MORGANA
Estávamos todos na sala da AMMO, analisando as informações que pegamos com a venda de Booker. Mike estava do outro lado da sala, ainda chateado pela minha intromissão em sua luta com o atirador. O capitão não estava presente hoje pois estaria no jogo de basquete de Callie e nós iríamos lá.
Deixei Dorn analisando os áudios e passei por Kelly e Rafe, Rita estava afastada.
— Onde tem dormido? — Escutei a voz baixa de meu pai.
— Casa de um amigo.
— Amigo? Homem? — Sua voz ficou mais alta. — Acho que estou passando mal.
— Relaxa Michael, eu trato a sua filha com muito carinho. — Rafe afirmou.
— Claro que trata, tem que tratar sua madrasta bem ou seu papai corta sua mesada. — Kelly não segurou a risada com a minha fala.
Mike não falou nada apenas apontou para o garoto como se fosse mata-lo, meu celular apitou, o jogo de Callie começaria logo.
— Estamos indo, qualquer coisa me liguem.
Dirigi calmamente até a quadra, haviam várias crianças correndo enquanto seus pais observavam e o jogo já havia começado.
Me sentei ao lado do Capitão após cumprimentá-lo, gritando por Callie, a garota sorriu acenando em nossa direção. Mike já iniciou o assunto, fazendo o capitão prestar atenção mas o mais velho o interrompeu.
— Tem um cara budista, ele é o cara da montanha que vive no alto. Ele tem que descer por um caminho sinuoso até que do nada chega um outro cara em cima de um cavalo indo pra cima dele. — Ele iniciou, já havia ouvido isso por muitas vezes então me desliguei, prestando mais atenção ao jogo. — Ele é budista também, na verdade eu não sei.
— Deixa os dois serem budistas, capitão. — Ouvi Mike.
— Então o cara do cavalo está indo pra cima dele tão rápido que ele tem que sair da frente pra não ser atropelado pelo cavalo, o cara levanta todo sujo e fala " ai, pra onde é que você está indo cacete?" E o cara do cavalo responde "eu não sei, pergunta pro cavalo".
— Não entendi, de novo.
— Pergunta pro cavalo? Sei...— Mike parecia confuso.
— Exatamente. — Respondeu prestando atenção em nossos rostos. — Viu a reação, é essa! Essa é minha cara, o cavalo representa todos os nossos medos e botam a gente para correr a 150km até que chega em um momento em que a gente não consegue responder a uma simples pergunta "pra onde você vai?"
Balancei a cabeça, entendo onde chegaria.
— Aonde você vai parar, Mike? — Ele se levantou e voltou a gritar com Callie, tentando auxilia-la no jogo.
Callie arremessa mas erra a cesta, grito que está tudo bem e todos aplaudem mesmo com o erro.
— É a maldição da família Mike, você tem que dar um rumo para sua vida. Precisa segurar as rédeas antes que o seu cavalo te jogue de um penhasco.
Observei o mais velho se afastar e segurei a mão do Lowrey, ele estava pensativo.
— O senhor sabe bem o que eu acho de tudo isso, não vamos deixá-lo escapar mas acho que você precisa ter paciência. Pense no que o capitão disse, estamos passando por muita merda a muito tempo, não se perde no meio disso não. — Apertei sua mão. — Sei que não quer família ou algo assim, não vamos obrigá-lo a sossegar nesse sentido mas, aprenda a ter cuidado e pensar antes de se jogar de cabeça numa vingança pai.
— Eu amo você. — Sussurrou.
— Amo você mais.
— Vocês vão vir? — Ouvi Callie gritar a mando do avô e correr junto com as amigas em seguida. Descemos as escadas seguindo até o estacionamento ao lado do Howard.
— Venham jantar com a gente, Callie vai amar e eu conto mais histórias, tenho um livro ótimo.
— Você vai cozinhar de novo?
— Eu vou, ué. — Fiz careta.
— Vish...
— Qualé, a gente pede pizza. — Fez um gesto com as mãos balançando a chave do carro.
— Tá', ai pode ser. — Mike riu seguindo para seu carro.
Antes que eu chegasse abrir a porta do carro um barulho fino e denso se espalhou, o capitão estava no chão e ouvi alguns gritos. Automaticamente me joguei ao seu lado, tentando estancar o sangue que saia de sua garganta, Mike olhou a volta procurando por alguém.
— Capitão! — Meu pai se agachou ao meu lado tentando me ajudar com o estancamento.
Olhando a nossa volta não conseguíamos ver nada suspeito mas haviam dois prédios de onde o atirador poderia estar nos observando. Uma moça se querendo ajudar mas não poderíamos deixá-la em risco, puxamos o capitão para trás do carro com pressa e apoiei sua cabeça no meu colo, ajudando na pressão do ferimento para o sangramento.
— Chama ajuda, liga para a emergência. — Afirmei afoita.
— Preciso de reforços, troca de tiros, policial ferido no Parque Ross Marti. — Ouvi Mike quase gritar. — Eu preciso do helicóptero aqui, é o detetive Mike Lowrey, o capitão está ferido. Repito o capitão está ferido.
As lágrimas rolavam pelo meu rosto enquanto tentávamos fazer o capitão continuar conosco mas o sangue era demais, minha calça já estava molhada com seu sangue assim como minhas mãos e camiseta. Olhei para o prédio mais à frente novamente, minha visão estava embaçada mas havia um ponto vermelho ainda em nossa direção.
Ele vai morrer por tudo que está fazendo conosco.
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LIE OR DIE • ARMANDO ARETAS
Fanfiction• A BAD BOYS FANFIC • Morgana já havia perdido muito, mas a família que criou era tudo que a importava. Armando tinha tudo, mas mataria pela família que lhe foi tirada. ... Morgana e Armando acabam se envolvendo, sem conhecimento mútuo sobre a vi...
