Capítulo 32

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♪Eu sempre pensei que eu poderia ser ruim
Agora eu tenho certeza que é verdade
Porque eu acho que você é tão bom
E eu não sou nada como você
Olhe para você, eu apenas te adoro
Eu gostaria de saber
O que faz você pensar
que eu sou tão especial?♪
♪Love Like You, Rebecca Sugar

~ Félix Rodrigues


Meu olhar estava focado na chuva que estava caindo do lado de fora, a janela estava toda embaçada. As cortinas escondiam boa parte das janelas, quase saí nessa chuva.
O ar gelado que estava na minha casa fazia meu corpo estremecer. Mas o cobertor que estava usando aquecia meu corpo aos poucos. Estava tomando um pouco de chocolate quente e folheando um livro com o nome "O que é amor?".
Era um livro de poesia com cerca de quatrocentas páginas, já estava nas últimas.
O barulho dos carros que passavam nas ruas começaram a me distrair, com os meus fones de ouvido, ignorei tudo e todos.
Essa palavra. Amor. Era uma coisa muito escassa para mim e certamente desconhecida.
Pus o livro na mesa e olhei para a janela. Aquela mulher estava certa, preciso me afastar dele.
Logo senti a diferença de temperatura quando deixei o cobertor de lado. Rapidamente usei o banheiro e voltei para debaixo do cobertor.

Ainda enrolado no cobertor fui até a janela e observei os carros passando de um lado para o outro. Sentei novamente no sofá e voltei a ler o meu livro, demorei três minutos para terminar.
Deixei o livro do meu lado e me encolhi. O ar gelado queimava as minhas narinas.
Poderia sair pela porta e visitar o Edward, mas até chegar na casa dele eu estaria todo molhado.
Dancei com o cobertor para poder esquecer sobre o que estava pensando. O cobertor foi um presente dos pais do Edward. Lembro-me de ter ganhado ele quando tinha vinte anos, e se minha memória não me engana, eu fiquei muito feliz mas constrangido pelos desenhos infantis que construíam o visual dele.

O belo barulho do silêncio, pela primeira vez em anos, me incomodava. A televisão estava ligada, mas em nenhum canal passava alguma coisa do meu interesse, não estava com ânimo para colocar música alta e não sabia o que colocar para fazer barulho. O sentimento de querer ficar sozinho finalmente estava me deixando, me segurei por muito tempo nesse sentimento e agora parece que estou rodeado somente de objetos e não de pessoas.
Algumas mensagens estavam na barra de notificação do meu telefone. E todas elas eram do Edward. Respondi todas elas e no mesmo instante Edward as respondeu. Certamente ele não estava trabalhando hoje, provavelmente estava cuidando da irmã mais nova dele.
Joguei o telefone no sofá e pensei sobre o que poderia fazer em um dia tão tedioso como esse. Fotografia não seria uma boa ideia, não queria me molhar na chuva e pegar um resfriado.

Guardei o livro no meu quarto sem me afastar do cobertor, a ponta do meu nariz estava gelada e obviamente vermelha. No canto da sala estava o meu caderno, abandonei ele naquele canto porque estava com preguiça de guardar. Peguei alguns lápis de cor e outros de grafite para desenhar algumas fotos antigas minhas. As pontas estavam achatadas pelo uso excessivo e pela minha preguiça de apontar os lápis. Deixei a ponta de cada um extremamente apontada.
Antes de encostar o lápis de grafite no papel, olhei para a parte de baixo da porta de entrada. Tinha uma sombra no chão, por causa do piso que brilhava era possível vê-la.
Voltei a olhar para o papel e comecei a fazer diversos rabiscos aleatórios. Uma batida à porta me fez levantar lentamente. Deixei o cobertor no sofá e destranquei a porta.
Minha mão ainda permanecia na maçaneta, tentei empurrar a porta para poder fechar, mas a mão gelada da pessoa segurou a porta mantendo ela completamente aberta. O frio que já estava insuportável tinha piorado.

- O que você quer? - meu corpo todo estava tremendo.

- Eu quero conversar com você - a chuva não estava sendo nada misericordiosa com ele.

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