[LIVRO 1]
Melione era muito mais que uma grande nação em um mundo que já sofrera guerras e destruições há séculos atrás. Melione carregava uma história, um legado, seis famílias e seus pequenos reinos que sacrificaram tudo o que tinham para que a pa...
➙ Eu não revisei esse capítulo porque queria realmente publicar ele o mais rápido possível. Espero com sinceridade que eu não me arrependa disso mais tarde, amém.
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KIAN
Estilhaço.
Sinto que minha vida está dividida em estilhaços e fragmentos diversos e dispersos, cada um apontando para uma direção incerta. Ideias de futuros distantes, esses que não pude viver após um novo fragmento surgir e me fazer seguir uma nova direção, destruindo qualquer esperança de continuidade ou previsibilidade. A cada novo estilhaço, sinto-me mais distante da integridade que um dia conheci, perdido em um labirinto de possibilidades inacabadas.
Já fui o filho de uma família importante, podendo ter crescido ao lado de meus inimigos, e sendo tão próximo a ponto de chamá-los de amigos. Já fui um príncipe pacífico, cujo era visto como alguém justo e bondoso. Já fui um bom estrategista, um bom negociador, talvez um político formidável. Já fui um monstro, um assassino. Hoje sou uma esperança que se acendeu após séculos.
É o que Brielin diz. É o que meus pais e meu povo dizem. Sou sua esperança.
E quanto ao que eu digo? E o que eu sou? Quem eu sou? Sei quem devo ser, mas por quê? Existe alguma decência em mim para querer ser essa esperança ou é apenas a culpa de ser um assassino ou um monstro?
Por muito tempo, aceitei que esse era o meu destino. Aceitei o fato de que todos me temeriam por esse ser o papel de um Homem das Sombras. Arik conseguiu criar uma sociedade pacífica, mas seus descendentes eram o oposto do que ele foi. Poucos não foram assolados pela loucura dos dons deixados para nós, mas muitos foram dominados pelo ódio e a fúria. Então aceitei que não haveria nenhum tipo de escapatória para mim, um dragão nascido no corpo de um homem. E acreditei ser o único.
Até algo se acender dentro de mim. Algo que me chamava para além das fronteiras de Saron. Lembro exatamente da sensação. A dor no peito, a ânsia como se estivesse despencando de um enorme penhasco. O sangue correndo tão rapidamente em minhas veias e o fogo crescente em minhas mãos. Descontrole. Senti-la pela primeira vez me deixou em completo descontrole. Me deixou cego, me fez perder o raciocínio.
Eu precisava conhecê-la, nem que precisasse começar uma guerra por isso e lutarmos em lados opostos. Ainda assim, eu precisava vê-la e saber se, assim como eu, ela também sentia aquela chama.
Nada saiu como o planejado. Sanhee foi capturado enquanto seguíamos em uma breve missão de reconhecimento. Quando tentei resgatá-lo, era tarde demais e vi seu corpo ser queimado em meio a uma multidão de espectadores, um horror de aplausos diante de algo tão bárbaro, tão selvagem e cruel. E ela estava lá, ela viu tudo. Diferente da multidão que aplaudia aquilo como um espetáculo, Calia estava horrorizada. Um olhar repleto de terror enquanto encarava o suposto corpo do meu irmão.
Só que não importava mais.
Naquele momento, dominado pelo luto e pela vingança, procurei uma guerra. Invadi aquele maldito baile, onde as pessoas riam e sorriam, comemorando um futuro que fazia parte dos estilhaços e fragmentos da minha vida. Estava pronto para matar todos ali. Eu iria matar todos ali. Faria isso com prazer.