Capítulo 35

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♪Minha felicidade acidental
(mesmo depois, oh oh)
A maneira como você sorrir
e como me conforta (quando está rindo)
Eu devo admitir que você
não fazia parte do meu livro
Mas agora, se você abri-lo e der uma olhada
Você é o começo e o fim
de cada capítulo (oh oh)♪
♪Never Knew I Needed, Ne-Yo♪

~Erick O'Brien

- Você pode me soltar? Temos trabalho 'pra terminar - Félix riu enquanto tentava se soltar.

- Eu posso ganhar um beijo? Um beijinho rápido? Hm? - apoiei meu queixo no topo da cabeça do Félix.

- Claro que não, porra. A gente 'tá trabalhando.

- Mas só tem a gente aqui, Félix.

- Não importa. A gente ainda 'tá trabalhando.

Félix me empurra levemente para trás e bate a câmera dele levemente no meu braço, volto para onde estava, arrumo meu cabelo e foco meu olhar no Félix. Ele estava tentando se esconder atrás da câmera com um sorriso bobo no rosto.
Faz quatro horas que estamos tentando terminar esse trabalho, mas sempre faço alguma gracinha e acabo estragando as fotos. Mesmo atrapalhando nosso progresso nesse trabalho, Félix ainda ri das minhas gracinhas - claro, ele me repreende. Mas ainda ri das minhas gracinhas.

Pela primeira vez vi todo o processo de edição das fotos, desde o reajuste de iluminação e sombra, até algumas falhas no fundo. É um processo demorado e exige bastante paciência e atenção. No fundo o processo vale muito a pena, ver o trabalho finalizado sempre traz uma sensação boa.

Peguei Félix no colo e fiquei balançando ele de um lado para o outro igual um bebê, sua risada desajeitada tornava tudo ainda mais divertido, ele estava rindo genuinamente. Girei ainda segurando Félix nos braços até que sentei no chão e o fiz sentar no meu colo.
Meu cabelo estava uma bagunça e ele estava ficando cada vez maior.
Meus olhos ficaram arregalados quando as mãos do Félix se agarraram ao meu cabelo, tinha sutileza nas suas mãos, mas podia sentir um pouco de luxúria também.

Joguei a minha cabeça um pouco para trás e dei um sorriso malicioso, prontamente Félix ficou com o rosto rosado e soltou meu cabelo.

- A gente ainda tem trabalho 'pra fazer? - Félix perguntou, desviando o olhar.

- Não que eu me lembre - cocei a nuca.

- Então vou para casa, estou cansado. E já 'tá ficando bem tarde.

Realmente, o céu estava tomando tons alaranjados e em breve estaria bem escuro para o Félix ir para casa sozinho. E como a mídia tem dado bastante atenção para o tempo que estamos passando juntos, não confio em deixar ele sair sozinho na rua de noite.

- E que tal você ficar aqui hoje? - sugeri com um claro brilho nos olhos.

- Eu não quero incomodar você no seu conforto, Erick - toda vez que ela fala meu nome me dá arrepios.

- Me diz como você iria me incomodar na minha casa sendo que você basicamente vive aqui?

- É que... tudo isso ainda é bem estranho. Entende?

Aceno com a cabeça positivamente. Estava totalmente ciente de que iria demorar bastante para que o Félix se acostumasse com tudo isso - talvez ele nunca se acostume. Apertei meus braços ao redor dele e olhei para suas mãos que ainda estavam segurando a câmera.
Antes de levantar arrumei Félix nos meus braços, me arrepiei todo ao tocar a porta de vidro que separava a parte interna e externa da casa, estava gelada. Bem gelada.
Enquanto Félix estava assistindo televisão pensando que eu estava do seu lado, eu estava olhando o entardecer pela janela. Então era por isso que Félix disse que o pôr do Sol se chama a hora dourada? Ou é hora de ouro? Os dois talvez?
O tom amarelo vibrante do céu, momentaneamente me fez lembrar dos olhos do Félix. Um olho tão bonito, mas que ele mesmo despreza. É uma cor única e que torna o Félix mais... Félix.

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