Capítulo 37

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♪Bundle Of Joy♪
♪Divertidamente

Félix fechou os olhos e massageou as têmporas cuidadosamente, dei um sorriso vitorioso, mas acabei recebendo um olhar que me mataria se fosse uma arma - com certeza me mataria.
Sentei na mesa ao lado do Félix, porém dessa vez sem o sorriso imbecil que tinha antes, o silêncio incômodo dele deixava claro que estava chateado com as minhas gracinhas.
Admito que dessa vez eu possa ter passado dos limites sem querer.

Preocupado, toquei o ombro do Félix cuidadosamente, aqueles olhos amarelos - aqueles lindos olhos amarelos - se reviraram para mim e um mostrar de dentes irritados. Meus olhos se focaram especificamente nas tatuagens novas que o Félix tinha feito no pescoço.

- Desculpa - falei quase num sussurro, apertando minhas mãos.

- Só não jogo minha câmera em você porque ela foi cara. E porque não quero machucar você... - Félix sussurrou a última parte, assim se virando de costas.

- Ainda 'tá bravo?

- Claro que sim, porra. A gente não pode trabalhar um dia sem interromper o processo de fotografia? Hm?

Fiquei calado, me sentia um pouco envergonhado e culpado por deixar ele com raiva desse jeito.
Escutei as reclamações dele completamente calado para que o Félix se sentisse melhor, prestei atenção em cada detalhe porque eu sei o quanto ele ama ser ouvido. Principalmente em relação às frustrações dele.
Assim que ele terminou, o Félix escondeu o rosto com a câmera, podia escutar ele ainda resmungando. Não sobre mim, mas sobre sua falta de paciência - não acho ele impaciente, não agora, pelo menos.

Félix afastou a câmera bem quando estava prestes a tirar a câmera da frente do rosto dele para tentar confortar ele, seu olhar era vago, mas curioso. Algo estranho vindo dele.
Depois de alguns segundos finalmente Félix voltou a olhar para mim, um olhar arrependido e envergonhado.

- Desculpa por... por reclamar tanto - escutei Félix fungar baixinho.

- 'Tá tudo bem, sei o quanto é valioso 'pra você que alguém te escute - abri um sorriso.

- Mas de verdade, desculpa.

- Não tem problema, é melhor do que você passar estresse e ir para o médico de qualquer jeito.

Félix riu depois que terminei de falar, a risada dele é tão... tão bonita, mas é tão tímida. Quase uma risada silenciosa, eu diria.

Alguns minutos depois terminamos de tirar as fotos, agora restava editar e mandar para os clientes.
Nem acredito que montei um quarto somente para o Félix, ele tem um computador, outras câmeras, tudo o que ele precisar para trabalhar comigo aqui ele tem naquele quarto. Tem até algumas roupas dele aqui.

De alguma maneira me sentia inquieto, queria conversar com o Félix, mas sabia que ele estava ocupado no momento. Por muito tempo pensei que quando Félix editava as fotos ele não piscava e realmente ele não pisca muito, sempre achei que estivesse maluco, que fosse coisa da minha cabeça. Mas não era.
De repente, o Félix parou de editar as fotos, ele ficou completamente estático. Paralisado em silêncio. Vez ou outra os olhos dele encaravam a própria câmera com uma certa incerteza, depois voltavam a encarar o computador e voltavam de novo para a câmera. Então Félix respirou fundo e pegou a câmera, finalmente tirando a preocupação que estava me dominando. Ele estava usando a câmera como uma espécie de espelho, vendo seu reflexo e arrumando o cabelo um pouco bagunçado.

Apoiei meu queixo no ombro esquerdo dele e acabei sorrindo, como sempre faço. Em momento algum pensei que ele fosse virar a cabeça para o lado e me beijar, fiquei tão entretido com o beijo que não percebi e nem ouvi a câmera - Félix fotografou nós dois. E se beijando?!
Pensei em questionar, mas Félix preparou a câmera para outra foto. Puxei ele para mais perto, apertei suavemente meus braços ao redor da cintura dele e sorri sutilmente.
Assim que as fotos apareceram no computador Félix pareceu satisfeito, bem, não satisfeito exatamente, feliz.

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