02

2.9K 238 56
                                        

MORGANA

Rita não me deixou dirigir, estava nervosa demais.
Era a segunda vez que eu via alguém importante ser baleado na minha frente, tudo bem, eu sou Agente Especial do FBI e vejo esse tipo de coisa o tempo inteiro, mas é diferente, Mike me criou como sua filha. Me deu estrutura para ser quem sou hoje, me adotou e cuidou de mim quando minha mãe morreu.

Estávamos no hospital por mais de doze horas, Marcus estava na capela do hospital e eu estava supondo que ele provavelmente estava fazendo uma promessa que não conseguiria cumprir, mas tudo bem, cada um com sua fé.  Mike havia estabilizado em coma agora, o coração dele parou por alguns instantes e sendo sincera, me deixou sem esperanças.

— Vá para casa tomar um banho e comer algo, querida. — Theresa, esposa de Tio Marcus, se sentou ao meu lado. — Ele vai ficar bem mas você precisa estar bem também.

— Promete me ligar se algo acontecer.

— Nada vai acontecer, Morgan. — Segurou minha mão. — Nada, vá em casa tomar um banho e comer.

— Tudo bem, avisa o tio Marcus por favor.

— Pode deixar, estaremos aqui quando voltar.

Forcei um sorriso, tia Theresa cuidava de mim assim como Marcus e Mike, todos me tratavam como filha. Saí da ala de internação e peguei o elevador, minhas mãos e roupas ainda estão sujas de sangue, o cheiro está me incomodando e só percebo quando chego a calçada, meu carro não estava aqui, na verdade nem me lembrava de onde havia deixado. Suspirei aceitando que deveria ir caminhando já que meu celular estava descarregado e estava sem minha bolsa.

Segui pela calçada da avenida principal, acharia um taxi por ali. As ruas estavam movimentadas e as pessoas me olhavam estranho, não sei explicar se era por estar chorando ou pelo sangue em mim, talvez fosse os dois. Suspirei segurando um soluço, o sinal fechou a minha frente e resolvi atravessar mas no momento em que estava cruzando a rua, uma ranger roover preta surgiu, freando encima de mim. O motorista estacionou próximo a calçada e desceu do carro imediatamente, resmungando algo em espanhol.

— O sinal está fechado. — Apontei, o rapaz me encarava serio. Meio estático. — Poderia ter me atropelado, e se fosse uma criança?

— Você esta bem, esse sangue é seu? Está machucada?

— Não. — Funguei, ele se aproximou tocando meu ombro. — Não é meu. Você deveria prestar mais atenção.

O rapaz me segurou pelos ombros e tirando do meio da rua, me olhando como se procurasse por algum machucado.

— Entra no carro, vou te deixar em casa ou no hospital.

—  Não. — Me afastei para sair andando.

— Você parece precisar de ajuda. De onde vem esse sangue?

Levantei a camiseta mostrando o distintivo no cós da calça, seu semblante permaneceu sério.

— Tente não atropelar ninguém ou posso prender você.

Ele sorriu, acenando rapidamente. Me virei seguindo meu caminho, parando um táxi logo em seguida. Rita havia me mandado informações sobre o ataque, já que as balas haviam sido levadas para perícia então segui direto para o departamento após tomar banho e me trocar.

Não vamos deixar quem fez isso escapar.

***

As semanas estavam se passando e o terror chegou em Miami.

Uma guerra contra a policia se iniciou. O promotor Vargas foi morto, seguido pelo perito Jack Weber, o juiz Leon enquanto Mike continua no hospital, o ataque contra ele iniciou tudo isso, era um aviso. Deixei tio Marcus pintando o cavanhaque de Mike, precisava ir até a delegacia. Fiquei afastada por meses e agora, precisava voltar e encontrar quem fez isso, ajudaria a AMMO nisso ou faria sozinha.

Meu carro estava estacionado a lado de uma range roover, o motorista estava parado de braços cruzados apoiado no capô do carro. Já havia visto ele antes mas não me recordei de onde. Destravei meu carro, deixando minha bolsa no banco de trás e bati a porta.

— Você me multou em mil dólares. — Ouvi. — Eu te ofereci ajuda após aquele incidente e me multou em mil dólares.

—Desculpe, quem é você?

— O cara que quase te atropelou. — Seu olhar parecia indecifrável.

— Ah sim, eu multei você.

— Eu não é possível. — Jogou o papel em mim. — Você é louca?

— Você quer algo? Eu tenho que ir. —  Entrei no carro mas ele segurou a porta.

— Seu nome.

— Não vai ter essa informação.

— Você é louca. — Bateu a porta do carro rindo e pegou o papel que ele mesmo jogou e colocou no painel do meu carro. — Retire essa multa.

Não respondi, liguei o carro e dei partida dali. Duas quadras depois pareci no sinal vermelho e aproveitei para analisar o papel, havia um número de telefone ali, revirei os olhos rindo antes de seguir para o departamento mas ainda estava intrigada, o carro não estava no nome dele. Na verdade não achei nada relacionado a ele e se não fosse pelas câmeras de trânsito não teria conseguido multar.

"Devo considerar te prender ou seus planos são outros? "

"Temos um jantar marcado para as oito na sexta."

" O que te faz pensar que eu irei? "

" Ninguém dispensa comida mexicana. "

"Droga, você tem um ponto."

"Te vejo na sexta e não me mande mais multas, por favor."

LIE OR DIE • ARMANDO ARETASHistórias para pegar e não largar. Descubra agora