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MORGANA
PRIMEIRO ENCONTRO

Armando marcou o jantar em um restaurante conhecido na cidade, eu estava saindo do trabalho e iria direto, avisei que não usaria nada chique. Passei o dia junto ao pessoal da narcóticos, o cartel Aretas voltou a ativa e precisamos no preparar, Isabel fugiu da prisão não se sabe quem ajudou já que seu caso é arquivado e nenhum de nós tem acesso, ficamos limitados a saber se ela tem família ou qualquer coisa, depois ainda fiquei um tempo com Mike no hospital.

— Oi, está esperando a muito tempo? — Questionei ao chegar.

Ele estava usando uma calça preta, regatas brancas junta uma jaqueta de couro e contornos também pretos, uma corrente prata brilha em seu pescoço. Minha roupa não é muito diferente, estou usando calças preta junto a uma regata preta e jaqueta jeans, vans nos pés e meu distintivo está pendurado na corrente como um colar.

— Não, tudo bem. — Me guiou pelo local. — Muito trabalho?

— Sim, a cidade está uma loucura com tudo o que anda acontecendo.

Ele assentiu, nos acomodamos em uma mesa e sinceramente, Armando não tem cara de quem gosta de encontros em restaurantes e conversas muito longas. Fizemos nossos pedidos e iniciamos uma conversa, estávamos bem confortáveis na presença um do outro.

— Tenho uma pergunta. — Sorri.

— Manda.

— Sempre sai com as mulheres que quase atropela? — Arqueei a sobrancelha sorrindo.

— Só quando ela é policial, notícia em todo o país e ameaça me levar preso. — Ele apoiou o rosto na mão direita me encarando com um sorrisinho sacana.

— Válido.

— Vi a reportagem sobre narcóticos hoje mais cedo, não sabia que trabalhava com eles.

— É, eu sou agente especial no FBI e na faculdade eu estagiei diretamente com a narcóticos. Peguei um caso com eles recentemente mas não vamos falar de trabalho.

Nossos pratos chegaram e jantamos entre conversas aleatórias, Armando é muito inteligente e sincero. Sorri pouco mas sempre parece interessado no que falo, já havíamos saído do restaurante e estávamos sentados no capô de seu carro lado a lado, no píer de Miami.

— Você tem um sotaque muito bom, de onde é?

— México, mas passei mais tempo da minha vida aqui. — Balançou a cabeça. — Você também tem sotaque.

— Nasci aqui, mas morei no Brasil até meus cinco anos e voltei pra lá depois por mais um tempo.

— Interessante, sua mãe é brasileira?

— Não, meu genitor é.

Problemas com o papai? — Ele sorriu debochado.

— Na verdade não, ele foi embora e por sorte, nunca mais apareceu. — Soltei um risada junto do homem a minha frente. — O que estava fazendo naquele dia em que nos conhecemos?

— Questões de trabalho. — Se limitou. — O que você estava fazendo? Se me lembro bem, estava com tanto sangue na roupa que me assustei.

— Um oficial havia sofrido um ataque a tiros, eu estava no local.

— Hum, complicado. — Assenti. — O que te faz ficar aqui além do seu trabalho?

— Essa é uma boa pergunta. — Toquei seu braço. — Acho que a família que eu criei aqui, eles são tudo pra mim.

Família é tudo, não é?

Assenti. Sem  a minha família eu não seria nada, ficaria presa a um orfanato no Brasil, após meu pai me abandonar, por anos até ser dispensada e então não teria perspectiva nenhuma.

— Você é um cara família? Daqueles machões na rua e fofinhos em casa com os pais? — Fiz uma voz mais fina zombando e apertei suas bochechas o fazendo rir.

— Minha família é o que me move. Meu pai morreu há um tempo e eu tento cuidar da minha mãe da melhor maneira possível.

— Isso é muito lindo.

— Fez faculdade do quê?  — Questionou após um tempo.

— Direito e criminologia. Fez alguma faculdade?

— Não, na verdade não tive muito tempo para os estudos por mais que meus pais tenham negócios. — Afirmou.

— Isso é inusitado mas normal, acontece. Eu só fui pra faculdade por conta do namorado da minha mãe, se não fosse por ele eu nem saberia o que fazer.

— Algumas pessoas são luz na nossa vida, não?— Sorriu me encarando.

— Totalmente, mas algumas trazem a escuridão. É um bom contraste.

Armando riu concordando e parou em minha frente, a lua estava muito clara nos dando uma luz linda. Ele segurou minha corrente analisando o distintivo antes de segurar minha cintura.

— Vai me prender se eu te beijar?

Talvez eu prenda se não o fizer. 

— Justo. — Sorriu se aproximando o máximo antes de juntar nossos lábios.

LIE OR DIE • ARMANDO ARETASHistórias para pegar e não largar. Descubra agora