O que o futuro reserva

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Alguns meses depois

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O evento de Amity em contrato com a Live!Video era um dos principais. Às 16:00 na maior arena. Eu estava passando o tempo assistindo a uma das outras YouTubers enquanto Amity se preparava e ensaiava a apresentação com uma parte da equipe nos bastidores.

Fui para os bastidores. Tive que correr para não me atrasar porque não tinha ficado de olho na hora.

Uma mulher usando roupas pretas e um microfone de cabeça tentou me chamar quando atravessei o corredor dos bastidores correndo.

— Estou com Hecate — falei, mostrando o crachá pendurado no pescoço, e ela me deixou em paz. Acho que eu parecia ser uma fã, porque estava usando minha legging com estampada e um moletom largo de banda. Segui andando. Portas atrás de portas, sem qualquer descrição. No fim, um cartaz apontando para a esquerda. PALCO.

Esses últimos meses foram uma bagunça. Desde o reencontro com os irmãos e a saída da universidade, Amity tem estado mais comunicativa. Tem conseguido evitar a mãe embora os três irmãos acreditem que ela também não esteja muito interessada em ir atrás dos filhos.

Temos passado muito tempo juntas já que Amity foi convidada para participar do evento da Live!Video onde iriam transmitir uma versão ao vivo do programa em frente a centenas de pessoas. Então dizer que temos nos concentrado bastante era um eufemismo, dado que queríamos gerar o melhor roteiro de episódio possível, não apenas pelo evento, mas também porque essa seria a volta de Hécate. Nenhum outro episódio foi lançado desde o do ruído branco, então é claro que estávamos muito empenhadas.

 

Apesar de tudo, não tiramos muito tempo apenas para eu e Amity conversarmos sobre nós duas. É claro que abri o jogo com ela em relação aos meus sentimentos mais do que platônicos e admiti ter escutado sua conversa com Hunter naquela madrugada. Ela não ficou brava, na verdade ficou bem envergonhada, mas só porque disse que não era assim que gostaria de me contar. Não saímos para encontros, não nos beijávamos, não namoramos, mas isso não evitava que a gente trocasse olhares bobos ou que Amity ficasse com o rosto absolutamente vermelho quando estávamos próximas demais, ou quando nossos dedos se encontravam sem querer e caminhavamos de mãos dadas. Tudo era genuinamente leve, nada era forçado com Amity. Por isso, combinamos que iríamos esperar passar o dia da transição no evento de hoje. Esse foi nosso único foco nas últimas semanas.

Eu entrei à esquerda. Subi uns degraus. Passei pela porta onde estava escrito “PALCO” e me vi nas sombras da área dos bastidores. Havia polias, cordas e fios esquisitos espalhados, luzes piscando e equipamento técnico, fita adesiva espalhada por todos os lados. Homens e mulheres vestidos de preto corriam de um lado a outro, me prendendo em uma espécie de furacão de corpos.

— Está aqui com a Criadora? — um cara também vestido de preto me para e pergunta.

Respondi que sim.

Ele sorriu de modo assustador. Era bem grande, barbudo, com um iPad na mão. Devia ter pelo menos trinta anos.

— Ai, meu Deus. Então você deve saber quem ela é. Ai, meu Deus. Eu ainda não a vi. Só sei que o nome dela é Amity, mas não faço ideia de como ela é. Vicky disse que a viu, mas eu ainda não a vi. Ela deve estar esperando no lado direito do palco. Ai, meu Deus, estou muito animado.

Eu não soube bem o que responder àquilo, então deixei que ele se afastasse e dei a volta pela parte de trás do palco, um corredor estreito entre a cortina de trás e uma parede de tijolos escuros cheia de luzes, como se fôssemos aviões precisando de orientação para pousar.

Em busca de Hecate Histórias para pegar e não largar. Descubra agora