada dos sapatos de Amity]

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Estamos deitadas na grama.

— Acho que estou ouvindo uma raposa — digo.

— A voz dentro da minha mente é a voz de Hecate — diz Amity.

— Como pode você não estar com frio? — digo.

— Parei de sentir qualquer coisa há muito tempo — diz Amity.

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Estamos deitadas na barraca.

— Eu costumava ter pesadelos bem pesados chamados terrores noturnos, quando acordamos ainda achando que estamos em um pesadelo — digo.

— Toda noite, sinto dor no peito e tenho certeza de que vou morrer — diz Amity.

— Não acontecem mais na adolescência — digo.

— As dores no peito ou os terrores noturnos? — diz Amity.

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Estámos tentando gravar um episódio de Boiling Isles há dez minutos, mas a única coisa que aconteceu até aqui é que Amity e eu estamos brincando de pega-pega, o que me faz cair em cima dela de novo (sem querer, dessa vez). Passei vários minutos sendo um personagem que criei na hora e chamei de “Lúcia”, e agora nós três estamos brincando de Eu Nunca.

— Eu nunca... — Amity toca seu queixo. — Eu nunca peidei e culpei outra pessoa.

Hunter resmunga e eu dou risada, e nós dois tomamos um gole de nossa bebida.

— Você nunca fez isso? — pergunto a Amity.

— Não, não sou tão descarada. Assumo a responsabilidade por minhas atitudes.

Em busca de Hecate Histórias para pegar e não largar. Descubra agora