♪Você já me conquistou,
independentemente da minha vontade
Não se assuste se eu me
apaixonar da cabeça aos pés
E não fique surpreso se eu
te amar por tudo que você é
Eu não pude evitar, é tudo culpa sua♪
♪Head Over Feet, Alanis Morissette
~ Félix Rodrigues
Amassei outra folha. E mais uma. Outra.
O chão da sala estava completamente cheio de folhas amassadas, lascas de lápis de grafite e farelos de borracha.
Acho que fazem trinta minutos que estou tentando desenhar algo diferente e sempre sai a mesma coisa. Aquele maldito cabelo escuro, olhos suaves, sobrancelhas marcantes e o sorriso com aqueles malditos dentes perfeitos.
Deixei meu caderno de lado por um momento e tentei pensar em alguma outra pessoa que não fosse ele. Ou alguma outra coisa.
Se eu desenhasse flores, iria me lembrar dele. Então com certeza não iria fazer isso.
Meu telefone vibrou e acendeu. Outra mensagem, mais uma que não vou ver.
Segurei meu lápis outra vez e peguei o caderno, tracei riscos aleatórios até tomar forma de um rosto, depois fui para os lábios, o cabelo e… merda! De novo? COMO?
Tentei outra vez, dessa vez começando pelo cenário que ficaria atrás — foi um rascunho bem porco para ser sincero. E quando comecei a desenhar a pessoa novamente, foi a porcaria do mesmo resultado das outras quarenta e seis vezes.
— Cacete, vou acabar ficando sem folhas ‘pra desenhar — resmunguei enquanto rabiscava novamente.
Minha última tentativa eu consegui desenhar exatamente o rosto daquele imbecil. Os olhos, a boca, os dentes, o sorriso, o cabelo. Tudo. Eu consegui desenhar tudo que eu não queria desenhar. Apertei o lápis de grafite com força, depois o joguei para cima do sofá.
Peguei o pouco de café que tinha sobrado e bebi, ainda estava quente e esses últimos dias têm sido bem frios. O cheiro do café fresco me lembrou, não ironicamente, do dia em que o Erick comprou um milkshake para mim. Até hoje me pergunto que gosto aquela coisa tinha.
Admito que naquele dia fiquei surpreso que ele estivesse tentando me agradar. Foi até engraçado.
Abruptamente balancei minha cabeça. Estava pensando nele de novo e não estava nem um pouco feliz com isso. Pensar nele me deixa todo bobo. De vez em quando me pergunto como ele fica quando… não. Ele não pensa em mim. Ele não deveria.
Encarei o desenho que tinha feito do Erick, ainda podia adicionar alguns detalhes, como alguns efeitos de sombra e luz. Deixei meu telefone tocando música enquanto fazia rabiscos aleatórios até que me cansei e parei, meu pulso já estava dolorido de tanto desenhar — e de arrancar e amassar folhas.
Pela primeira vez em… quantos dias? Não sei ao certo, mas fazem muitos dias desde que eu peguei o meu telefone para ver mensagens ou qualquer outra coisa. De verdade, eram muitas mensagens, principalmente do Erick. Ligações perdidas e mensagens não vistas era o que mais tinha. Pensei que ele não fosse se importar com a minha ausência, afinal de contas, somos apenas chefe e funcionário.
E ultimamente me peguei pensando naquele dia em que ele quase me beijou. Droga, sinto minhas bochechas queimarem só de lembrar. E a pior parte é que eu esperei que acontecesse. Eu… queria que acontecesse.
Queria olhar as mensagens que ele tinha enviado para mim, mas sabia que Erick descobriria rapidamente que eu havia visto elas.
Tive a brilhante ideia de sair um pouco, estava ficando tão pálido que poderia facilmente ser confundido com um fantasma. Aproveitei para pegar algo diferente para comer.
Incrivelmente peguei algo doce e surpreendentemente era bom, doces não são tão ruins quanto eu pensei que fossem.
O pequeno sino que fica no topo esquerdo da porta tocou, um outro cliente entrou na padaria em passos lentos. Estava feliz demais bebendo meu café quentinho para olhar quem era, mas assim que a curiosidade falou mais alto eu olhei na direção de quem estava parado na recepção.
Apenas acho que engasguei um pouquinho com o café quando me dei conta de quem era.
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Polaroid
RomanceUm modelo famoso e mimado decide ir até a empresa de fotografia do seu pai em busca de um fotógrafo pessoal. Entretanto uma pessoa conseguiu chamar a atenção dele, tanto pelo talento que ele procurava quanto pela bela aparência. Após decidir trabalh...
