25

1.8K 187 78
                                        




MORGANA

Christine estava com Aurora, a mais velha estava saindo de sua clinica quando chegamos com minha filha. Mike estava dirigindo e como sempre com a velocidade acima do permitido, a prisão onde Armando está é escondida por uma grande floresta, a estrada que usamos para chegar é vazia.

— O que vai dizer a ele? — Marcus me questionou. — Ele sabe da Aurora, não sabe?

— Ele sabe que eu estava gravida e mais nada.

— Você é bem filha da puta. — Riu fraco. — O cara nasceu na prisão, foi enganado a vida toda, quase matou o próprio pai e você esconde uma filha dele?

— Não da pra colocar uma criança no meio disso tudo, Marcus. — Ouvi Mike concordar.

— Mas deu pra fazer ela, né? Aposto que amou enquanto estava no bem-bom. Você tem que contar a ele.

— Não, é a primeira vez em quase quatro anos que vou ver ele. Não vou falar desse jeito.

— Não dá pra esconder pra sempre e ele tem que saber, ele é o pai. — Afirmou.

— Eu não estou escondendo, Marcus... só não acho justo levar a Aurora pra conhecer o pai na cadeia, não é um ambiente de criança não.

Marcus ficou em silêncio mas mas começou a fazer uns barulhos.

— Fala logo, o que está te incomodando? — Mike questionou.

— Parando pra pensar. O Armando é bem acostumado com cadeia né? O maluco nasceu na prisão. — Soltou horrorizado.

— Fica mudo, Marcus. Mudo.

Depois de dez minutos estávamos passando pela revista e então fomos liberados, Armando estava sentado em uma mesa que colocaram dentro da cela, como se ele fosse um bicho e pudesse se soltar.

Meu coração doeu ao vê-lo, havia muito tempo desde a última vez que o vi ou ouvi sua voz. Se olhar sério me levou até Aurora novamente, precisava me lembrar de que não contar nada é para segurança dela, dói em todos nós mas a mantém segura.

— Como você está? — Mike iniciou.

— Preso. — Murmurou e me encarou. — Você não vai falar nada?

— Não é momento pra isso. — Afirmei.

— Na verdade...— Marcus tomou frente mas Mike o interrompeu.

— É olha, a gente precisa de ajuda. Tão dizendo que o capitão Howard era corrupto, tá sabendo de alguma coisa?

— Vai reduzir minha pena se eu falar?

— Estamos vendo isso, mas estamos pedido a você. Precisamos de você. — Suspirei. — Eu preciso de você.

— Queremos saber se o capitão Howard trabalhava com os cartéis. — Mike questionou.

Olhei pra os lados e um dos guardas prestava atenção em nós e digitava algo.

— Não, mas ele estava encima dos caras. Ai ele virou alvo.

— Não não não, o capitão morreu porque era mais um na lista da sua mãe.

— Não, botaram ele lá. — Suas mãos estavam para fora das grades. — A sua galera quis culpar a gente. A sua galera queria ele morto.

— Como assim sua galera? — Marcus interrompeu.

— Abre teu olho, vocês estão no jogo mais não conhecem as regras. Tem jogador desonesto no seu time.

— Cascateiro. — Marcus murmurou.

— Calma, quem? Sabe dizer?

Armando olhou para o lado, como se estivesse buscando na memória.

— Eu só vi uma vez.

— Consegue identificar?

— Consigo.

— Qual o nome dele?

— Eu não sei o nome. — apareceu entediado. — Só minha mãe, ela fechou tudo com ele.

Marcus soltou uma risada.

— Eu sabia que era pra ter deixado a bruxa viva.

— Marcus. — Mike apontou para Armando.

— Que ela descanse em paz. — Apelou.

— Vacilo.

Mike falou mais algumas coisas e se despediu de Armando.

— Deveria falar com ele. — Marcus me empurrou antes de sair com o outro.

Armando estava me encarando, parecia inseguro.

— Como você está de verdade?

— Como o nosso filho está? — Rebateu.

Olhei para o guarda novamente e dessa vez ele me observava então virou rapidamente. Armando seguiu meu olhar mas logo se virou para mim novamente.

— Bem.

— Quase quatro anos sem me dar notícias e agora aparece assim?

— É perigoso, se resolvem atacar a minha casa? Se tentarem algo? As pessoas querem te matar e muitos querem me matar, matar seu pai...

— Eu entendi. — Apertou as grades. — Eu sou um perigo para nosso filho, Morgana entendi.

— Armando, não é isso... — Me interrompeu.

— Me diga que está tudo bem e eu vou ficar bem com isso, me garanta que a criança está a salvo.

— Está, estamos bem.

— Isso é tudo que me importa.

— Você tem certeza de que consegue identificar o cara? — Questionei.

— Já falei tudo que tinha pra falar Morgana. — Me olhou nos olhos. — Você ignorou minha existência por quase quatro anos e agora quer vir me questionar sobre isso, quando tempos coisas mais importantes para falar?

— Você nunca se quer mandou a porra de uma carta, eu passei por toda essa merda sozinha. Mike sempre vem te ver e sua única pergunta é "conseguiu resolver?", você tem um papel a fazer Armando, poderia ter pelo menos me perguntado o nome, se ela pergunta de você ou se tem seu sobrenome.

Ela?

— Você me culpa por nunca ter te procurado mas eu estava ocupada tentando ser mãe, tentando ser para uma criança o que eu não tive. Eu estava sendo processada pelo estado e por isso não pude ver você, eles me proibiram de ter qualquer contato com você. Eu fui obrigada assinar um documento que me impedia de ver você, não é uma escolha minha.

Ele se levantou sem me dar tempo de falar alguma coisa e fez um sinal para o guarda que se aproximou e me tirou dali, alegando que o tempo havia acabado.

LIE OR DIE • ARMANDO ARETASHistórias para pegar e não largar. Descubra agora