Capítulo 23

24 4 48
                                        

♪É você, amor, e eu sou um idiota
pela maneira que você se move, amor
E eu poderia tentar correr, mas seria inútil
Você é o culpado
Apenas uma dose de você,
e eu sabia que nunca seria o mesmo♪
♪Never Be The Same,
Camila Cabelo♪

~ Erick O'Brien

Félix estava sentado enquanto editava as fotos, eu estava na cozinha fazendo alguma coisa para comer quando, de repente, deixei a faca escapar e acabei cortando meu dedo. Peguei um pano pequeno e o enrolei no meu dedo.
Chamei o Félix para comer, mas percebi que ele estava focado demais em terminar a edição das fotos - o perfeccionismo é uma benção e uma praga.
Coloquei o prato diante do Félix. Ele continuou focado nas edições, beijei a bochecha dele e o abracei. Momentos depois Félix usou a mão dele que estava livre para puxar meu cabelo e me alertou que, caso eu fizesse isso de novo eu não ganharia apenas um puxão de cabelo.
Escondi minha mão por causa do dedo cortado, senti o cheiro do perfume do Félix me intoxicar por alguns segundos e logo percebi que ele estava segurando minha mão enquanto olhava meu dedo cortado.
O perfume dele era levemente doce e viciante.

Recolhi minha mão e disse que era apenas um corte e que depois estaria melhor. Félix apenas apontou para o meu dedo que continuava sangrando.
Andei até a cozinha e deixei a água da torneira escorrer, assisti a água lentamente limpar o sangue do meu dedo. Félix estava do meu lado o tempo inteiro com um esparadrapo para poder cobrir o corte.
Fiquei lisonjeado com a atitude dele sobre me ajudar sem resmungar. Ultimamente ele tem sido muito gentil comigo, penso que isso seja um pouco preocupante.

Perguntei ao Félix se ele acreditava no amor e o que ele pensava sobre isso. Ele tentou mudar de assunto perguntando sobre o sumiço da minha mãe e sobre a minha rivalidade com o Noah.
Mas o estimulei a responder a minha pergunta. Ele encolheu os ombros e suspirou.

- Não acredito no amor - começou ele - O amor machuca e mata quem não consegue "jogar" o jogo dele - olhei para o Félix fazendo nossos olhares se cruzarem - Mas ao mesmo tempo que o amor é uma desgraça, ele é uma coisa tão... bonita. Tristemente eu nunca vou experimentar isso.

- Eu não diria isso se fosse você - sussurrei.

- E por que não? Quem gostaria disso aqui?

Fechei minha boca para não me entregar mais do que já estava. Engoli seco e forcei um sorriso desajeitado.

- Eu sei de alguém que gosta de você .

- Essa pessoa tem problemas.

- Po-por quê?

- Porque eu não tenho nada a oferecer. Eu não sou carinhoso e muito menos bonzinho, você sabe disso melhor que ninguém.

Expliquei que amor não é apenas sobre oferecer, mas também sobre receber, Félix disse que para se receber alguma coisa você tem que oferecer alguma coisa. Nossa discussão sobre isso durou alguns minutos até chegarmos na conclusão de que amor era uma coisa muito complicada que raramente valia a pena.
Félix lavou os pratos e recolheu suas coisas para ir embora. O observei enquanto estava sentado no chão, mesmo que nós dois não fôssemos compatíveis um com o outro, eu não conseguia me manter longe dele.

Meus lábios formavam um sorriso que se recusava a ir embora, decidi por um momento deixar a minha vontade me vencer e fui até o Félix e o carreguei para dentro da minha casa. Ele se debatia e me ameaçava, o soltei em cima do sofá e me sentei poucos centímetros afastados dele.

PolaroidOnde histórias criam vida. Descubra agora