Capítulo 27

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Não me deixe sozinho, me entenda
enquanto você me amar, me abrace forte
Não me deixe sozinho, me proteja
enquanto você me amar, me abrace forte♪

♪Don't Leave Me Alone, GOT7

~Erick O'Brien 

Acordei um pouco nervoso hoje. Minha mãe tinha organizado um jantar em família que serei obrigado a ir e, claro, vou ter que vestir uma roupa social que definitivamente não faz o meu tipo. Quando meu pai me contou sobre o jantar em família que ela havia organizado, minha vontade foi de desaparecer da face da Terra. Nada de bom vem desses jantares, acredite.

Me estressei com minha gravata e a joguei para longe. Ela ficou pendurada na beirada da cama.
Vasculhei meu closet inteiro atrás de uma camisa de botões branca, encontrei também uma calça social branca e logo embaixo mocassins também brancos. Revirei meus olhos momentaneamente e troquei de roupa o mais rápido possível. Acho que pela primeira vez em anos não me atrasei para alguma coisa. Na verdade acho que cheguei antes de todos. Estava tudo vazio - parcialmente, para ser sincero. Apenas sei que não tinha rostos conhecidos. Rostos da minha família.

Fiquei sentado no capô do meu carro que estava estacionado no estacionamento do restaurante enquanto usava a câmera do meu telefone de espelho - não havia arrumado meu cabelo. Não que ele estivesse bagunçado, mas poderia estar mais decente, por assim dizer.
Peguei um elástico que usava para amarrar meu cabelo e parcialmente amarrei meu cabelo, deixando uma parte dele solto.
O roncar suave de motor ecoou pelas ruas, um De Tomaso P72 vermelho vinho estacionou logo ao lado do meu carro. Era o John, meu pai.
Saltei do capô do meu carro e fiquei esperando para que ele abrisse a porta, seu rosto estava surpreso. Não acho que ele esperava me ver aqui tão cedo. Ninguém espera que eu chegue primeiro em algum lugar, normalmente sempre sou o último.

- Que mundo é esse que você chega primeiro? - meu pai dá risada enquanto fecha a porta do carro - Está ansioso para ver a sua mãe, é?

- Em primeiro lugar não me atraso sempre...

- Só na maioria das vezes, não é?

Olhei meu pai com a melhor carranca que pude fazer naquele momento apesar de saber que era verdade. Esse idiota ainda estava rindo.

- E outra coisa, não estou ansioso para ver a Marina - retruquei sério - Estou ansioso para que isso acabe logo.

- Eu também estou. Marina e confusão são um sinônimo, principalmente com esses jantares que ela organiza - meu pai deu alguns tapinhas no meu ombro direito.

Depois de alguns minutos minha mãe chegou com um carro que não me dei o trabalho de tentar descobrir a marca. Esperei que somente ela fosse sair do carro, mas uma garota de cabelo longo e preto com uma pele um pouco mais clara que a minha deixou o carro logo depois. No fundo estava sentindo que conhecia aquela garota. O nariz e o formato dos olhos eram muito semelhantes aos meus.
Apenas sei que essa garota correu até mim com um sorriso e me abraçou com força. Seu cheiro era familiar.
Eu sei que estava com um olhar constrangido no rosto porque a garota fez uma cara feia para mim. Aquelas bochechas cheias de ar, o vestido florido...

- Sophia? - perguntei enquanto coçava a nuca.

- Uau, achei que fosse demorar milênios 'pra que percebesse que era eu - Sophia reclamou alto com um beicinho - E ainda se diz meu irmão...

- Mas eu sou seu irmão! É que você 'tá bem diferente da última vez que eu vi você. E pelo que eu me lembre, a última vez que vi você foi há...

- Dez anos atrás - meu pai concluiu com uma voz decepcionada.

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