23

1.8K 175 79
                                        




MORGANA

— É o casamento do seu avô Aurora, você tem que usar um vestido e sapatilhas.

— Mais eu queria esse. — Mostrou um tênis da nike.

— O que eu te pedi hoje cedo? — Me abaixei em sua frente.

— Que eu fosse boazinha e me comportasse.

— E o que não está fazendo?

— Não estou me comportando. — Soltou o par de tênis e pegou as sapatilhas.

— Muito bem, calce seu sapato. — Deixei um beijo em sua testa antes de me afastar.

Megan sorriu ao vê-lo ir colocar as sapatilhas em silencio.

— Como faz isso? Ela é muito fofa. Marcus as vezes parece um furação e se eu falar nessa calma toda só fica pior.

— Eu já tinha gritado com ela em casa. — Soltei e acabamos rindo. Megan esta grávida novamente, está linda e radiante mas parece sentir que algo não está certo comigo no momento em que agarra minha mão.

— O que foi?

— Aurora andou perguntando sobre o pai, parece que o pai de um coleguinha me reconheceu e acabaram escutando que eu namorei um assassino, agora ela está paranóica sobre isso. Três anos tranquilos e do nada um trauma misterioso?

— Deve contar a ela, explica da melhor maneira e tudo dará certo. Pelo menos tente.

Peguei Aurora e sua bolsa antes de sair, Mike e Marcus estavam nos esperando. Em questão de minutos estávamos a caminho com Marcus gritando, ameaçando vomitar dentro do carro.

— Eu preciso de uma agua tônica, Mike.

— Gente, tem criança no carro. Vai devagar! — Gritei.

— Não dá estamos atrasados. — Avisou e fez uma manobra estacionando o carro. — Tem noventa segundos para pegar sua água, somente água e mais nada.

— Não compra doce, vozão. — Aurora falou antes de Marcus sair do carro.

***


Tio Marcus estava dançando, rebolando até o chão mas não parecia muito bem, mais cedo ele havia exagerado nos doces e bolo de casamento, e antes de chegar aqui comeu algumas balinhas e um cachorro quente com água tônica. Vi quando colocou as mãos sobre o peito e então caiu, desacordado, morrendo. Ajudei Mike a realizar massagem cardíaca no mesmo, podia ouvir o choro do pequeno Marcus e Aurora junto a Megan, ela não podia passar nervoso.

Deixei Aurora com Callie e Christine antes de seguir para o hospital, meu pai estava chorando enquanto estava observando o procedimento sendo feito em Marcus pelo vidro, o coração do meu tio havia parado por alguns minutos e seu cérebro ficou sem circulação.

— Acho que a nossa família não pode fazer comemorações. — Falei tentando mudar o clima ao entrarmos no quarto para vê-lo. — A comemoração de nascimento do Marcus e seu casamento me traumatizaram, vocês não podem morrer, principalmente na minha frente.

— Não vamos. — Murmurou. — Ninguém vai morrer.

O doutor entrou na sala após alguns minutos.

— Ele vai ficar bem, estabilizou e vamos esperar que ele acorde. Só um de vocês pode ficar com ele.

Fiquei na sala de espera, fui em casa somente tomar banho e trocar a roupa de festa por uma roupa comum já que Aurora acabou precisando passar na emergência após uma crise asmática, Marcus acordou dois dias depois se aventurando estava animado com a ideia de que não é um mortal. Segundo ele o capitão lhe avisou que não era a hora e então ele se acha invencível agora, também deixou avisado que passaríamos por problemas e que Mike teria uma escolha muito difícil a fazer.

— O vozão enlouqueceu, mamãe. — Aurora correu até mim. — Ele me deu mil dólares pelo pirulito que a Christine me deu.

— E você aceitou?

— Eu barganhei, ele me ofereceu somente cinco dólares mas só fiz por mil dólares.

— Jesus, você precisa parar de andar com seus avôs.

Peguei o cheque das mãos de Aurora e achei Marcus no quintal, arranquei o pirulito de sua boca e devolvi o cheque.

— Não barganhe com ela. Você pode morrer se continuar comendo doces, tio Marcus.

— Marcus estava comendo doces?

— Sim, pegou com Aurora.— Avisei tia Theresa. — Fique de olho no mini Marcus.

Ouvi Theresa e Mike brigando com o outro e segui para a sala, Aurora correu até mim e se sentou no meu colo, agarrando meu pescoço com os bracinhos.

— Eu quero ir pra casa. — Sussurrou.

— Está se sentindo bem?

— Sim, só quero ir pra casa. — Escondeu o rosto em meu pescoço. — Marcus está com o pai dele e eu não tenho com quem brincar.

— Aurora...

— Por favor, vovô Mike falou que podemos ir à praia mais tarde.

—A senhorita esta se recuperando de uma crise asmática, nada de praia. — Passei as mãos por seu cabelo. — Você tem que ensaiar para a sua apresentação na escola.

— Eu nem tenho pai, não faz sentido ter que participar. — Rebateu afrontosa.

Estávamos nos aproximando do dia dos pais e desde o ano passado, ela fica chatinha nessa época.

— Todo mundo tem pai, Aurora e você tem muitas pessoas importantes que querem te ver na apresentação.

— É uma apresentação para os pais. Meu pai não vai estar lá, eu não quero participar. Não me importo se meus vovôs vão estar lá mamãe, eu quero meu pai. — Saiu do meu colo e ficou em pé, emburrada.

Seus cabelos estavam soltos com os cachos bagunçados e o olhar serio me lembrava ele, Aurora cruzou os braços e bateu o pé.

— Nós conversamos sobre isso em casa, vá pegar sua bolsa. 

— Eu quero dormir na casa do meu vô e da Christine. — Apontou para os dois que estavam conversando na cozinha e bateu o pé fazendo birra.

— Você vai pra casa, pega a bolsa e se despede dos seus tios.

— Mas... — A interrompi.

— Não estou pedindo, pega a bolsa e se despede dos seus tios. Agora!

Mike se virou no momento em que a viu passando com raiva, batendo os pés firmes ao andar.

Armando 2.0 — Marcus sussurrou.

Morgana 2.0 — Mike falou no mesmo momento.

LIE OR DIE • ARMANDO ARETASHistórias para pegar e não largar. Descubra agora