Capítulo 36

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♪É como dizem, quem procura, acha♪

~Félix Rodrigues

Soltei o lápis em cima da mesa, finalmente criei coragem de desenhar de novo e dessa vez estava tentando desenhar algo diferente depois de fazer uma coisa que não me arrependo, mas que estou ciente que é errado.

Voltei a desenhar com breves rabiscos que logo se tornaram em um desenho de um campo, era a primeira vez que estava desenhando com lápis de cor diretamente no papel.
Fiquei alguns minutos concentrado no desenho até que uma batida na porta me fez apertar o lápis com mais força do que poderia contra o papel. E lá se vai a ponta do meu lápis, caralho.
Levantei do sofá com uma carranca e com passos pesados fui até a porta, abri a porta enquanto olhava para trás então nem cheguei a ver Erick logo de primeira.

Um sorriso surgiu no meu rosto de imediato. Ainda estava tentando me acostumar com tudo isso. Com os sorrisos, o carinho, a preocupação.
Acho que nunca vou me acostumar com isso, principalmente com o Erick.

Ele tinha um olhar preocupado e confuso, algo bem incomum de se ver no rosto dele, normalmente se vê um sorriso de ver os dentes na cara dele.

- Tem alguma razão especial 'pra você estar aqui? - perguntei, liberando caminho para que ele pudesse entrar.

- Não especial, 'tá mais 'pra preocupação - Erick respondeu, seu olhar agora estava repreensivo.

- Por que esse olhar? Eu fiz alguma coisa?

- Não sei. Por isso que eu 'tô aqui.

Certo. Talvez, somente TALVEZ eu me arrependa um pouquinho do que eu fiz, até porque o Erick parece bem preocupado.

Vi ele se sentar no sofá da sala e me encarar, o olhar dele estava uma confusão bem grande, não sabia dizer se isso era coisa boa. Parece bem ruim, na verdade. Ele puxou o cabelo para trás e o arrumou atrás da orelha, logo Erick olhou para mim e riu, de nervoso.

- Você viu as notícias, não viu? - seu olhar acusatório era engraçado.

- Que notícias? - dei de ombros e fui para a cozinha. Escutei os passos dele, então com certeza ele veio comigo.

Erick pegou o telefone que estava no bolso e abriu o navegador, logo na primeira notícia tinha uma foto vergonhosa da mãe dele. Vergonhosa para ela, pelo menos.
Na foto o cabelo dela estava completamente bagunçado, todo para cima. A maquiagem estava totalmente borrada, o batom basicamente estava manchando o rosto dela inteiro. Seu vestido obviamente caro estava tal como o bagaço de uma laranja. Era uma foto daquelas.
Não pude deixar de rir quando vi a foto, Erick por outro lado ficou com as sobrancelhas arqueadas e cruzou os braços.

- Você não 'tá envolvido no vazamento dessa foto, né? - Erick me segurou pelos ombros com firmeza.

- E o que faz você pensar que eu esteja? - perguntei, com um sorriso sapeca.

- Félix, você não... por quê?

- Eu avisei você que se ela tentasse infernizar a minha vida que eu iria transformar a vida dela em um inferno. E eu fiz.

Erick respirou fundo e evitou meu olhar por alguns segundos, seu silêncio era agoniante, não sabia dizer o que ele estava sentindo exatamente. Raiva? Indignação? Surpresa?
Não sabia dizer. De qualquer forma eu avisei que faria isso e eu fiz.

De repente, Erick bagunçou meu cabelo e começou a deixar vários beijos pelo meu rosto até parar de maneira repentina. Suas mãos enormes apertavam minhas bochechas e um sorriso sem graça tomava conta dos lábios dele.
Nos encaramos por poucos minutos antes do Erick me segurar nos braços e me lançar um olhar sério. Por um momento fiquei com medo que ele estivesse com raiva, mas depois de poucos segundos sua expressão séria relaxou e um suspiro derrotado veio logo em seguida.

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