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MORGANA

Aurora estava emburrada na cadeirinha enquanto eu dirigia, estávamos atrasadas para uma das reuniões de sua escola e em seguida eu teria que encontrar com Mike. A pequena estava chateada por alguma coisa mas não queria dizer e eu tenho certeza que é por Armando não poder estar presente em sua apresentação. Já tínhamos ido visitar Armando há dias mas ela não havia superado e nem iria.

Vamos na reunião e depois para a casa do vovô Mike, Christine quer te levar ao parque. — Iniciei.— Pensei em comprar aqueles doces que você gosta e a gente maratona filmes de princesa a noite, o que você acha?

— Eu quero tacos também.

— Tudo bem, doces e tacos.

— Porque você chegou tarde, mamãe? Tia Megan levou a gente no cinema ontem e você não foi, seria legal se tivesse ido.

— Aurora, eu tive uma emergência no trabalho. Precisei ir até um lugar bem longe. — Olhei pelo espelho do carro e a menina estava olhando pela janela. —Eu vou tentar tirar uma folga e então podemos ir a qualquer lugar que você quiser ou só ficar juntinhas em casa. O que acha?

— Juntinhas em casa? — Assenti. — Eu quero.

— Tudo bem, vou marcar uma folga então.

Estacionei o carro em frente a escola, ajudei minha filha a descer do carro e seguimos até sua sala, a professora estava entregando um papel na porta enquanto a diretora já discursava algo.
Me sentei no fundo da sala e Aurora se sentou em meu colo, o pai do Bryan, Omar, estava a poucos metros de nós me observando. Meu distintivo estava pendurado no pescoço e a arma no coldre na cintura, eu sabia que aquele homem era um policial e por isso ficava de olho em mim, como se eu não fosse acima dele na corporação.

— Queríamos dizer que a participação de vocês nesses projetos é muito importante... Estamos a meses do dia dos pais e já estamos planejando como será, os alunos estão ensaiando uma dança. — Avisou. — Soube de alguns alunos que não querem participar e preciso do interesse e participação dos pais.

Ficamos naquilo por algum tempo, todos os pais pegaram papeis sobre o desenvolvimento de seus filhos e a professora explicou um pouco sobre pontos específicos de cada criança.

— Vou ficar com a Christine hoje então? — Saltitou pelo estacionamento.

— Sim mas garanto que vou arrumar um dia de folga. — Sorri vendo-a fazer joinhas com as mãos.

—Ei, você é a Morgana não é? —Omar se aproximou questionando.

—Sim, o que quer?

— Sua filha agrediu o meu filho a dois dias. — Iniciou e Aurora cruzou os braços.

— Ele puxou meu cabelo. — A menina afirmou parando ao meu lado e segurou minha mão. —E bateu na Lily, não podemos deixar um menino bater na gente.

— Acho que tem sua resposta. — Afirmei.

— Nada justifica, ela socou o rosto dele.

— Ensine o seu filho a tratar uma garota e eu não vou precisar ensinar a minha a se defender.

Peguei Aurora no colo e abri a porta do carro, a colocando na cadeirinha com pressa e bati a porta, o homem ainda estava ali. Entrei no carro e Aurora estava com o tablet nas mãos, suspirei olhando o homem se afastar aos poucos.

— Eu não contei que bati no Bryan porque a senhorita já estava muito ocupada.

— Amor, eu nunca estou ocupada quando se trata de você. — Me virei para observa-la.

— Mais seu trabalho é difícil e você tinha saído com o vovô e...

— Está tudo bem, Aurora. — Segurei a mãozinha da mesma. — Você pode me contar tudo, se eu estiver no fim do mundo e você me ligar, eu vou vim até você. Entendeu?

Ela assentiu, sorrindo fraco e aliviada.

— Eu te amo, mamãe.

— Eu te amo mais.

***

Havíamos recebido uma mensagem do numero do Howard ontem assim que voltamos da visita ao Armando. O capitão havia passado um aviso, indicou uma charada e precisávamos entender mais.

— Estamos de acordo que gigante fundo de garrafa é o Fletcher mas assim, o cara não esta envolvido com essas coisa a um tempo. — Afirmei.

Estamos indo até o cara, Fletcher é um informante para a polícia mas mente muito e por isso paramos de chama-lo. Saímos do carro e precisávamos atravessar a avenida.

— O galpão do Fletcher fica mais ali na frente. — Mike apontou.

Mike, eu nem ia te falar isso. — Iniciou.

— Então não fala.

— Deixa ele desabafar. — Reclamei.

— Vocês precisam ouvir, é papo seríssimo.— Parou a nossa frente. — Eu não morro.

— O quê?

— Eu não posso morrer. — Afirmou e eu segurei a risada.

— Oh idiota, você morreu bonito no meu casamento a duas semanas. Lembra?

— Mais não morri, se liga.

Marcus saiu andando de costas na avenida movimentada, dançando e zoando.

— O Marcus... Não! — Saímos em disparada desviando dos carros e pedindo para pararem, claramente sem sucesso.

— Tio Marcus, para com essa merda.

Mike quase foi atropelado, assim como eu. Os carros estavam buzinando enquanto desviavam, um Porsche freou encima da gente e o motorista saiu reclamando, Marcus parou na calçada rindo.

— O que foi isso? — Mike questionou, cara a cara com Burnett.

— Tem que confiar Mike, confie em si mesmo. Confia no universo.

Abriu os braços e sorriu.

— Vamos confiar no universo e torcer para ser imortal mesmo porque se continuar com essa merda, vai morrer rápido. – Dei dois tapas em seu ombro.

— Para com essa merda, Marcus. — Avisou.

— Não está na minha hora, Mike.

— Tá, valeu. — Sacou a arma. — Então se eu der um tiro na sua fuça, você não vai cair morto?

— O destino definiu que você não vai atirar na minha fuça.

— Eu to falando que você disse que se eu atirar em você, você falou que não morre?

— O gente, vamos logo.

— O destino não trabalha com hipóteses.

— Ei, o que está fazendo? Eu vou chamar a policia. — Uma senhora branca gritou de um carro.

— Somos a policia, mete o pé. — Mostrei o distintivo

— Vai pegar um sol. — Mike completou e voltou a encarar meu tio. — Para com essa porra, Marcus.

LIE OR DIE • ARMANDO ARETASHistórias para pegar e não largar. Descubra agora