Capítulo 28

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Algum dia, de alguma forma
Vou fazer com que tudo fique bem,
mas não agora
Eu sei que você está se perguntando quando

Someday, Nickelback

~ Félix Rodrigues

Pela primeira vez ouso dizer que estou feliz na minha vida. Talvez porque estou... não. Não pode ser por causa disso. Estou feliz porque estou ficando melhor, não porque estou afim do meu chefe atual. Na verdade não estou afim dele, eu só... gosto da companhia dele.
Estranhamente estava sentindo meu coração palpitar só de pensar naquele imbecil. E não era um palpitar de raiva - era um palpitar totalmente desconhecido por mim. Até que eu gostei desse palpitar. Estranho.

Atravessei a rua em passos rápidos enquanto segurava a alça da minha câmera. Estava muito mais ansioso do que pensava. Talvez não seja tão ruim assim gostar da companhia dele.
Senti um sorriso idiota formar no meu rosto e eu tentei várias vezes me livrar dele, mas ele acabava voltando. Ouso dizer que o Erick, de alguma maneira, mexeu comigo. Alguma coisa mudou dentro de mim.
Parei próximo às portas da empresa, precisava recuperar meu fôlego, estava caminhando muito rápido e sentia que meus pulmões iriam me bater se continuasse caminhando por mais alguns segundos.
Suspirei me apoiando na parede com os olhos fechados. Quando os abro novamente a mãe do Erick estava parada na minha frente. Fechei meus olhos momentaneamente e tentei passar pelas portas, mas ela me puxou para trás com suas unhas fixadas no meu pulso.

- Fique longe do meu filho - ela rosna com aquele batom mal passado na boca.

- Não acha que deveria deixar seu filho viver? Sabe... ele é a porra de um adulto - respondi, ficando sério no final.

- Pouco me importa se meu filho é um adulto. Eu não aceito e nem permito que ele fique com um homem.

- Ai caralho...

Puxei meu cabelo para trás e tentei me afastar dela novamente, ela se aproximou e ficou com a maldita respiração na porra do meu ouvido.

- Melhor se afastar do Erick. Ou eu acabo com a porra da carreira dele - sua ameaça me assustou de imediato.

- Você não faria isso. Ele é o seu filho, cacete! - retruquei, encarando-a.

- Se acabar com a carreira dele significa que você vai para longe, eu não ligo.

Queria muito que aquele sorriso arrogante desaparecesse do rosto dela. Estava fervendo de raiva por dentro, mas entre acabar com a carreira do Erick e acabar com o que seja lá o que temos... merda.

Aquela ameaça começou a pesar dentro da minha cabeça e pensei se deveria passar por cima da ameaça e ver o que aconteceria. Ou se deveria voltar a ignorar o Erick - bem quando finalmente eu estava acreditando que aqueles sorrisos bobos que ele soltava eram por minha causa.
Levei minhas mãos até minhas bochechas e comecei a arranhar minhas sardas. Droga.
Engoli minha saliva quieto, empurrei ela para longe e passei pelas portas ignorando todo mundo que estivesse na minha frente.
Sei que uma das pessoas que eu ignorei foi o Erick porque reconheci seu cheiro e o estilo de vestimenta.

Vi Erick lançando olhares confusos para mim, suas mãos estavam mexendo com mais frequência no próprio cabelo a ponto de deixá-lo bagunçado. O flash da câmera, pela primeira vez, pareceu deixar ele incomodado.
No exato momento em que eu o fotografei, ele piscou com força enquanto reprimia os lábios. Suas sobrancelhas estavam franzidas. Um claro sinal de que o príncipe da Cinderela estava insatisfeito e irritado - mais triste do que irritado.
Soltei minha câmera e tentei arrumar o cabelo do Erick, ele evitou minha mão e voltou a me encarar confuso. Respirei fundo e me afastei para pegar a câmera, porém Erick segurou minha câmera em uma altura que mesmo estando nas pontas dos pés ou pulando eu não alcançaria.

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