Capítulo 31

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♪Eu preferiria morrer
do que te deixar ir♪
Until I Found You, Stephen Sanchez
& Em Beihold

~ Erick O'Brien

Retirei os meus óculos e deixei eles em cima da mesa ao lado do meu telefone que estava aceso, Félix tinha visto todas as mensagens que eu enviei, mas não respondeu nada. Ele até chegou a olhar o áudio que mandei ontem, mas assim que terminou de olhar ele ficou offline.
Brinquei um pouco com o meu cabelo, jogando ele de um lado para o outro. Era estranho pensar que estamos trabalhando juntos sem falar um com outro, quero dizer, falamos um com o outro. De certa forma. Apenas eu falo, o Félix só acena com a cabeça e faz o que eu peço.

Fazem alguns dias que não vejo o Félix pessoalmente. Tentei conversar com a Marina, entretanto não encontrei ela em lugar algum, talvez tenha voltado para a casa dela na Itália.
De qualquer forma não posso perder meu tempo pensando somente nisso, preciso tomar coragem e conversar com Félix pessoalmente.

Desliguei meu computador assim que comecei a sentir sono, precisava guardar meu óculos antes que eu perdesse ele em algum canto do meu quarto. Nesses últimos dias eu estava indo dormir muito tarde. Ontem, por exemplo. Fui dormir quando eram quatro horas da manhã e isso já estava começando a fazer mal para o meu corpo.
Não queria dormir agora, ainda eram oito horas.
Minha casa estava um silêncio absurdo, normalmente eu estaria conversando com o Félix ou com o Henry. Henry sempre dorme cedo, Félix está me ignorando, meu pai vai estar ocupado com certeza.
Enquanto pensava em uma maneira de me entreter até que acabasse dormindo, uma batida à porta me assustou, me fazendo engasgar.
Quando abri a porta — depois de esbarrar na merda de um vaso de planta —, vi minha irmã segurando uma garrafa de bebida alcoólica. Parecia conhaque. Quase certeza que era isso.
Sophia simplesmente entrou na minha casa sem dizer nenhuma palavra, ela pegou dois copos na cozinha e se sentou em uma das cadeiras.

Sentei do lado dela, porém ela girou sua cadeira para ficar de frente para mim, sua outra mão me estendeu um dos copos com conhaque dentro.

— Falou com ele? — Sophia perguntou bebendo um pouco do conhaque do seu copo.

— Ele quem? — virei o copo de uma vez. Ah como me arrependi no exato momento que fiz isso.

— Acho que é Taylor o segundo nome dele. O seu namorado, sabe?

— ‘Tá falando do Félix? E eu não estou namorando com ele.

— Só responde a minha pergunta, Erick.

— Não, Sophia. E não foi por falta de tentativa.

Sophia deixou o copo dela sobre a mesa de maneira repentina e me encarou, seu olhar estreito e sorriso de canto deixavam claro que ela estava me julgando. Isso é normal considerando que é a Sophia.

— E quando vai conversar com ele? — olhei para Sophia confuso — Ou vai dar uma de covarde como sempre?

— Eu não sou covarde, Sophia! — reclamei com um beicinho.

— Então por que ‘tá demorando tanto ‘pra conversar com ele?

— Porque ele não quer me escutar, Sophia. O Félix é complicado, entende?

Ela terminou de beber o resto de conhaque do próprio copo, eu já conseguia sentir minhas bochechas ficarem quentes, o que significa que elas estavam rosadas. O que também significa que eu estava ficando um pouquinho bêbado. Sophia não se mostrava estar afetada pelo álcool. Seus olhos ficaram me analisando por um tempo depois ela colocou mais conhaque no meu copo e deixou o dela vazio. Por alguns segundos pensei que ela estava tentando me embebedar, mas depois tive certeza. Seu sorriso era forçado, algo que fazia somente quando queria me atormentar.

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